Adjective-Adverb Interfaces in Romance

Open Access Database

Metadata

Setting of examples
LanguagePortuguese
RegionBrazil
Date20th century
Persons involved
CompilationVotre, Sebastião (1991-1998)
CompilationOliveira, Mariangela Rios (1991-1998)
CompilationFurtado da Cunha, Maria Angélica (1993-1994)
AnnotationGerhalter, Katharina (2019)
Annotation
Types of examplesAdjective-Adverbs, mente-Adverbs and Prepositional Phrases
Annotated Categories
  • obligatory: Adverb: Lemma, Morphosyntactic Structure (Adjectival / Noun / Derived –mente), Inflection (uninflected=m.sg. / fem.sg. / masc.pl. / fem.pl.), Attribution target (Verb / Verb and Subject / Verb and Object / Sentence / Adverb / Adjective / Noun or syntagma without verb-reference / other), Semantic classification (Manner / Quantity / Time / Location / Discourse / Specification / other), Coordinated (true / false), Modified (true / false), Reduplicated (true / false), Part of prepositional phrase (true / false)
  • optional: Verb: Lemma, Syntactic construction (Transitive / Intransitive / Reflexive), Coordinated (true / false), Part of the text (true / false)
  • optional: Subject: Gender (Masculine / Feminine / Undefined), Number (Singular / Plural), Overt subject (true / false)
  • optional: Preposition (if Adverb = Preposition + Adjective): Lemma, Contracted (true / false)
  • optional: Article (if Adverb = Preposition + Article + Adjective): Gender (Masculine / Feminine), Number (Singular / Plural), Contracted (true / false)
Sources
Corpus do Grupo de Estudo "Discurso & Gramática" (dir. Sebastião Votre / Mariangela Rios de Oliveira / Maria Angélica Furtado da Cunha; Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1991-1998), https://discursoegramaticablog.wordpress.com/corpus/
Related Publication
Hummel, Martin, 2017. “Existe a concordância adverbial no português brasileiro? Considerações acerca de vamos diretos, todas contentes, bastantes grandes, muitas boas.” In: Oliveira, Mariângela Rios de & Cezario, Maria Maura: Funcionalismo linguístico. Diálogos e vertentes, Série Ensaios, 113-140.
Gerhalter, Katharina & Koch, Stefan (in preparation): "Frequency and Code-based Distribution of Adverbials (Adjective-Adverbs, -mente, Prepositional Phrases) in Modern Brazilian Portuguese. A Corpus Study of Written and Spoken Data". Studia UBB Philologia 4/2020
Corpus Description
This corpus consists of more than 6.000 examples and was annotated by reading whole-texts and by tagging each example of adjective-adverbs, mente-adverbs and prepositional phrases. The data stems from the corpus Discurso & Gramática, directed by Mariângela Rios de Oliveira and Sebastião Votre (Universidade Federal do Rio de Janeiro) and Maria Angélica Furtado da Cunha (Universidade Federal do Rio Grande do Norte). It was collected in the 1990s for sociolinguistic purposes and is composed of interviews (oral text parts) and written text parts from more than 170 interviewees living in five Brazilian cities (Rio de Janeiro, Nitéroi, Rio Grande do Norte, Natal, Juiz de Fora). Information on the interviewees cover: age, sex, level of education, city. The whole D & G source-corpus was included in the database and can be read on the subcorpus-page of Pt_APM_DeG. The different parts of the texts have been classified into "written" (parte escrita, written by interviewees, and relato de interação written by interviewers) and "oral" (parte oral: dialogues between interviewees and interviewers) in order to differentiate the usage of adverbs from the point of view of code (spoken/written). The reading of the texts in order to find adverbial uses and the annotation of the examples was carried out by Katharina Gerhalter in 2019. Some examples (concerning meio, bastante, muito and tudo) had already been analysed and tagged by Martin Hummel (in 2017). A quantitative analysis of the data is being prepared (Gerhalter & Koch). In this corpus, 4.922 examples of adjective-adverbs, 220 prepositional phrases and 1111 examples of derived adverbs ending in -mente were systematically annotated with the same underlying adjectival base. E.g. the lemma claro delivers examples of claro (adjective-adverb), às claras (prepositional phrase) and claramente (derived adverb). Two prepositional phrases of the type “preposition + noun” were tagged too, i.e. com certeza and com clareza, since they form lexical groups with their adverbial correlates (certo, certamente, ao certo, com certeza; claro, claramente, às claras, em claro, com clareza). In total, 225 different adjectival bases (lemma) are documented. In addition to the List of Lemmata, which also includes a counting of tagged examples per lemma, a list of all triplets (adjective-adverbs, prepositional phrases and derived adverbs ending in -mente) and provides the number of examples (see List of Forms).
Extent
Tagged examples of adverbs6259
Types of adjective - lemmata227
All words453883
Date2020
Suggested Citation
Votre, Sebastião / Oliveira, Mariangela Rios de / Furtado da Cunha, Maria Angélica / Gerhalter, Katharina (2020): Corpus of Brazilian Portuguese Adjective-Adverbs, mente-Adverbs and Prepositional Phrases in Corpus Discurso & Gramática. In Schneider, Gerlinde / Pollin, Christopher / Gerhalter, Katharina / Hummel, Martin (2020): Adjective-Adverb Interfaces in Romance. Open-Access Database (=AAIF-Database). https://gams.uni-graz.at/o:aaif.ptapmdeg.

Source

IDName | Sex | Age | GroupTitleTypeDateRegionSettlement
DeG1André (& Entrevistadora: Fernanda), m, 24, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG2André, m, 24, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG3Daniel (& Entrevistadora: Fernanda), m, 22, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG4Daniel, m, 22, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG5Érica (& Entrevistadora: Fernanda), f, 24, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG6Érica, f, 24, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG7Jorge Luís (& Entrevistadora: Fernanda), m, 26, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG8Jorge Luís, m, 26, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG9Mônica (& Entrevistadora: Fernanda), f, 23, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG10Mônica, f, 23, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG11Rafaela (& Entrevistadora: Fernanda), f, 24, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG12Rafaela, f, 24, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG13Regina (& Entrevistadora: Fernanda), f, 23, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG14Regina, f, 23, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG15Valéria (& Entrevistadora: Fernanda), f, 23, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG16Valéria, f, 23, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG17Carlos (& Entrevistador: Enrico), m, 18, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG18Carlos, m, 18, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG19Claire (& Entrevistadora: Tatiana), f, 17, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG20Claire, f, 17, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG21Cristina (& Entrevistadora: Tatiana), f, 17, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG22Cristina, f, 17, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG23Dario (& Entrevistador: Enrico), m, 20, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG24Dario, m, 20, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG25Fábio (& Entrevistadora: Tatiana), m, 18, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG26Fábio, m, 18, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG27Flávia (& Entrevistador: Enrico), f, 19, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG28Flávia, f, 19, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG29Flávia Regina (& Entrevistadora: Tatiana), f, 18, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG30Flávia Regina, f, 18, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG31Isabel (& Entrevistador: Enrico), f, 18, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG32Isabel, f, 18, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG33Jean (& Entrevistadora: Tatiana), m, 18, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG34Jean, m, 18, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG35Márcio (& Entrevistadora: Tatiana), m, 16, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG36Márcio, m, 16, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG37Maria de Fátima (& Entrevistador: Enrico), f, 22, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG38Maria de Fátima, f, 22, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG39Roney (& Entrevistador: Enrico), m, 19, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG40Roney, m, 19, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG41Suzana (& Entrevistador: Enrico), f, 18, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG42Suzana, f, 18, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG43Valéria Cristina (& Entrevistadora: Tatiana), f, 17, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG44Valéria Cristina, f, 17, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG45Wagner (& Entrevistador: Enrico), m, 18, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG46Wagner, m, 18, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG47Yuri (& Entrevistadora: Tatiana), m, 18, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG48Yuri, m, 18, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG49Carla (& Entrevistadora: Dina Claudia), f, 16, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG50Carla, f, 16, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG51Cristiane (& Entrevistadora: Ana Maria), f, 16, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG52Cristiane, f, 16, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG53José Augusto (& Entrevistadora: Ana Maria), m, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG54José Augusto, m, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG55Nilson (& Entrevistadora: Ana Maria), m, 14, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG56Nilson, m, 14, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG57Olivaldo (& Entrevistadora: Ana Maria), m, 18, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG58Olivaldo, m, 18, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG59Patricia (& Entrevistadora: Dina Claudia), f, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG60Patricia, f, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG61Paula Fernanda (& Entrevistadora: Dina Claudia), f, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG62Paula Fernanda, f, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG63Quéli (& Entrevistadora: Ana Maria), f, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG64Quéli, f, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG65Roberto (& Entrevistadora: Ana Maria), m, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG66Roberto, m, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG67Sônia (& Entrevistadora: Dina Claudia), f, 14, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG68Sônia, f, 14, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG69Vanessa (& Entrevistadora: Ana Maria), f, 14, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG70Vanessa, f, 14, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG71Viviane (& Entrevistadora: Ana Maria), f, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG72Viviane, f, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG73Alaine (& Entrevistadora: Rosa), f, 9, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG74Alaine, f, 9, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG75Alexsandro (& Entrevistadora: Deise), m, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG76Alexsandro, m, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG77Ana Caroline (& Entrevistadora: Deise), f, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG78Ana Caroline, f, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG79Ana Maria (& Entrevistadora: Rosa), f, 12, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG80Ana Maria, f, 12, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG81Angela (& Entrevistadora: Rosimeri), f, 12, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG82Angela, f, 12, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG83Artur (& Entrevistadora: Rosimeri), m, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG84Artur, m, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG85Carlos Vinícius (& Entrevistadora: Rosimeri), m, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG86Carlos Vinícius, m, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG87Daniel (& Entrevistadora: Rosimeri), m, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG88Daniel, m, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG89Fábio Luís (& Entrevistadora: Deise), m, 13, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG90Fábio Luís, m, 13, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG91Fernando (& Entrevistadora: Rosa), m, 9, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG92Fernando, m, 9, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG93Flávia M. (& Entrevistadora: Rosimeri), f, 12, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG94Flávia M., f, 12, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG95Flávia V. (& Entrevistadora: Rosimeri), f, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG96Flávia V., f, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG97Ivan Cláudio (& Entrevistadora: Rosa), m, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG98Ivan Cláudio, m, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG99Jéssica (& Entrevistadora: Deise), f, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG100Jéssica, f, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG101Juliana (& Entrevistadora: Rosimeri), f, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1992Brazil Rio de Janeiro
DeG102Juliana, f, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1992Brazil Rio de Janeiro
DeG103Letícia (& Entrevistadora: Rosimeri), f, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG104Letícia, f, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG105Luanne (& Entrevistadora: Deise), f, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG106Luanne, f, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG107Luís Carlos (& Entrevistadora: Rosimeri), m, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG108Luís Carlos, m, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG109Marcela (& Entrevistadora: Rosa), f, 12, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG110Marcela, f, 12, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG111Maria Carolina (& Entrevistadora: Deise), f, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG112Maria Carolina, f, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG113Mariana (& Entrevistadora: Rosimeri), f, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG114Mariana, f, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG115Patrícia (& Entrevistadora: Rosimeri), f, 13, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG116Patrícia, f, 13, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG117Pedro (& Entrevistadora: Rosimeri), m, 13, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1992Brazil Rio de Janeiro
DeG118Pedro, m, 13, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1992Brazil Rio de Janeiro
DeG119Rachel (& Entrevistadora: Deise), f, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG120Rachel, f, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG121Rafael N. (& Entrevistadora: Rosimeri), m, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG122Rafael N., m, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG123Rafael N. S. (& Entrevistadora: Rosa), m, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG124Rafael N. S., m, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG125Rafael S. (& Entrevistadora: Rosimeri), m, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG126Rafael S., m, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG127Renato José (& Entrevistadora: Rosimeri), m, 13, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1992Brazil Rio de Janeiro
DeG128Renato José, m, 13, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1992Brazil Rio de Janeiro
DeG129Rodrigo Bruno (& Entrevistadora: Rosimeri), m, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG130Rodrigo Bruno, m, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG131Roselane (& Entrevistadora: Rosa), f, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG132Roselane, f, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG133Sidney (& Entrevistadora: Rosa), m, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG134Sidney, m, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG135Thiago (& Entrevistadora: Rosimeri), m, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG136Thiago, m, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG137Viviane (& Entrevistadora: Rosimeri), f, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG138Viviane, f, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG139Wellington (& Entrevistadora: Deise), m, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG140Wellington, m, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG141Adilson (& Entrevistadora: Margarete), m, 18, Informantes do C.A. Supletivo Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG142Adilson, m, 18, Informantes do C.A. Supletivo Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG143Adriana (& Entrevistadora: Margarete), f, 15, Informantes do C.A. Supletivo Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG144Adriana, f, 15, Informantes do C.A. Supletivo Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG145Antônio José (& Entrevistadora: Margarete), m, 22, Informantes do C.A. Supletivo Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG146Antônio José, m, 22, Informantes do C.A. Supletivo Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG147Francisco de Assis (& Entrevistadora: Margarete), m, 20, Informantes do C.A. Supletivo Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG148Francisco de Assis, m, 20, Informantes do C.A. Supletivo Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG149José (& Entrevistadora: Margarete), m, 36, Informantes do C.A. Supletivo Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG150José, m, 36, Informantes do C.A. Supletivo Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG151Jucineide (& Entrevistadora: Margarete), f, 19, Informantes do C.A. Supletivo Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG152Jucineide, f, 19, Informantes do C.A. Supletivo Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG153Maria Rosa (& Entrevistadora: Margarete), f, 42, Informantes do C.A. Supletivo Parte oral spoken 1994Brazil Rio de Janeiro
DeG154Maria Rosa, f, 42, Informantes do C.A. Supletivo Parte escrita written 1994Brazil Rio de Janeiro
DeG155Rosilda (& Entrevistadora: Margarete), f, 22, Informantes do C.A. Supletivo Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG156Rosilda, f, 22, Informantes do C.A. Supletivo Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG157Alex (& Entrevistadora: Thais), m, 7, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG158Alex, m, 7, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG159Bruna (& Entrevistadora: Rosimeri), f, 6, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1991Brazil Rio de Janeiro
DeG160Bruna, f, 6, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1991Brazil Rio de Janeiro
DeG161Camila (& Entrevistadora: Rosimeri), f, 6, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1991Brazil Rio de Janeiro
DeG162Camila, f, 6, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1991Brazil Rio de Janeiro
DeG163Eloísa (& Entrevistadora: Thais), f, 7, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG164Eloísa, f, 7, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG165Fábio (& Entrevistadora: Thais), m, 8, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG166Fábio, m, 8, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG167Felipe (& Entrevistadora: Thais), m, 8, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG168Felipe, m, 8, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG169João (& Entrevistadora: Rosimeri), m, 6, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1991Brazil Rio de Janeiro
DeG170João, m, 6, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1991Brazil Rio de Janeiro
DeG171Juliana (& Entrevistadora: Thais), f, 7, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG172Juliana, f, 7, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG173Marta (& Entrevistadora: Thais), f, 9, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG174Marta, f, 9, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG175Paulo Alexandre (& Entrevistadora: Rosimeri), m, 6, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1991Brazil Rio de Janeiro
DeG176Paulo Alexandre, m, 6, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1991Brazil Rio de Janeiro
DeG177Rafael (& Entrevistadora: Rosimeri), m, 6, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1991Brazil Rio de Janeiro
DeG178Rafael, m, 6, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1991Brazil Rio de Janeiro
DeG179Sabrina Letícia (& Entrevistadora: Rosimeri), f, 9, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1991Brazil Rio de Janeiro
DeG180Sabrina Letícia, f, 9, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1991Brazil Rio de Janeiro
DeG181Sirlan (& Entrevistadora: Rosimeri), m, 6, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1992Brazil Rio de Janeiro
DeG182Sirlan, m, 6, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1992Brazil Rio de Janeiro
DeG183Suellen (& Entrevistadora: Thais), m, 8, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG184Suellen, m, 8, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG185Thiago (& Entrevistadora: Thais), m, 9, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG186Thiago, m, 9, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG187Fernanda (Entrevistadora), f, Entrevistadores Relato de interação written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG188Enrico (Entrevistador), m, Entrevistadores Relato de interação written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG189Tatiana (Entrevistadora), f, Entrevistadores Relato de interação written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG190Dina Clauda (Entrevistadora), f, Entrevistadores Relato de interação written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG191Ana Maria (Entrevistadora), f, Entrevistadores Relato de interação written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG192Rosa (Entrevistadora), f, Entrevistadores Relato de interação written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG193Deise (Entrevistadora), f, Entrevistadores Relato de interação written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG194Rosimeri (Entrevistadora), f, Entrevistadores Relato de interação written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG195Margarete (Entrevistadora), f, Entrevistadores Relato de interação written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG196Thais (Entrevistadora), f, Entrevistadores Relato de interação written 1993Brazil Rio de Janeiro
DeG197Aydano (& Entrevistador: Valmir), m, 30, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1998Brazil Nitéroi
DeG198Aydano, m, 30, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1998Brazil Nitéroi
DeG199Margarete (& Entrevistador: Valmir), f, 20, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1998Brazil Nitéroi
DeG200Margarete, f, 20, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1998Brazil Nitéroi
DeG201Eliane (& Entrevistador: Valmir), f, 35, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1998Brazil Nitéroi
DeG202Eliane, f, 35, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1998Brazil Nitéroi
DeG203Lina (& Entrevistadora: Monique), f, 30, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1998Brazil Nitéroi
DeG204Lina, f, 30, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1998Brazil Nitéroi
DeG205Alex (& Entrevistadora: Monique), m, 29, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1998Brazil Nitéroi
DeG206Alex, m, 29, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1998Brazil Nitéroi
DeG207Pablo (& Entrevistador: Angelo), m, 17, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1998Brazil Nitéroi
DeG208Pablo, m, 17, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1998Brazil Nitéroi
DeG209Marcelo (& Entrevistadora: Alessandra), m, 19, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1998Brazil Nitéroi
DeG210Marcelo, m, 19, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1998Brazil Nitéroi
DeG211Priscila (& Entrevistadora: Tatiana), f, 17, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1998Brazil Nitéroi
DeG212Priscila, f, 17, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1998Brazil Nitéroi
DeG213Mariana (& Entrevistadora: Eduardo Kenedy), f, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1998Brazil Nitéroi
DeG214Mariana, f, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1998Brazil Nitéroi
DeG215Alfonso (& Entrevistador: Eduardo kenedy), m, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1998Brazil Nitéroi
DeG216Alfonso, m, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1998Brazil Nitéroi
DeG217Isabelle (& Entrevistador: Angelo), f, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1998Brazil Nitéroi
DeG218Isabelle, f, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1998Brazil Nitéroi
DeG219Simone (& Entrevistadora: Cíntia), f, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1998Brazil Nitéroi
DeG220Simone, f, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1998Brazil Nitéroi
DeG221Fábio (& Entrevistador: Fabiano Henrique), m, 27, Informantes do Ensino Fundamental Supletivo Parte oral spoken 1998Brazil Nitéroi
DeG222Fábio, m, 27, Informantes do Ensino Fundamental Supletivo Parte escrita written 1998Brazil Nitéroi
DeG223Josilene (& Entrevistador: Fabiano Henrique), f, 21, Informantes do Ensino Fundamental Supletivo Parte oral spoken 1998Brazil Nitéroi
DeG224Josilene, f, 21, Informantes do Ensino Fundamental Supletivo Parte escrita written 1998Brazil Nitéroi
DeG225Flávio (& Entrevistador: Eduardo Kenedy), m, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1998Brazil Nitéroi
DeG226Flávio, m, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1998Brazil Nitéroi
DeG227Bruna (& Entrevistadora: Cíntia), f, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1998Brazil Nitéroi
DeG228Bruna, f, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1998Brazil Nitéroi
DeG229Elizângela (Entrevistadir: Eduardo Kenedy), f, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1998Brazil Nitéroi
DeG230Elizângela, f, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1998Brazil Nitéroi
DeG231Luiz Eduardo (& Entrevistadora: Simone), m, 7, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1997Brazil Nitéroi
DeG232Luiz Eduardo, m, 7, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1997Brazil Nitéroi
DeG233Aline (& Entrevistadora: Simone), f, 7, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1998Brazil Nitéroi
DeG234Aline, f, 7, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1998Brazil Nitéroi
DeG235Fellipe (& Entrevistadora: Simone), m, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1998Brazil Nitéroi
DeG236Fellipe, m, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1998Brazil Nitéroi
DeG237Monique (Entrevistadora), f, Entrevistadores Relato de interação written 1998Brazil Nitéroi
DeG238Ângelo (Entrevistador), m, Entrevistadores Relato de interação written 1998Brazil Nitéroi
DeG239Alessandra (Entrevistadora), f, Entrevistadores Relato de interação written 1998Brazil Nitéroi
DeG240Tatiana (Entrevistadora), f, Entrevistadores Relato de interação written 1998Brazil Nitéroi
DeG241Eduardo Kenedy (Entrevistador), m, Entrevistadores Relato de interação written 1998Brazil Nitéroi
DeG242Cíntia (Entrevistadora), f, Entrevistadores Relato de interação written 1998Brazil Nitéroi
DeG243Fabiano Henrique (Entrevistador), m, Entrevistadores Relato de interação written 1998Brazil Nitéroi
DeG244Simone (Entrevistadora), f, Entrevistadores Relato de interação written 1998Brazil Nitéroi
DeG245João Carlos, m, 28, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio Grande
DeG246João Carlos, m, 28, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio Grande
DeG247Lisandra, f, 23, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio Grande
DeG248Lisandra, f, 23, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio Grande
DeG249Carla Beatriz, f, 21, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio Grande
DeG250Carla Beatriz, f, 21, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio Grande
DeG251Giovane, m, 17, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio Grande
DeG252Giovane, m, 17, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio Grande
DeG253Isabel, f, 16, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio Grande
DeG254Isabel, f, 16, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio Grande
DeG255Magda, f, 19, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio Grande
DeG256Magda, f, 19, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio Grande
DeG257Vanderlei, m, 17, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio Grande
DeG258Vanderlei, m, 17, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio Grande
DeG259Ary, m, 13, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio Grande
DeG260Ary, m, 13, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio Grande
DeG261Fábio, m, 14, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio Grande
DeG262Fábio, m, 14, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio Grande
DeG263Flávia, f, 14, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio Grande
DeG264Flávia, f, 14, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio Grande
DeG265Kelly Cristina, f, 17, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio Grande
DeG266Kelly Cristina, f, 17, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio Grande
DeG267Daniele, f, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio Grande
DeG268Daniele, f, 11, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio Grande
DeG269Felipe, m, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio Grande
DeG270Felipe, m, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio Grande
DeG271Mária Cláudia, f, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio Grande
DeG272Mária Cláudia, f, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio Grande
DeG273Thiago, m, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio Grande
DeG274Thiago, m, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio Grande
DeG275Fernanda, f, 7, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio Grande
DeG276Fernanda, f, 7, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio Grande
DeG277Luana, f, 8, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio Grande
DeG278Luana, f, 8, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio Grande
DeG279Rafael, m, 8, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio Grande
DeG280Rafael, m, 8, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio Grande
DeG281Sisney, m, 7, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Rio Grande
DeG282Sisney, m, 7, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1993Brazil Rio Grande
DeG283Carlos, m, 26, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Natal
DeG284Carlos, m, 26, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1993Brazil Natal
DeG285Diva, f, 31, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Natal
DeG286Diva, f, 31, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1993Brazil Natal
DeG287Glislaine, f, 21, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Natal
DeG288Glislaine, f, 21, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1993Brazil Natal
DeG289Ítalo (& Entrevistador: Marcos), m, 30, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Natal
DeG290Ítalo, m, 30, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1993Brazil Natal
DeG291Gerson, m, 19, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Natal
DeG292Gerson, m, 19, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Natal
DeG293Gustavo, m, 16, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Natal
DeG294Gustavo, m, 16, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Natal
DeG295Rosemeire, f, 19, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Natal
DeG296Rosemeire, f, 19, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Natal
DeG297Solange, f, 19, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Natal
DeG298Solange, f, 19, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1993Brazil Natal
DeG299Emerson, m, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Natal
DeG300Emerson, m, 15, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Natal
DeG301Gerlândia, f, 17, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Natal
DeG302Gerlândia, f, 17, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Natal
DeG303Lúcia, f, 16, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Natal
DeG304Lúcia, f, 16, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Natal
DeG305Vladimir, m, 14, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Natal
DeG306Vladimir, m, 14, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1993Brazil Natal
DeG307Julyana, f, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Natal
DeG308Julyana, f, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Natal
DeG309Olavo, m, 9, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Natal
DeG310Olavo, m, 9, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Natal
DeG311Sueli, f, 13, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Natal
DeG312Sueli, f, 13, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1993Brazil Natal
DeG313Wagner, m, 13, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Natal
DeG314Wagner, m, 13, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1994Brazil Natal
DeG315Daniele, f, 6, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Natal
DeG316Daniele, f, 6, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1993Brazil Natal
DeG317Pablo, m, 6, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Natal
DeG318Pablo, m, 6, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1994Brazil Natal
DeG319Talita, f, 6, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1993Brazil Natal
DeG320Talita, f, 6, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1993Brazil Natal
DeG321Wesley, m, 7, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Natal
DeG322Wesley, m, 7, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1994Brazil Natal
DeG323Alcione (& Entrevistadora: Cristiane), f, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG324Alcione, f, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG325Enéas (& Entrevistadora: Walkyria), m, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG326Enéas, m, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG327Ronaldo (& Entrevistadora: Cristiane), m, 23, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG328Ronaldo, m, 23, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG329Silvany (& Entrevistadora: Paula), f, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG330Silvany, f, Informantes do Ensino Superior (>23 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG331Aleandro (& Entrevistadora: Cristiane), m, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG332Aleandro, m, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG333Andréa (& Entrevistadora: Cristiane), f, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG334Andréa, f, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG335Cíntia (& Entrevistadora: Cristiane), f, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG336Cíntia, f, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG337Gilson (& Entrevistadora: Cristiane), m, 19, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG338Gilson (written part not included in corpus), m, 19, Informantes do Ensino Médio (de 18 a 20 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG339Ana Amélia (& Entrevistadora: Cristiane), f, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG340Ana Amélia, f, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG341Leonardo (& Entrevistadora: Cristiane), m, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG342Leonardo, m, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG343José Renato (& Entrevistadora: Paula), m, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG344José Renato, m, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG345Renata (& Entrevistadora: Paula), f, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG346Renata, f, Informantes do Ensino Fundamental (de 13 a 16 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG347Alexandra (& Entrevistadora: Cristiane), f, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG348Alexandra, f, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG349Eduardo (& Entrevistadora: Walkyria), m, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG350Eduardo, m, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG351Elisa (& Entrevistadora: Cristiane), f, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG352Elisa, f, 10, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG353Gustavo (& Entrevistadora: Cristiane), m, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG354Gustavo, m, Informantes do Ensino Fundamental (de 9 a 11 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG355Ana Paula (& Entrevistadora: Walkyria), f, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG356Ana Paula, f, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG357Giovane (& Entrevistadora: Cristiane), m, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG358Giovane, m, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG359Janaína (& Entrevistadora: Cristiane), f, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG360Janaína, f, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG361Leonardo (& Entrevistadora: Cristiane), m, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte oral spoken 1994Brazil Juiz de Fora
DeG362Leonardo, m, Informantes da classe de alfabetização (de 5 a 8 anos) Parte escrita written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG363Cristiane (Entrevistadora), f, Entrevistadores Relato de interação written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG364Walkyria (Entrevistadora), f, Entrevistadores Relato de interação written 1994Brazil Juiz de Fora
DeG365Paula (Entrevistadora), f, Entrevistadores Relato de interação written 1994Brazil Juiz de Fora

List of Lemmata

The lemmatization is based on the underlying adjectival form (see Annotation model for further details).

LemmaCount

Forms

Adjective-Adverbsmente-AdverbsPrepositional Phrases
sério [8] seriamente [1] a sério [5]
alto [22] altamente [1] pro alto/ por alto [2 1]
breve [1] brevemente [1] em breve [1]
certo [110] certamente [7] ao certo [1]
claro [18] claramente [1] às claras/ em claro [2 2]
igual [3] igualmente [1] por igual [1]
leve [1] levemente [1] de leve [4]
primeiro [152] primeiramente [12] de primeiro [2]
[1291] somente [26] a sós [1]
vivo [1] ao vivo [5]
fino [1] em finas [1]
completamente [19] por completo [2]
comumente [1] em comum [3]
especialmente [6] em especial [2]
extremamente [3] ao extremo [1]
geralmente [70] em geral [18]
imediatamente [7] de imediato [5]
novamente [49] de novo [132]
ultimamente [11] por último [22]
a fundo [1]
de perto [1]
em branco [2]
em público [1]
em vão [2]
atual [1] atualmente [10]
automático [1] automaticamente [3]
considerável [1] consideravelmente [1]
desesperado [4] desesperadamente [1]
detalhado [2] detalhadamente [1]
direto [33] diretamente [9]
evidente [1] evidentemente [1]
exato [2] exatamente [61]
fácil [1] facilmente [2]
feliz [3] felizmente [3]
firme [1] firmemente [1]
frio [2] friamente [1]
junto [88] juntamente [7]
livre [1] livremente [1]
lógico [10] logicamente [3]
normal [3] normalmente [26]
óbvio [1] obviamente [4]
particular [1] particularmente [4]
posterior [1] posteriormente [2]
pronto [116] prontamente [5]
rápido [34] rapidamente [13]
separado [3] separadamente [1]
sossegado [1] sossegadamente [1]
tranqüilo [1] tranqüilamente [7]
alegre [1]
animado [1]
apressado [1]
baixo [3]
barato [2]
bastante [53]
bom [192]
bonito [5]
caro [1]
cheio [2]
consciente [1]
direito [81]
disparado [1]
distinto [1]
duro [2]
errado [4]
escondido [9]
espantado [1]
feio [1]
fixo [1]
forte [5]
grosso [2]
inclusive [67]
incontrolável [1]
incrível [1]
indolor [1]
interessado [1]
legal [72]
ligeiro [1]
médio [1]
meio [129]
mesmo [557]
mole [1]
muito [1533]
ótimo [7]
pequeno [3]
perfeito [1]
picado [1]
próximo [34]
quieto [2]
reto [1]
ruim [3]
segundo [1]
solto [1]
sozinho [40]
todo [167]
tudo [6]
abertamente [1]
absolutamente [3]
acidentalmente [1]
adequadamente [1]
afirmativamente [1]
agradávelmente [1]
alucinadamente [1]
amigavelmente [1]
antecipadamente [1]
anteriormente [9]
antigamente [33]
aparentemente [5]
aproximadamente [9]
assumiadamente [1]
atentamente [1]
ativamente [1]
basicamente [15]
brilhantemente [1]
burramente [1]
cientificamente [1]
conseqüentemente [2]
constantemente [1]
corretamente [6]
criticamente [1]
cruamente [1]
definitivamente [2]
devidamente [2]
diariamente [1]
diferentemente [1]
dificilmente [6]
dignamente [2]
disfarçadamente [1]
drasticamente [1]
economicamente [2]
educadamente [1]
efetivamente [1]
equivocadamente [1]
esmeradamente [1]
especificamente [6]
espiritualmente [2]
espontaneamente [1]
esporadicamente [1]
estritamente [1]
estupidamente [1]
eticamente [1]
excepcionalmente [1]
excessivamente [1]
exclusivamente [2]
fielmente [1]
finalmente [14]
fisicamente [4]
fluentemente [1]
freüentemente [3]
futuramente [6]
gravemente [3]
honestamente [2]
impecavelmente [1]
inadvertidamente [1]
inconscientemente [1]
indiscriminadamente [1]
infelizmente [26]
informalmente [1]
ingenuamente [2]
inicialmente [2]
injustamente [1]
insatisfatoriamente [1]
insistentemente [1]
inteiramente [1]
intimamente [1]
invariavelmente [2]
justamente [34]
literariamente [1]
liturgicamente [1]
manualmente [2]
merecidamente [1]
meticulosamente [1]
naturalmente [9]
necessariamente [4]
nitidamente [2]
objetivamente [1]
otimisticamente [1]
passivamente [1]
pausadamente [2]
periodicamente [1]
pessoalmente [3]
plenamente [3]
politicamente [4]
pontualmente [1]
possivelmente [2]
praticamente [31]
precisamente [3]
preferencialmente [2]
previamente [4]
principalmente [72]
profissionalmente [2]
profundamente [5]
proporcionalmente [1]
propositalmente [1]
propriamente [9]
provavelmente [5]
provisoriamente [1]
radicalmente [4]
raramente [5]
razoavelmente [3]
realmente [156]
recentemente [10]
relativamente [13]
repentinamente [1]
respectivamente [1]
satisfatoriamente [2]
sexualmente [1]
simplesmente [17]
sinceramente [5]
subitamente [1]
sucessivamente [1]
sumariamente [1]
superficialmente [1]
surpreendentemente [1]
timidamente [1]
tipicamente [1]
torrencialmente [1]
totalmente [72]
urgentemente [1]
verdadeiramente [2]
voluntariamente [1]
voluntariosamente [1]

Full Text


  • E: é:: me diz o seu nome...
    I: André...
    E: e::... aonde você estuda?
    I: na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro...
    E: e:: qual curso você faz?
    I: desenho industrial...
    E: em que período você está ?
    I: formando...
    E: é::?
    I: no último...
    E: e são o quê? são oito?
    I: são oito períodos...
    E: e::... André... eu queria que ago/... agora que você me contasse uma história... que tenha acontecido com você... e que você tenha achado engraçada... ou triste... ou constrangedora...
    I: bem... ah:: o fato engraçado foi a partir da data de hoje... né? seis de agosto de mil novecentos e noventa e três... é que eu cheguei em torno de::... nove horas no::... no meu antigo estágio... na Light... que é na Presidente Vargas... meia quatro dois... décimo quarto andar... e:: chegando lá... como... entrou um novo estagiário por... eu ter saído... entrou esse novo estagiário... e ele era:: ele era crente... e eu não sabia o cara era crente... e o sobrenome do cara era Arruda... e:: quando vieram sacanagem lá... porque:: na sala... uma vírgula é um pala/ é porra... porra é uma vírgula lá... então... então começou aquela sacanagem toda “é::... não sei quê... formando... não sei quê... convites... ba ba bá...” e eu sacaneando o cara... (falaram) assim... “é::... ele entrou novo estagiário” eu falei “pô... qual o (nome)?” “ah:: o nome dele é Arruda... André...” eu falei “ih... arruda é pra tirar olho grande...” aí o cara... sério... “arruda nada... eu sou cristão... não acredito em nada disso...” não sei quê... aí o pessoal sacaneou... e tem uma Áurea... que é uma baixinha... gordinha... que também é:: designer ((riso)) ela é baixinha eela é [a:muito] sacana...então (nessa) sacanagem dela... o cara/ começou a sacanear o cara... aí o cara foi ficando mais puto... quer dizer... de um fato engraçado começou um fato/ saiu pra um constrangedor... que ela foi ficando tão/ o cara ficou tão puto... que chegou uma certa hora que::... ela parou... aí o pessoal começou todo mundo a rir... nesse negócio de rir... tudo mais... o cara/isso aconteceu [a:mesmo] ((riso)) o cara estava numa cadeira... no alto... né? roda... assim a cadeira... e:: o cara/ não sei se ele estava (com) raiva... eu sei que o cara escorregou... quase caiu da cadeira... quando caiu todo mundo... “qua:: qua qua qua quá... viu?está precisando de arruda [a:mesmo] ... está precisando de despa::cho...” aí o cara foi ficando puto... e o meu supervisor é uma pessoa super séria... e eu era um cara engraçado... e esse é um cara sério... e o supervisor é o Nelson... um cara super extrovertido... que sacaneia muito... então o cara entrou ali... estava tipo assim (há) uns dois meses... o cara está perdidinho ((riso)) então o outro cara está naquela sacanagem toda... “aí:: não sei quê...” e o meu clima de serviço sempre foi assim... foi muito sacanagem... muita brincadeira... a saudade que está de eu voltar a trabalhar como desenhista... na Light... é isso... porque:: foi um ambiente super agradável... não teve nada daquela ambiçã/ aquela coisa de... de você querer puxar o tapete do outro pra conseguir galgar... um certo cargo... não tinha isso... lá... por ser estatal... não tinha essas ambições... então... todo mundo era um ambiente super agradável... de bricadeira... a história engraçada foi essa...

  • E: e:: agora eu queria que você me contasse uma história... que você não tenha vivenciado... alguém te contou... e você achou engraçada... triste... ou constrangedora...
    I: bem... o fato mais chato que não aconteceu comigo mas aconteceu com um grupo de amigos... que eu faço academia... há:: o que? há um mês atrás... então o pessoal... numa sexta-feira... todo mundo “ah:: uma cervejinha... (vamos beber) uma cervejinha... vamos fazer um churrasquinho” e tal... tal... tal...todo mundo [a:muito] alegre... [a:muito] brincalhão...e eu fui pra::/ saí da academia... comi o churrasco... bebi a cerveja... e fui pra casa... e eles saíram dali e foram para um::... um bairro... chama Jesuítas... entendeu? e lá eles começaram a beber beber beber beber... eu encontrei com eles depois... ( ) assim... numa altura de quarenta minutos a uma hora... depois... nesse Jesuítas... eu continuei lá bebendo... conversando e tal... mas eu fui com o meu carro... e eu continuei... continuei no local... e eles quiseram ir embora... e isso era em torno de:: umas seis pessoas... numa caminhonete... não foi nem Pampa... caminhonete... foi numa caminhonete branca...e o cara... já estava [a:meio] doidão...foi dirigindo e tal... esse rapaz... pulando em cima da caminhonete... sentou... naquela parte do lado:: direito... a caminhonete de frente... né? tem o lado direito... ele sentou... segurou assim e sentado... quer dizer... as costas... virada pra rua... né? então de frente pro outro lado... dentro da caminhonete... pra você entender [o que eu estou falando... né?]
    I: [ahn... ahn... estou...]
    I: e aquilo... brincadeira... tal... eu sei que:: o cara fre/ o rapaz que estava guiando a caminhonete... freou... e ele caiu... quando ele caiu... a caminhonete/ eles continuaram pensando que era brincadeira do cara... [a:só] que ( ) foram “ué... ele não veio atrás?não veio atrás? pensei que ele vinha andando” não sei quê... ta ta ta tá... frearam e voltaram... quando voltaram o cara estava desmaiado... com uma poça de sangue em volta... uma coisa horrível... o que aconteceu? essa história foi tão:: assim...que eu continuando no Jesuítas não sabia o que estava acontecendo... [a:simplesmente] esse fato/ levaram pro hospital... o hospital não teve condições... teve que (transferir ele) pro Galeão... ele ficou internado... foi pro CTI... mas já está bem... que essa semana eu já encontrei ele na academia ((riso)) mas teve que/ uma cicatriz horrível... tirou::/ fez exa::mes... tudo... mas (tal)... deu tudo normal... mas é um fato que eu não quero que aconteça... graças a Deus eu não vi... nem quero... nem longe acontecendo comigo ((riso))
    E: nossa... pensei que ele tinha morrido [quando você/]
    I: [não::... não... também não foi tão drama assim... né? isso é drama pra novela das oito ((riso de E))

  • E: André... eu queria agora que você me descrevesse... o local onde você mais gosta de ficar na sua casa...
    I: minha sala ((riso))
    E: como é que é a sua sala?
    I: bem... a minha sala eu falo porque::... como os meus dois irmãos casaram... todos os dois irmãos quiseram copiar... um pouco assim eh::... o desenho do móvel da s/ da onde fica/ a localização... da/ que nós fizemos na minha casa... em alvenaria... então tem um cantinho... que tem uma luminária... que já foi feita pra/ aquele cantinho pra inverno... pra frio... então ele é gostoso... então pra você ler um livro... você:: ouvir um walkman... passar uma revista... ou então até você ( ) assim... você está num cantinho tão gostoso... que todo mundo chega... vai e procura o cantinho... e meus dois irmãos quando casaram tentaram copiar esse cantinho ((riso)) mas não conseguiram... agora descrevendo os móveis... da::... da sala... eu/ contém um bar... na minha alvenaria... eh::... uma poltrona... em alvenaria... uma:: estante... embutida na parede... não se tem tapete por causa da minha alergia ((riso)) não tem... eh:: cortina... porque usa persiana por causa da minha alergia... porque meu irmão mais velho é/ tem sinusite... o outro tem bronquite... e eu tenho rinite alérgica... e meu pai e minha mãe não têm alergia nenhuma ((riso)) é até uma coisa estranha... e:: tem a televisão... que tem a televisão... o vídeo-cassete... entendeu?uns vasos [a:só] decoração... uma cristaleira antiga pra dar o rústico e o clássico... e mais nada... bem::... ah... um ventilador de pá... bem decorativo... bem espalhafatoso... com três luminárias assim... mas o mais gostoso da sala é o meu canto... aquele canti::nho... aquela poltrona gostosa... aquele travesseiro... aquela luminária... onde eu estudo... onde eu me divirto... é onde a sa/... eu considero a sala também porque é onde você recebe as pessoas... é onde você tem o prazer de conviver com as pessoas... por uma:: visita... ou um... ou um::... não sei... até um aniversário... né? ( ) é:: como diz... é onde que você faz tu/ questão de estar sempre aquilo bem arrumado pra...aparentar pras pessoas que a casa está ((riso)) [a:toda] arrumadinha...o quarto é onde se esconde... fecha a porta... onde guarda as coisas... mal organizada... então:: onde eu gosto é a minha sala...
    E: uhn... uhn... e as cores? como é que são as cores?
    I: as cores são... padrão... é:: verde... tons terras... o padrão é tons terras... então é... castor... um tom de... caramelo... castor... bege... tudo assim... o piso... os estofados... entende? tudo nesse tipo assim... nada de:: preto...branco [a:só] a parede... mas agora pra um tom de gelo...tudo bem cores assim suaves... não são nada... fortes... sabe? nada [a:muito] gritante... em termos assim... preto... vermelho... nada disso... todo coisas bem suaves... o móvel também marrom... queé tudo nesse estilo... marrom... verde... musgo... tudo nos tons terra [a:mesmo] ...

  • E: e:: agora eu queria que você me... me dissesse... alguma coisa que você sabe fazer... ou que você... goste de fazer... e como é que se faz isso...
    I: bem...o que eu mais gosto de fazer [a:mesmo] ...que eu... como diz... [s:eu] sei [v:fazer] [a:perfeito] é o strogonof... mas o meu strogonof não é aquele que todo mundo/ aquele padrão... que eu não gosto de receita...eu gosto de seguir é... a prova... a prova é... [a:primeiro] ... o que eu mais gosto é o do camarão... né? então... pra quem... sabe como é feito um bom strogonof... compra o camarão:: limpa o camarão... põe o camarão... boto cebola... pimentão... tomate... cozinho ele... deixo ele cozinhar um pouquinho assim... tipo assim deixo fritar um pouquinho... com cebola... tomate e pimentão... deixo ele cozinhar um pouco... assim fritar um pouquinho ele... com um pouquinho de ó::leo... um pouquinho de a::lho... entendeu? deixar... passou um tempinho... eu boto um pouquinho d’água... aí deixo cozinhando ele... ele está cozinhando... aí eu bot/... entro com... ervilha... que é o petit pois... o milho... que eu adoro... o palmito... e o cogumelo... eu ponho tudo isso... quando está colocando isso com um pouco d’água... o que que eu faço? eu pego o creme de leite... que já deixou ( ) na geladeira... tiro o soro... coloco na panela o creme de leite... cozinho... ponho em fogo brando... pra ele ficar mais gostosinho... vejo se está bom de sal... porqueeu não gosto de colocar sal antes de provar... [a:mesmo] que ele esteja sem sal nenhum... você prova... porque entra o alho... entra um pouquinho... sabe? entra ( ) pode ter um pouquinho de sal... eu gosto de provar... prova... se o sal estiver::/ aí sempre falta um pouco de sal... ponho o sal a gosto... aí pego... massa de tomate... coloco... e misturo... então ele fica... rosadinho... como se fosse uma::/ como é que o nome daquele negócio? ô meu Deus... eu estou esquecendo...
    E: molho rosé...
    I: ( )molho rosé... mas [a:só] que não é com maionese... é no caso com creme de leite... ele fica bem rosadinho... e com tudo que eu adoro... né? que eu adoro palmito... adoro cogumelo... adoro pimentão... tomate... cebola... e eu gosto de botar bastante quantidade... eu gosto de ver aquilo encorpado... de você pegar não é aquele caldo ralo não... é pegar aquilo “pô... que milho...” que eu adoro milho... então... pô... tem milho... tem ervilha... tem cogumelo... tem palmito... eu gosto de comer assim... com arroz branco...e uma salada de batata... porque [a:ultimamente] eu estou preferindo por causa do meu regime((riso)) uma salada... cozinhar... cortar... descascar batata... corta ela... num tamanho assim mais ou menos... de uns três centímetros... mais ou menos o tamanho dela... cozinha... com água e sal... escoa essa batata... pega a cebola... pica bem... pega a salsinha... que eu adoro... lava... pica bem a salsinha... pega um pouco daquele:: chamado alho com:: um pouco do sal... que virou o chamado salho... não esses comprados feitos... eu falo salho porque eu estou dando uma referência... você pega... pica um pouquinho assim na sala/ em cima da batata e mistura toda ela... uhn:: fica uma delícia... você pode até querer botar um pouquinho de vina::gre... um pouquinho de azeite... entendeu? fica uma delícia... é uma saladinha ( ) de batata com arroz branco... com esse strogonof... não há quem resista ((riso))
    E: da próxima vez que você fizer você me chama... tá?
    I: obrigado ((riso))

  • E: e... agora eu queria que você me dissesse a sua opinião... ou sobre a situação política... econômica... ou da educação no Brasil...
    I: sobre a situação política... econômica ou situ/ ou?
    E: da educação...
    I: bem... eu acho que a gente pode/ entãoeu acho que o básico [a:mesmo] ... eu acho que a educação ela vem... você pode ser até meio/eu estou sendo até [a:meio] grosseiro... radical...mas eu acho que a educação... qualquer problema... social... que possa vir...tem que resolver [a:primeiro] o econômico... se você não resolver o problema da dívida interna... o problema de dívida externa... não resolver problemas ( ) como diz... é o primeiro ponto a atingir o governo... economia... dinheiro... financeiro... se você não atingir... como você pode dar educação a um povo? como você pode dar escola se você não tem dinheiro para construir uma escola? como você pode... é::... dar alimento à criança... que é a parte da educação... nessa chamado CIEPS... que eu não gosto nem um pouco... porque eu acho que CIEP e CIAC foram projetos... é:: como diz... querem dar projetos revolucionários para educação num país que eu acho que você podia pegar um prédio velho... reformar e manter... o fator histórico... o fator... o fator... educacional... investir o tempo que ia gastar num novo projeto... investir em professores... em educação... se investisse mais nesta parte... então já é um grande bem... então eu acho que tudo é economia... tudo é dinheiro... a gente não pode atingi/ falar sobre o problema social se a gente não/ “ah::... o país tem/ os velhos estão morrendo... assim... assim...” está morrendo por quê? muitos deles ficam em fila de aposentado... por que fila de aposentado? pra ganhar o dinheiro... e quanto ganha? é pouco... é uma miséria... então se a gente for pensar em todos os casos... a gente volta no econômico...então agora [a:mesmo] eu passo por um problema que você tipo assim... você entra na universidade... tremenda esperança... você... entra:: como todo o universitário... você tem uma esperança sobre a universidade que ela te dá... você entra... você gosta... que tem muita gente que desiste no meio do caminho... mas eu não... graças a Deus... adoro...amo de paixão o que faço... [a:só] que quando você chega na sua formatura... eu acho que o maior presente que possam te dar é um emprego... mas pra te dar esse emprego... o governo tem que resolver o problema econômico do país... por exemplo... tra/ fiz estágio na Light... que é uma empresa do governo... onde a minha chefe da divisão... chefe do departamento... veio parabenizar... e dissseram-me “eu preciso de você... nós precisamos de desenhistas industriais... o famoso designer” porque a nível de terceiro grau... que é uma profissão pouco::... como posso falar? pouco::... reconhecida... no mercado brasileiro...na Europa já é uma coisa [a:muito] antiga...mas aqui no Brasil... é a coisa ... ainda [a:muito] nova... as pessoas não têm noção ainda... pensam que desenhista industrial é um arquiteto... então o que aconteceu? “eu preciso de você... só... que” aí “o governo não está admitindo ninguém... as empresas estatais estão fechadas pra tudo...” aí você fica “pô...gostam tanto de mim... gostam... adoram... [a:só] que não podem fazer nada” ( ) o que? econômico... o governo está sem o dinheiro de investir... em empresa... no caso do governo... ne/ na... nas própria empresas... do qual... ele próprio... pelos roubos que estão tendo... ele está vendendo as empresas... pra cobrir certas dívidas... no caso da Light... ele deve ( )o governo federal está devendo... [a:só] dos planos Bresser... Collor...e tudo mais... em torno de trezentos e cinqüen/ trezentos e oitenta e cinco... milhões de dólares... e a dívida da Light é quatrocentos e oitenta e cinco milhões de dólares... então...tem um projeto... [a:muito] bonito da Light... [a:só] que... por falta de investimento... falta de verba... que é o dinheiro... o que pode fazer? não pode fazer nada... então o quadro da Light... como qualquer outra empresa... está precisando mudar... o país precisa mudar...
    E: é::...então [a:só] pra terminar aqui... porque a fita acabou...
    I: pra concluir todo o meu pensamen::to ((riso)) econômico... é:: como eu posso dizer? então eu acho que...pra [v:resumir] tudo... é [a:novamente] ... tem que resolver o problema econômico... pra resolver o econômico resolve todo o problema social... já dizia o plano do:: Sarney... quer dizer... “tudo pelo social...” que no final ele não resolveu o social po::rra nenhuma... né? mas... eu quero falar do econômico... o econômico é o fundamental... é a raiz... o::/ de tudo... de todos os problema do país... esse negócio do::/ como diz? você lança um plano econômico... e no final... no dia seguinte... lança tre::ze vírgula meio por cento o combustível aumenta... aumentando o combustível... aumenta... gás de cozinha... ba ba ba ba ba ba ba ba bá... eu falo gás de cozinha por quê? porque pra lá não se tem ainda gás encanado é tudo... botijão... treze quilos... e::... e eu falo de... eh:: coisa econômica porque eu vivo num bairro... da Zona Oeste... onde eu/ como diz?eu via dois mundos... [a:totalmente] diferentes... era morar em Santa Cruz... estudar na Gávea ... então eu enfrentava pa/... é:: via pobreza... pegava ( ) ônibus cheio... saltava na PUC...outro mundo [a:totalmente] di/ diferente... onde tinha gente que:: chegava com carro com motorista... (não é contra) isso ... se (foi) uma luta... dos pais da pessoa por ter carro com motorista... tem mais é que aplaudir... se ele lutou... se ele trabalhou... se ele é empresário... e mereceu aquilo... tudo bem... agora o caso é que eu acho que:: nós deveríamos... tirar um pouco da gente... um pouco que eu falo é uma crítica... quando eu cito crítica... não é crítica:: de zombar... é crítica construtiva... alertar as pessoas... as que não tenham cultura... e as próprias a que tenham... é:: tentar resolver a/ o/ eh:: a economia desse país... tentar desenvolver um plano entre patrão... e empregado... está ganhando pouco... eu não posso pagar... então vamos acertar de uma forma... onde que o governo entre com isso... e possa acertar... não é ser... da boca pra fora... e sim de um fator que seje verdadeiro... seje real... o fa/ u::ma coisa que aconteça... e nesse país existe muito papo... não existe nada de real... você se forma... você não tem esperança nenhuma... você enfia o canudo sabe Deus lá onde... que não precisa dizer o quê... que não precisa colocar isso... né? (( riso)) embaixo do braço... e:: não/ e não tem emprego... então você luta... luta... luta... você estuda tanto... você tem tanta cultura... você absorve tanta coisa... você fala línguas estrangeiras... você faz isso... faz aquilo... e no final das contas... você fica um desempregado... fica à mercê de uma sociedade... onde uma cu/ eh... uma cúpula/ onde o poder mantém nessa cúpula... tipo assim... se eu tenho dinheiro... eu sou um empresário... eu vou ajudar o cara? ele pode até ter valor... mas o problema é dele... eu vou ajudar meu irm/ meu filho... meu irmão... um tio... um parente... não interessa... entendeu? se o cara tem valor ou não... então seu valor perante/ que é dado... de tanto você estudar... é jogado de rio abaixo... então eu acho que a gente deve fazer/ as pessoas que tem classe média... média...que tem classe média baixa... ou se possível que/ [a:lógico] ... o rico ele não está nem aí pro pobre... mas ele necessita do pobre para sobreviver... que o que seria o empresário sem o empregado? que seria o empregado sem o empresário?então ( ) [a:bom] ... que um desses precisa do outro...mas [a:só] que... sempre... como eu digo... é::... um quer dizer que não precisa do outro... quer dizer... o rico sempre diz que não precisa do pobre... ele precisa para sobreviver... se (não) fosse isso... como seria o país sem o/ sem o empregado... né? então o que eu falo... o que eu quero dizer... é até um alerta... se::/ para as pessoas... passarem isso pra frente... tentar:: ajudar a... a construir melhor esse país...porque acima de tudo... [a:mesmo] essa::... essa:: realidade que eu falo que é o país... eu tenho uma palavra que é a esperança... e a esperança pra mim é a última que morre... é um ditado antigo... mas eu acho que pra mim ele funciona... eu acho que nada como trezentos e sessenta e cinco dias que se acaba... e nasce um novo ano... um novo dia... então eu acho que é perante esse novo dia... esse novo ano que a gente tem que re/ reaver a esperança e torcer... que esse país possa ter...um governo digno... que:: atinja de primeira mão... ao lado econômico... e acho que partindo disso a gente vai [v:ter] o resto... [a:tranqüilo] ...pra gente ter dias melhores... né? de comida... carro...diversão... porque tudo isso é secundário... é:: em termos de diversão... eu acho que isso é um/ é/ é educa/ educação... economia... atrás vem educação... porque a educação de um povo... ele vai interrogar o governo “quem é você?” “o que você está fazendo?” por isso que o político sobe favela ((riso)) na época de ( ) porque ele... não tem... não tem cultura... não tem informação...então [s:ele] [v:ilude] mais [a:rápido] ...então... [v:enrola] mais [a:rápido] ...então você tendo informação... tendo/ dando educação... a ba/ resolvendo partes da economia... quer dizer... acertando as escolas... investido na parte tecnológi/... tecnológica... na parte de saúde e tudo... então isso resolve... então o primeiro passo... economia... segundo... educação... terceiro... saúde... você ten/ ganhando bem... você pode dar uma boa educação ao seu filho... e tendo... bons:: hospitais para qualquer problema de saúde...ele poder ti/ consertar seu ( ) físico... até mental ... até [a:mesmo] espiritual... que você chega num lugar... que ele te rece/ receba bem... que você está bem... está gostando daquilo que você faz...então ele está... satisfeito [a:espiritualmente] ... então você/economia... a educação e saúde ( ) [s:o governo] [v:atingir] ... [p:de] [a:imediato] ... o Brasil chega lá... mas pra::... haver isso... tem que ter uma conscientiz/ tem que se haver uma consciência... uma consciência... política... econômica... que tem que saber o que que é política... o que que é a política pra s/ pra gente entender melhor... é:: assim... perguntar... você foi eleito? você foi eleito? você foi / porque o elei/ ele foi eleito pelo povo? ele não está representado o povo? então se ele está representando o povo... então ele assuma o seu papel... de ser/ de ser represenante do povo fazer pelo povo... saneamento básico... educação... saúde... tentar resolver isso... isso é o principal... então eu acho... que nós temos que se:: mover de alguma forma... e a única forma que eu vejo... já que nós pelo menos... tipo assim... nós temos (uma certa)/ como diz? nós somos zero vírgula::... três por cento... eu acho que... da população... que nós chegamos à universidade... chegamos a se formar... então... tentar passar isso pras outras pessoas... por isso que eu... meu ponto básico... é esse... é... economia...resolver a economia que o resto a gente resolve...
    E: obrigada... André...
    I: (esse obrigado)
Parte oral
1993
  • “furo” com o Arruda.No dia 06/08/93, eu, o André dos Santos Moreira, fui rever as pessoas do estagio, do qual trabalhei na empresa Light na função de programador visual por 1 ano e 2 meses, e lá ao chegar, já havia um novo estagiário, mas na parte de administração de empresa, e eu sem saber quem era o rapaz, meu antigo supervisor começou a sacaniar o estagiário falando assim: “olha o arruda aí André” e eu “arruda que eu saiba é [a:só] pra tirar olho grande”,pois na verdade o sobrenome dele [a:mesmo] era arruda, e era crente de uma dessas igrejas evangélicas que tem por aí.(06/08/93)
  • No dia 16/7/93 eu estava malhando na academia, que logo após o términohaveria um churrasco e umas cervejas, [a:só] que essas cervejas eram várias caixas, e todo o pessoal encheu a cara, e foram parar num bairro próximo que se chama Jesuítas, e lá beberam mais.Nesse trajeto entre a academia e o bairro Jesuítas,eu fui [a:primeiro] para minha casa tomar um banhoe um amigo me seguiu, esperou para juntos irmos para Jesuítas.E lá ao chegar já haviam bebido 21 cervejas o pessoal da academia, pois eu e meu amigo iníciamos a beber, passou certas horas e uma parte do grupo quis voltar para o bairro onde mora, que é Santa Cruz, [a:só] que o carro em que eles voltaram é uma caminhonete, e um amigo meu chamado Jardel, que estava sentado na parte traseira deste carro caiu dele e bateu a cabeça no asfalto, tiveram que levar para um hospital próximo que não adiantou e teve que ser transferido para o hospital do Galeão, onde ficou e passa bem.(07/08/93).
  • A parte da minha casa em que mais gosto é a sala-de-estar, pois é nela que se tem um cantinho e uma luminária que é ideal para se ler um livro, assistir um filme etc.É neste cantinho do qual faz parte a poltrona que é toda em alvenaria, que compõe também a sala;um bar em alvenaria, uma estante embutida feita de madeira, uma cristaleira clássica para contrastar o rústico, um ventilador de pá com luminária que é a salvação no verão, uma televisão e um vídeo que nos dístrai com notícias vindas do mundo inteiro, e também, na sala-de-estar é que se recebe as visitas, que confratermiza em épocas de festas etc.(07/08/93).
  • Uma das coisas em que mais gosto de fazer é um bom strogonof, pois me distrai fazendo e é uma delícia, já que para mim é o prato predileto, e a receita é fácil basta colocar numa panela 500 gs de carne picada com bastante cebola, tomate e pimentão com pouquinho de água, alho e sal, logo após milho, palmito picado, cogumelos, ervilhas;tudo na medida do qual achar melhor, pega-se depois a lata do creme de leite que já estará na geladeira retirando-se o soro, e colocando toda a quantidade do creme na panela, misturando tudo, pois se notar que ficou grosso o caldo, coloca-se mais água e prove, caso falte sal ou qualquer outro ingrediente, basta acrescentar ao seu gosto, não esquecendo de colocar azeite e massa de tomate,e é [a:só] abaixar o fogo e deixar cozinhar por um tempo, até em que a carne e os outros ingredientes estejam moles, pois aí está um delicioso prato (08/08/93).
  • A situação econômica do qual o país passa é desesperadoura, pois você vê de tudo nele: mortes, fome, miséria, desemprego etc;e o ponto para resolver tudo isso é arrumar a economia do país, pagando as dívidas externas e acertando a política.Pois [a:só] um país arrumado [a:politicamente] sem conchavos, crimes do colarinho branco etc;fará com que o Brasil se torne uma grande nação respeitada por todo o mundo, e partindo desta política econômica, [v:atingir] [p:de] [a:imediato] à saúde, a educação e à moradia é o objetivo ideal de um país que preten ser vitorioso.(09/08/93).
Parte escrita
1993

  • E: diz pra mim o seu nome... aonde você estuda... qual o curso que você faz e em que período você está...
    I: meu nome é Daniel... eu estudo na PUC... faço desenho industrial e estou no:: nono período...
    E: você se forma esse ano?
    I: me formo no final do ano... se tudo correr bem ((riso de E))
    E: e::... Dani... conta pra mim uma história... que você tenha achado/ uma história que tenha acontecido com você... que você tenha achado ou engraçada... ou triste... ou constrangedora...
    I: tem que responder agora? ((riso)) engraçadão... pô... no dia que teve a formatura do meu primo quando ele... terminou... o segundo grau... a gente foi pra festa e::... tinha uma porção de amigo nosso na festa... aí a gente bebeu pra caramba ((riso)) aí saiu da festa/ quando acabou a gente saiu da festa... foi pra um outro bar... ainda... lá em Botafogo... aí terminamos a noite... a gente pegou o carro pra voltar pra::... pra casa... aí eu alucinado... pô... vim alucinado com o carro... aí no meio do Rebouças... aí bati num Voyage ((riso)) perdi a direção do carro e fui raspando o carro pelo paredão do túnel assim... uns cem metros... aí eu parei o carro e pô... a garota que estava comigo... desesperada... que a foligem tinha ( ) crioula... assim legal ((riso)) aí eu tentei sair com o carro não tinha jeito... o carro quebrou tudo... aí... pô... saltei do carro pra... pedir ajuda... né? aí eu comecei a andar... aí na minha frente ((riso)) tinha um... um Voyage parado... batido também... aí eu fui conversar com os caras do carro... né? pô... vem ((riso)) eu doidão... não me lembrava de nada da batida mais... aí eu cheguei pros caras e perguntei “pô... cara... tu bateu com o carro aqui também? que coincidência...” aí o cara veio pra cima de mim... querer me bater... aí ((riso)) aí era um coroa já... o cara estava saindo da mesma festa que a gente... aí... a esposa dele... pô... segurou o cara... pô ((riso)) aí/ mas... teve mais coisa ainda... que a gente sa/ aí eu voltei pro meu carro... né? aí chamei o meu primo pra gente telefonar pra:: pra casa... pra alguém chamar o reboque... né? aí a gente continuou andando... aí foi... por entre os túneis... né? e ali/ pô...a gente ligou... [a:só] que ali tem um baile funk... aí... pô... a gente arrumado... de blazer... gravata... e os crioulos do baile ((riso)) começaram a juntar a maior muvuca assim... né? na porta do baile e a gente em frente assim... né? ao negócio... aí... pô... daqui a pouco um negão lá gritou ...pô “pega os mauricinhos... pega os mau” ((riso)) aí a gente saiu correndo... cara... aí... pô... entrou na entrada errada... em vez de pegar pra dentro do túnel a gente pegou como se estivesse indo pro outro lado... aí teve que passar pelo matagal ainda ((riso)) o maior desastre... aí minha mãe chegou... com o reboque... aí eu fui pra casa ((riso))
    E: [a:só] isso? I: só...

  • E: e::/
    I: agora... espera aí... deixa eu pensar mais um pouco... o próximo...
    E: eu queria que você contasse pra mim agora... uma história que alguém tenha te contado... que você não tenha vivenciado... e:: que tenha achado... ou engraçada... ou triste... ou constrangedora...
    I: pô... um amigo meu... o Alexandre/ tem um mês... tem um mês isso... saiu... né? com a namorada dele... e mais uns amigos... aí... pô... eles foram pra uma festa... aí a festa acabou cedo... era duas horas... eles... eles saíram da festa... e ele deixou a namorada dele em casa... e foi com os amigos dele pra uma outra festa ainda... de um:: amigo dele do colégio... aí eles chegaram na festa quase três horas... tinha acabado já::... a cerveja... tinha acabado a bebida toda... né? e os caras na... na maior pilha ainda... querendo beber... não sei o quê... aí os/ o dono da festa falou pra eles irem comprar mais que ele dava até o dinheiro... aí eles pegaram os ((riso)) os cascos... né? o engradado de cerveja... e... desceram... pegou/ o Alexandre pegou o carro dele e foi... comprar cerveja... aí estava descendo pela Conde de Bonfim... né? e ia dobrar... numa rua à esquerda... que era contramão ((riso)) pra ir no/ na... na padaria que estava aberto lá pra comprar cerveja... no bar que estava aberto pra comprar cerveja... aí ele... pô... ligou a seta... reduziu... quando ele virou pra esquerda pra cruzar a Conde de Bonfim... vinha um táxi... ((interrupção de colega de trabalho)) vinha um táxi correndo pra caramba... e bateu... na porta dele... do lado dele assim... acabou o carro... pô... ele se machucou na cara... cortou a cara... entrou vidro dentro do olho dele...mas não chegou a se... a se [v:ferir] [a:gravemente] não... foi [a:só] assim [a:leve] ... né?e pô:: o mais engraçado é que ele saltou do carro... pô... putão... e o motorista do táxi tranqüilíssimo... ligando já pra::/ pegou o rádio lá que tem no táxi e ligando lá pra Central... pediu reboque e não sei o quê... não deu nem atenção pra ele... aí pararam ((riso)) parou uma porção de tá::xi... aí os caras do táxi começaram a arrumar confusão... com ele... pô... ele falou que... os caras do táxi falando pra ele assim “pô...ninguém vai pagar teu prejuízo [a:mesmo] ... sai fora” ((riso)) e::...e não pagaram [a:mesmo] não... o cara/ veio a polícia... registraram a ocorrência... o próprio policial falou que não adiantava nada que...entrar na justiça... demora anos... e [a:dificilmente] a empresa de táxi vai pagar...você [a:só] leva prejuízo... e... e o carro dele acabou... o seguro... deu perda total no carro dele ((riso)) se ferrou...
    E: mas ele também estava errado... né? entrar na contramão...
    I: não... ele estava errado... mas o táxi veio cortando pela contramão também... o cara do táxi que estava mais errado do que ele ainda... e tanto o policial falou que o cara/ele tinha toda chance de ganhar no tribunal... [a:só] que... pô... ia demorar anose::... no final a companhia ainda ia recorrer... se bobear ne... nem pagava... daí como o carro dele está no se/ estava no seguro... ele não/ acabou não entrando pra Justiça... deixou pra lá... aí a seguradora essa semana deu perda total no carro dele ((riso))

  • E: e::... Dani agora... conta pra mim/ ((riso)) descreve pra mim... o:: lugar onde você mais gosta de ficar...
    I: o lugar que eu mais gosto de ficar? é::/ pô... o lugar que eu mais gosto de ficar é no meu apartamento lá no Recreio... descrever o quê? como assim?
    E: como é que ele é?
    I: pô ((riso)) é um apartamento legal... meu pai comprou... pra mim e pro meu irmão... é pequeno... não é grande... tem dois quartos... está sendo decorado ainda... não terminou ((riso)) a decoração.... e::... pô... o que que tu quer saber? eu não sei...
    E: ah... como é a parede ((riso de I)) como é o chão... o que que tem de:: de móveis... e tal...
    I: a parede ((riso)) as paredes todas são... brancas... pô... o chão é de tábua corrida... tem uma passagem assim maneira da cozinha pra sala... com um balcãozinho... que a gente vai fazer um bar ali... e pô... a decoração estão comprando todos os móveis lá na Tok & Stok... estou gastando a maior grana ((riso)) mas tá ficando legal... minha mãe me ajuda também... dá uns toques lá... que ela... gosta desses negócios de decoração... e é ( ) eu gosto de lá... tem um sonzinho... não tem televisão... nem computador ((riso)) não tem cama também... [a:só] tem uma cama de casal((riso)) e o colchão... colchão tem... e aí? mais o quê? ((latido de cachorro))
    E: o que mais? [você que me diz... ué...]
    I: [o que mais ( ) quer saber?] pô ((riso)) ah... sei lá... pô... o que que tu quer saber?
    E: ah... tá bom assim [a:mesmo] ...
    I: não... fala aí... fala que eu digo... (que eu) não sei ((riso))
    E: sei lá... o sofá:: ((risos))
    I: [a:só] tem sofá... não tem mais nadana sala também... está meio precá/ ah... não... tem mesa... está [a:meio] precário ainda... mas está melhorando... tem ventilador nos quartos já... que não tinha... no teto... botou o lustre na sala também... você não viu ainda... né?
    E: não ((risos))
    I: [a:só] isso... não tem mais nada...tem geladeira... fogão... apartamento normal ((risos)) não tem microondas...
    E: ah:: que pena ((riso))

  • E: e::... me diz o que que você mais gosta de fazer... e me explica como é que se faz isso...
    I: pô... o que eu mais gosto de fazer é jogar sueca...
    E: como é que se joga?
    I: pô... sueca... pô... é um jogo de cartas... você joga com um baralho do::... do::... do::/ caramba... quais são as cartas? do:: do sete ao/ não... sem o oito... o nove e o dez... baralho completo... sem o oito... o nove e o dez... é... ah... e o ás é a carta que vale mais... seguida do sete... o:: rei... valete... dama...e os números não valem pontuação... [a:só] valem/ não fazem ponto... não valem nada... e::... joga sempre em duas duplas... uma contra a outra... né? e:: ((riso)) um naipe e o: cara que distribui a... a carta... eles... puxam a... carta de cima do baralho ou a de baixo... é o naipe que fica sendo o trunfo... o trunfo serve pra... quando você não tiver a carta do naipe que está na mesa... você corta o::/ corta o jogo... e sueca ela é legal porque você rouba pra caramba... entendeu? [a:só] não pode deixar a dupla adversária perceber((riso)) aí... pô... quando tem o maior jogão na mesa... um ás... um sete...pô... você [a:só] tem uma carta do naipe... você... pode blefar... pode renunciar... e corta o jogo... aí... pô... [a:normalmente] a dupla adversária não percebe... no final do jogo esqueceu já... e ((riso)) (não se dá) conta que tu está roubando pra caramba... tem outras maneiras de roubar também... tem um amigo meu que... pô...puxa a carta que já saiu e [v:joga] [p:de] [a:novo] ((riso))
    E: ninguém percebe também?
    I: ninguém percebe... ele vai arrumando as cartas e deixa sempre uma carta alta... em cima do bolo que está embaixo já...aí puxa/ mas isso [a:só] quando neguinho já está [a:muito] bêbado também... porque... pô... jogo com todo mundo sem estar bebendo... não dá pra roubar muito porque... uma hora alguém percebe ((riso)) ainda mais roubando assim... renunciando não... renunciando tu pode renunciar à vontade que... uma vez ou outra assim só... que eu::/ a outra dupla percebe... e sueca é divertido por causa disso... né? uma dupla perde... aí entra outra... e... sempre fica::/ eu sempre fico na mesa... porque eu sempre ganho no jogo...
    E: sempre rouba... né? ((latido de cachorro))
    I: jogo pra caramba ((riso))
    E: rouba pra caramba...
    I: eu hoje faço dupla com meu primo... meu primo joga também todo dia na faculdade... aí a gente está imbatível... ninguém mais ganha da gente ((riso)) já temos toda a sinalização... quando ele sai com o ás do trunfo ele já sinaliza... quando ele/ ((riso)) quando eu posso j/ quando ele está com o ás... por exemplo... o cara que joga... antes dele... jogou uma carta de um naipe que não foi o ás... aí ele já sinaliza pra mim quando ele tem o ás... aí eu já sei que eu posso jogar uma carta alta... que a ( ) ((riso))...o jogo é nosso [a:mesmo] ...
    E: bom saber disso... quando eu jogar com você ((risos))
    I: mais o quê? acho que é isso sueca... né?
    E: uhn... uhn...

  • E: e::... Dani agora::... me diz a sua opinião ((risos)) ou sobre a situação política... ou econômica... ou da educação no Brasil...
    I: qualquer uma? eu escolho uma [ou tenho que falar das três?]
    E: [não... escolhe uma...]
    I: pô... eu vou falar então ((riso)) da situação... econômica do Brasil... o Brasil... pô...primeiro mundo... uma super potência... está [a:muito] rico((riso)) eu estou abrindo um escritório agora com três sócios... estou ganhando fortunas de dinheiro assim... vou ficar milionário em um ano ((riso)) não... a situação econômica no Brasil está pior do que::... do que nunca... nunca esteve tão ruim assim... a inflação está aumentando... pô... esse governo é uma porcaria... eu acho que devia ter sido eleito um outro governo... porque esse daí não/esse Itamar é:: brincadeira... é [a:muito] ruim...não está:: conseguindo nada [a:mesmo] ... o cara não tem a menor noção do que ele tinha que estar fazendolá...é uma anta [a:completa] ... e [a:totalmente] desespera/ despreparado pra ser presidente... depois... não tem o menor controle mais sobre a economia... a inflação voltou a aumentar... os... pô... empresários não:: tem nem/ não sabem nem o que fazer... porque o cara não define um plano... econômico pro país...depois... isso é [a:muito] ruim... porque se tivesse um plano já definido... até investimentos estrangeiros podiam vir pro::... pro Brasil... né? o Brasil é apontado hoje em dia no mundo inteiro como um dos piores lugares no mundo pra você investir... investir::/ fazer um investimento... né? as pessoas preferem investir até na África... pô... no/ na Ásia do que investir no Brasil... o que não era... na década de setenta o Brasil era apontado pelos Estados Unidos como o país mais promissor do mundo pra::/ pros americanos investirem no exterior... né? hoje em dia não...hoje em dia... o Brasil é apontado como um dos piores... [a:só] perde pra Iugoslávia que está em guerra civil((riso)) pra Etiópia... [a:só] perde pra coisa assim...até o::/ até Paraguai... Uruguai... assim... Bolívia... eu li uma reportagem que... pô... todos os países da América Latina tão melh/ são... apontados na frente do Brasil pra... pra... quando o americano vai fazer investimento... em outro país... e além do mais esse Itamar quer vo/ fazer voltar o Fusquinha que é um/ ((riso)) é uma carroça...é uma coisa [a:totalmente] assim fora de época...
    E: já reservou o seu? ((riso))
    I: não... e aí? mais o quê?
    E: [a:só] isso...
    I: mas ( ) continua falando?
    E: se você quiser ((riso))
    I: sei lá... falar mais o quê? não sei...e pô... e está duro [a:mesmo] ... porque a gente/ o que eu falei é verdade... a gente está abrindo um escritório... e pô...tudo é [a:muito] difícil no Brasil... pra você conseguir fazer qualquer coisa... tem a maior burocracia...as pessoas não estimulam você a fazer nada [a:mesmo] ... né?parece que querem que você fique em casa assim dormindo e não produza nada... porque... qualquer coisa que você vai fazer você morre numa grana... tem que pagar::... extra por fora... cada vez pior essa porcaria... não vai melhorar nunca ((riso))
    E: [a:bom] ... então obrigada... tá?Dani....
    I: de nada... quando precisar...
    E: disponha ((riso))
Parte oral
1993
  • No final de 1991 meu primo André se formou no 2o grau e a sua festa de formatura foi no Círculo Militar.Durante a festa eu ele e um amigo nosso, o Marcelo, bebemos todas eno final da festa nós estávamos [a:bastante] alcoolizados.Depois da festa nós fomos no meu carro para uma choperia em Botafogo para tomar a saideira [a:junto] com a Andréia que veio com a gente.Depois do bar, nós resolvemos ir para casa, no Grajaú.Eu peguei o carro e fui dirigindo [a:alucinadamente] até que no Rebouças, um Voyage surgiu na minha frente e eu não pude desviar.Depois da batida eu perdi a direção do carro e ele foi se arrastando uns cem metros pelo paredão do túnel.A Andréia que estava do meu lado e com o vidro aberto, ficou desesperada, porque além do nervosismo da batida, a fuligem e a sujeira do paredão voou toda na cara dela eela estava [a:toda] preta.Ela começou a gritar para eu tirar o carro dali e ir embora, [a:só] que o carro não andava de jeito nenhum.Depois de várias tentativas eu saí do carro para pedir socorro e comecei a andar pelo túnel, mais na frente eu encontrei um carro parado e fui conversar com seu motorista: - E aí você bateu também?E o cara veio para cima de mim reclamando: - Pô meu camarada você que bateu no meu carro!Vendo que eu ia me dar mal eu comecei a andar de volta para o outro lado do túnel e fui com meu primo ligar para casa em um orelhão que tem entre os túneis.Assim que eu terminei de falar no telefoneeu reparei num pessoal [a:meio] estranho que estava saindo de um baile Funk do outro lado da rua.Nós todos estávamos bem vestidos, de blazer, gravata, sapato e calça sociais elogo eu percebi que a gente ia se [v:dar] mal [p:de] [a:novo] .Foi [a:só] eu pensar isso que um negão gritou: - Vamos pegar os mauricinhos!A gente saiu correndo, pegamos a passagem errada e tivemos que descer por um matagal até conseguir voltar para o túnel.Ao [v:chegar] [p:de] [a:novo] ao carro, o reboque já tinha chegadoe [a:rapidamente] o carro [v:foi rebocado] .Logo depois meus pais chegaram e levou a gente para casa.A Andréa quando chegou em casa, às oito horas da manhã, encontrou o pai dela já acordado, e ele não acreditou no que estava vendo: - Minha filha você está preta!- É eu bati de carro.- O que você bateu com o meu carro!- Não pai foi o Daniel que bateu com o carro dele.- Ah bom!Vai tomar banho e durmir.
  • Meu amigo Alexandre tinha saído para uma festa [a:junto] com dois amigos e a namorada.A festa terminou às duas,ele deixou a namorada em casa e [a:junto] com os dois camaradas foi outra festa do pessoal que estudava com ele no 2o grau.Quando ele chegou na festa a cerveja já tinha acabado e o Alexandre teve que comprar mais cerveja.Ele pegou o carro e começou a descer a Conde de Bonfim na Tijuca ao chegar na rua que ele ia comprar a cerveja ele reduziu a velocidade ligou a seta e dobrou cruzando a pista da esquerda.Assim que o carro começou a cruzar a pista um táxi veio pela contra-mão correndo muito e bateu na porta do Alexandre.O vidro da porta estorou e voou na cara dele, [s:ele] não se [v:machucou] [a:seriamente] mas a sua cara ficou [a:toda] cheia de sangue.Logo após a batida começou a juntar um monte de motoristas de táxi querendo intimidar o Alexandre, até que chegou um carro da polícia.Os policiais falaram que o motorista de táxi estava errado mas que não valia a pena discutir porque [a:dificilmente] as companhias de táxi pagam alguma coisa.Como o carro do Alexandre estava no seguro ele resolveu [a:mesmo] não discutir e deixou o motorista do táxi rebocar o carro embora.Semana passada a oficina da seguradora enviou o laudo para o Alexandre, seu carro vai pro ferro velho, a seguradora deu perda total.
  • O lugar que mais gosto é o meu apartamento no Recreio, ele não é grande, tem uma suíte, um quarto, mais uma sala, cozinha e banheiro de empregada, não tem quarto de empregada.O apartamento é [a:bastante] novo, tem pouco mais de um ano, suas paredes são todas pintadas de branco e o piso da sala e dos quartos é de tábua corrida.Toda a decoração sou eu quem está fazendo, e eu acho que está ficando legal apesar da grana que meu pai está gastando, os móveis são todos da Tok Stok, as luminárias são todas com lâmpadas dicroicas, etc.Lá não tem ainda televisão, mas já tem um som legalzinho.Eu não tenho usado muito o apartamento agora, eu o uso mais para fazer pequenas reuniões com meus amigos da PUC.A última coisa que a gente colocou lá foram ventiladores de teto nos dois quartos.
  • A sueca é um jogo de cartas para ser jogado por duas duplas.O baralho não é completo, são retirados o oito, o nove e o dez.A carta que mais vale pontos é o az seguida pelo sete, rei, valete e dama.O dois, o três, o quatro, o cinco e o seis não valem pontos.Os jogadores de uma das duplas embaralham e cortam o monte de cartas e um dos jogadores da outra dupla distribui as cartas.Este jogador virará a primeira ou a última carta do monte e o naipe desta carta será o trunfo.O trunfo serve para cortar o jogo que está na mesa,mas [a:só] pode ser usado quando o jogador não tiver nenhuma carta do naipeque está sendo jogado.Os jogadores podem roubar e cortar com um trunfo um jogo [a:mesmo] que ele tenha o naipe, mas se a outra dupla perceber o jogo acaba, isto se chama renúncia.Existem outras maneiras de se roubar na sueca,quando [s:as duplas] [v:jogam] sempre [a:juntas] , e os parceiros podem combinar diversos sinais para avisar quando o jogo está bom ou não, quando o az de trunfo está com ele, quando o parceiro pode jogar qualquer carta que o jogo já está ganho, etc.
  • Neste momento o Brasil atravessa a maior de todas as crises econômicas pelas quais já passou.Apesar da economia estar demonstrando uma pequena melhoria nos últimos meses,a inflação assim como o desemprego continuam [a:muito] altosmostrando que o país não se recuperou da devastação do governo Collor.O país perdeu dez anos em relação ao seu desenvolvimento, existem alguns setores da economia que na última década reduziu suas atividades.Isto num país cuja população não para de crescer tem efeitos catastróficos.Hoje em em dia eu vejo queuma pessoa entrando no mercado de trabalho tem [a:muito] menos chances de conseguir um resultado satisfatório do que meus pais tiveram a trinta anos atrás na década de sessenta.Não é nada agradável saber que a gente vai ter que trabalhar muito para ganhar um mínimo para poder [v:viver] [a:razoavelmente] .
Parte escrita
1993

  • I: [a:bom] ... meu nome é Érica...
    E: você estuda aonde e faz [que curso?]
    I: [eu...] eu estudo na PUC:: desenho industrial...
    E: qual período que você está?
    I: eu estou no sétimo período...
    E: eh:: Érica... eu queria que você me contasse uma história que tenha acontecido com você que você tenha achado engraça::da... tris::te... ou constrangedora...
    I: eh:: tem u... uma coisa que...não sei se foi [a:exatamente] engraçada... mas foi uma coisa que me surpreendeu... e:: uma coisa que me levou a rir... no dia seguinte... ou no mesmo dia... né? que eu tinha um seminário pra apresentar na faculdade... tinha uma matéria chamada::... análise de texto acadêmico... e::... eu ia falar sobre::... mitos... alguma coisa ligada a mito... e eu não tinha/ estava sem tempo de preparar esse seminário... e:: tinha/eu tinha uma:: parceira de grupo também... [a:muito] falante... mas também estava sem tempo pra preparar... o seminário... e eu sei que a gente tinha umas duas ou três semanas pra:: preparar e... nada... na véspera eu falo com ela no telefone e pergunto “Ana Paula... você preparou alguma coisa?” ela falou “não... mas pode deixar que eu estou lendo agora o texto...” ((riso)) eu falei “não... então eu também vou ler agora o texto e vamos ver... se a gente consegue adiar... pro dia seguinte...” aí... mal eu terminei de ler/ terminei de ler o texto no dia seguinte de manhã... ela também... aí a gente chegou lá... não houve jeito de adiar... o seminário... aí a gente começou a apresentar... e:: Ana Paula ela tem assim/ ela fala... muito... eela tem um... poder de persuasão assim [a:muito] grande... então a gente começou a falar:: e começou a ter participação da... da sala... né? do pessoal... dos alu/ dos outros alunos... e da professora também... e eu sei queno final a professora virou pra gente e deu parabéns porque o trabalho foi [a:muito] bem feito((riso)) que a gente devia... escrever sobre o assunto que a gente estava falando... que foi assim o:: melhor seminário... e a gente tirou dez ((risos)) foi uma coisa que::/ depois a gente riu muito porque a gente não tinha preparado nada... né?
    E:fez em cima da hora e... [v:deu] [a:certo] ...
    I: em cima da hora...

  • E: e::... agora eu queria que você contasse pra mim... uma história que alguém tenha te contado... você não estivesse presente... alguém te contou depois... que você achou engraçada... ou triste... ou constrangedora...
    I: eu vou contar uma história triste... eh::... o:: meu marido tem um amigo... que::... ele era:: esportista... acho que ele era nadador... profissional... e ele/ apareceu um::... um... negócio nas costas dele que ele não sabia o que que era... aí ele foi ao médico... aí o médico olhou e falou que era uma doença lá... alguma coisa que ele ia ter que o/ eh... fazer uma cirurgia... e era uma cirurgia simples... mas que não tinha ainda na época uma tecnologia... que pudesse::/ que ele pudesse fazer essa cirurgia no Brasil... então ele ia ter que ir à França...e o médico dele foi à França... [a:justamente] por causa dele... que era um caso raro... e:: o/ quem ia operar ia ser o próprio médico dele... mas orientado por uma equipe francesa... então o médico dele foi primeiro... e::eles estudaram o caso lá desse rapaz... eh::... [a:só] que o médico teve que voltar antes... e depois ia(m) retornar à França com o rapaz pra cirurgia... aí esse rapaz foi ao consultório do médico... assim que:: o médico chegou no Brasil... e o médico falou que não... que ia tentar fazer a cirurgia aqui... e já não deixou ele sair... ir pra casa... mas ele falo/ e o rapaz falou “não... mas... não era pra gente fazer a cirurgia lá:: com a equipe?” ele falou “não... não... eu já aprendi tudo com eles... eu vou fazer a cirurgia” aí o rapaz... na ingenuidade dele... deixou... aí:: eu sei que o rapaz foi pra lá dirigindo... né? fez a cirurgia... e:: ficou paralítico... eh:: o médico/ a família nem processou o médico... mas era um caso de processo porque a/ quem/ a equipe/ tinha que ser feito em equipe... e a equipe era/ estava na França... e:: o rapaz ficou paralítico... quer dizer o lado... o lado bom é que hoje ele é campeão... de:: natação... né? de:: paraplégicos... já foi à olimpíada e tudo... tem um monte de medalha... quer dizer... isso não/ ele não parou de nadar por causa disso... levou adiante... mas hoje está numa cadeira de roda... né?
    E: quem te contou essa história?
    I: foi::... foi o meu marido ou foi um amigo do::/ um outro amigo dele...

  • E: e::.. agora eu queria que você descrevesse pra mim... como... como é que é... o::... o lugar onde você mais gosta de ficar na sua casa...
    I:é aqui [a:mesmo] onde eu estou((riso))
    E: na sala?
    I: na sala... nessa cadeira...
    E: então me descreve como é que é a sua sala...
    I: minha sala não tem muitos móveis... a gente... tem um te/tem um/ uma televisão... tem um aparelho de som... tem vídeo... ah... não... tem a rede também... (fico) entre a rede e essa cadeira aqui... eh::... a cadeira é o melhor lugar pra estudar... a rede é o melhor lugar pra ver televisão... não tem nada em volta... tem uma mesinha pequena... uma luminária de pé... uma televisão que fica no carrinho porque a gente pode levar... pra qualquer canto da casa... agora a melhor coisa é ficar sentada nessa cadeira escutando música com... com a luz da luminária na metade ((riso)) à meia luz... ou então na rede... escutando música...

  • E: e::... agora eu queria que você::... me dissesse como é que se faz alguma coisa que você sabe fazer... alguma comida... que você sabe fa/ cozinhar... ou algum jogo que você sabe jogar...
    I: é::... descrever um processo?
    E: uhn... uhn...
    I: ah... cozinhar... eu gosto de cozinhar mas vou falar outra coisa mais... assim... que eu dou aula de arte... pra criança... né? posso ensinar a fazer uma florzinha?
    E: pode... se não for difícil...
    I: não... é mais fácil do que... falar de/ comidaé mais difícil de... de explicar por etapa... [a:bom] ... eh::... eu sei fazer uma florzinha de papel crepom... por exemplo... que a gente fez no dia das mães... você:: escolhe umas duas cores de papel... duas cores contrastantes... e corta um::/ uma tira de uns::... trinta centímetros por::... cinco ou seis... de cada cor... eh::...um palitinho de churrasco cortado ao meio ou então um palitinho [a:mesmo] de:: pirulito... durex... ah...e papel crepom verde também pra fazer as/a folhinha... [a:bom] ... você vai franzir essa tira colorida...pra fazer a pétala...você pode cortar... em formatos diferentes... né? a tira... ou deixar inteirinha [a:mesmo] ... [a:só] franzir... em volta do palito...aí você segura... pega outra cor... e vai franzindo por fora... em volta do... do que você já franziu antes... eh::... aí você prende com o durex... no palito... aí passa... papel crepom verde... a tirinha de papel crepom verde... em volta do palitinho... com cola... prende embaixo... corta uma folhinha verde... prende no palitinho... a folhi/ a florzinha está pronta... se quiser fazer um miolinho... você faz uma bolinha... de papel crepom de qualquer cor... cola no meio... aí pode botar purpuri::na... qualquer coisa dessa... aí está pronta a florzinha...

  • E: e::... agora eu queria que você me dissesse... qual é a sua opinião... ou sobre a situação política... ou da economia... ou da educação no Brasil...
    I: eh::... deixa eu falar da educação... a educação está indo de:: mal a pior ((riso)) eu acho que está todo mundo vendo... né? eh::... os estudantes estão sem dinheiro pra pagar a faculdade... a faculdade está sem dinheiro pra manter a instituição... os professores estão recebendo mal... estão ganhando mal... eh::... tem muitos centros acadêmicos que estão fechando... ou estão... so/ eh::... sofrendo uma ameaça... né? como é o:: Centro Tecnológico da PUC que::... sempre foi o maior do... do Rio de Janeiro... um dos maiores do Brasil...está [a:completamente] sem verba e ameaçado de fechar até o final do ano... quer dizer... se uma:: universidade do porte da PUC... está passando por isso... imagina as federais... em que estado não... estão.... né?não [a:só] ::... a nível do... do... do sistema [a:mesmo] acadêmico.... como:: os prédios... a manutenção dos pré::dios... imagina como (não) estejam... se a PUC já não tem sabonete nos banheiros ((riso)) nem papel higiênico... imagina as federais... e::... é uma coisa que estou percebendo...que não está [a:só] a nível de... de::/ nível universitário...nos próprios colégios [a:mesmo] ... eh::... a remuneração dos professores é [a:muito] baixa... e:: os pais estão cada vez com menos condições de pagar o curso pros filhos... muitas crianças estão... passando pro sistema público... que não tem condições... eh::... de::... ter tantos alunos... já não tem condições de manter os alunos... que não podem pagar... escola particular... quanto mais esses que estão saindo das escolas particulares... né?eu acho que a tendência agora é [a:só] piorar... não sei a... a que ponto nós vamos chegar... mas é uma coisa que me preocupa muito... que daqui a alguns anosvai ser [a:praticamente] impossível você entrar numa faculdade... a não ser que seja federal... [a:mesmo] assim... que tipo de ensino a federal vai poder... eh::... oferecer daqui a alguns anos... também?e é isso... eu acho que é no momento... é::... é o que mais me preocupa... acho que política ((riso)) nunca esteve em ordem... né? acho que... política no Brasil sempre foi... eh::... cheia de altos e baixos... mais baixos... do que altos... e é uma situação que se mantém há tanto tempo que não tem nenhuma... novidade não ((riso))
    E: então tá... obrigada Érica...
    I: de nada...
Parte oral
1993
  • Aconteceu uma coisa comigo uma vez, que eu não sei bem se é engraçado, mas foi pelo menos inesperado: Eu tinha que apresentar um seminário, não me lembro bem de que, com uma amiga, numa aula de análise de texto acadêmico.Acontece que nem eu, nem ela, tínhamos tempo para preparar o tal seminário,e [a:só] fomos ler o texto do assunto na noite anterior.No dia seguinte eu estava nervosa e ela nem tanto.Tentamos adiar a apresentação mas não teve jeito, tivemos que apresentar.A minha amiga fala bastante e [a:muito] bem, e nós tínhamos certo conhecimento do assunto, então aconteceu que o seminário foi super polêmico e [s:todos os outros alunos] [v:participaram] [a:interessados] .No final a professora elogiou muito o nosso trabalho, dizendo que deveríamos escrever sobre o assunto, e nós acabamos tirando um dez!
  • Não sei se eu me lembro bem dessa história.Meu marido tem um amigo que era campeão de natação, tinha várias medalhas, era um atleta.Um dia surgiu um caroço, ou qualquer coisa parecida, nas suas costas, ele foi ao médico.O caso era simples porque o caroço ainda estava pequeno, mas não existia ainda tecnologia para este tipo de cirurgia no Brasil.O médico estava sendo treinado por uma equipe francesa para realizar este tipo de cirurgia.Ele foi a França com o médico e o caso foi analisado pelos médicos de lá.Decidiram que toda a equipe iria participar da operação, que eu não lembro se ia ser lá ou aqui.Eles voltaram ao Brasil, e uma outra vez o rapaz foi ao hospital falar com o médico e este resolveu fazer a cirurgia sozinho, porque ele já tinha aprendido tudo com os franceses.Então ele fez a operação no rapaz e errou, ele ficou paralítico.A família, apesar de ter ficado chocada, não processou o médico.Hoje o rapaz ainda é um atleta e já participou das olimpíadas para deficientes físicos.
  • O lugar que mais gosto de ficar é a sala, sentada nesta cadeira preta, escutando música, ou então na rede.A sala não tem muitos móveis, [a:só] uma rede, uma mesinha de metal preta, uma cadeira de couro e madeira, quatro de metal preto que [a:geralmente] ficam fechadase esta cadeira que eu gosto.Tem também um aparelho de som, uma televisão e um carrinho de televisão.Tem vídeo e uma estante de madeira baixa, com dois porta retratos e um vasinho de louça.Tem também uma bicicleta ergométrica e um monte de caixas.O chão é de taco e não tem tapete.
  • Pra fazer uma flor, precisamos de duas cores de papel crepom, para as pétalas, papel crepom verde, para as folhas, um palito de pirulito ou de churrasco cortado ao meio, durex, cola e tesoura. [a:Primeiro] a gente corta as pétalas, feitas de tiras de mais ou menos 5cm.Fica mais bonito se as pontinhas do pedaço de crepom for picotada ou cortada em forma de pétalas.Passa-se cola no palito e então enrola-se uma tirinha fina de papel verde para fazer o caule.Aí, então, é [a:só] sanfonar, franzir as tiras coloridas numa extremidade do palitopara fazer as pétalas que vão ser presas ao palito com durex.Depois é [a:só] colar um pedaço de papel verde no formato de folha no palito, e se quiser, pode amassar um pedacinho de papel colorido e colar entre as pétalas para fazer o miolo.
  • O problema da educação está piorando cada vez mais.Daqui a pouco ninguém mais vai poder cursar faculdade, porque as mensalidades estão altas demais.As universidades públicas não tem verba e estão caindo aos pedaços, além dos professores quase não darem aulas, e as particulares, cobram um absurdo de mensalidades e, nem por isso, oferecem melhores condições ao alunos e professores.Os professores reclamam o salário baixo de um lado e os alunos reclamam as altas mensalidades do outro.As crianças que estudavam em escolas particulares estão passando para as públicas, que já não tinham condições de atender às crianças carentes.Se as coisas continuarem assim ninguém mais vai estudar nesse país.
Parte escrita
1993

  • E: me diz o seu nome... [eh:: aonde/]
    I: [Jorge Luiz /]
    E: seu nome...
    I: Jorge Luiz...
    E: aonde você estuda?
    I: Universidade Gama Filho...
    E: qual o curso que você faz e em qual período você está...
    I: ciências econômicas... sétimo...
    E: é:: Jorge... eu queria então agora que você me contasse uma história que tenha acontecido com você... e que você tenha achado... engraçada ou triste ou constrangedora....
    I: pô... foi engraçado... entendeu? o problema todo aconteceu o seguinte... num determinado dia... eu saí... com a minha namorada... fomos... saímos... dançamos... nos divertimos à noite... aí quando nós fomos... passar para a segunda etapa... do plano... eu reconheci um carro ((riso)) mais adiante entendeu? aí quando... olhei assim... fui encostando o carro atrás... do outro carro... aí que eu percebi... que o carro era conhecido... aí quando eu fui olhar... era a minha irmã ((riso de E)) dentro do carro... aí eu fiquei naquela situação assim constrangedora... não porque::/ não tinha nada a ver... já era noiva...já estava para casar... entendeu? [a:só] que... nessa etapa... ele ainda não era meu cunhado... ele tinha reparado... o meu carro... entendeu? aí eu estava na dúvida se ele estava com a minha irmã... ou se era outra... garota qualquer... aí eu... caí na asneira... de falar assim “pô... esse cara é o maior...” pensei mil coisas... né? aí na hora que eu desci do carro... para olhar... aí eu fui ver era a minha irmã... aí ela me olhou com aquela cara de assustada ((risos)) aí “boa noite...”fiquei [a:muito] sem graça...entrei no carro... fiquei parado... ( ) esperando...
    E: mas vocês se encontraram ainda na estrada? [no caminho? den/]
    I: [não::...] na entrada do motel... pô... na fila indiana... aquela filinha para entrar... aí então o que aconteceu? aí... eu desci do carro... né? para ver... se ele estava traindo a minha irmã... né? que é aquilo... né? todas as mulheres são safadinhas... né? me::nos as irmãs da gente... então isso aí serve para mostrar pra gente que isso não tem nada a ver... aí eu... podia imaginar que fosse qualquer mulher... menos a minha irmã ((riso de E))pode não ser assim [a:muito] engraçado... mas na hora...
    E: não... imagina... que isso?espera aí... deixa eu [a:só] virar...((a fita cassete))

  • E: Jorge... me conta uma história que alguém tenha te contado... que você não estivesse presente... que você tenha achado ou engraçada... triste... ou então constrangedora...
    I: eu vou contar uma história triste... eu tinha um/ quando eu estudava no segundo grau... quando eu fiz meu segundo grau... ali na Escola Estadual Antonio Prado Júnior... na Praça da Bandeira... eu tinha dois amigos... um era o Jucinei... e o outro era o Paulo... passado muito tempo... nós acabamos o segundo grau... cada um entrou pra uma faculdade...aí nunca mais nós nos vimos... [a:só] que o Paulo era um cara [a:meio] doidão... entendeu?era envolvido com... negócio de tó::xico... esses negócios... eu e o Jucinei tentávamos muito... ver se tirava ele de::ssa... porque eu achava que::... ele era/ não tinha nada a ver com aquilo... entendeu? que ele tinha nascido pra outras coisas... aí depois/ o Jucinei mora... perto da minha rua... mora/ eu moro na Pereira Soares... ele mora na Gonzaga Bastos... aí nós sempre continuamos em contato... aí passado um tempo... muito tempo depois... eu encontrei com o Jucinei... foi até na::/ tinha/ quando tinha a... Robin Hood... a antiga Robin Hood... no Alto... aí nós começamos a conversar:: e ficamos lembrando das coisas que tinham acontecido... né? aí foi quando ele me falou que... que esse amigo nosso... o Paulo... tinham matado ele... entendeu? porque ele tinha envol/ ficado envolvido com negócio de tráfico de dro::gas... entendeu?aí não deu pra ele sair fo::ra... ficou [a:muito] enrola::do... [a:inclusive] ele/ o pai dele era até policial... entendeu? aí foi isso...eu achei que foi [a:muito] triste pra mim... entendeu? porque eu não achava que ele/ não tinha nada a ver com esses negócios... entendeu? apesar de...apesar dele ser assim [a:meio] malucão::...eu achava que era aquilo era mais do meio onde é que ele... estava vivendo... entendeu? porque ele estava convivendo com pessoas assim que não... que não prestavam... entendeu? porque ele... morava perto de morro assim::... aí foi isso... ele foi se envolvendo... se envolvendo... foi se envolvendo... aí quando ele quis sair... já era tarde de demais... aí o Nei... veio me falar isso... essa notícia aí... que era meio/ pode não ser... ser tão triste... entendeu? pra quem ouve assim... mas...pra mim foi [a:muito] doloroso porque... afinal de contas... foram três anos juntos... né?você conhecendo a pessoa bem... no fundo [a:mesmo] ... e... vendo que vo/ tudo/ todos os seus esforços foram inúteis... pra ver se o cara... saía daquilo... que aquilo... entendeu? a gente orientava ele... nós orientávamos... conversávamos muito...mas ele/ parece que foi [p:em] [a:vão] ... né?aí então/ isso aí ficou mais de... lembrança pra mim também... uma lembrança triste... entendeu? que eu procuro sempre passar pras pessoas... entendeu? que eu vejo assim... que não estão numa bo::a... que estão saindo da realida::de... buscando outras coisas que não tem nada a ver... então n/ isso aí ficou mais como uma experiência... que eu procuro sempre... entendeu? passar agora... pros outros... porque eu acho que... a droga é uma droga... né? então... a pessoa tem que viver de bem com a vida... entendeu? curtir bastante... aproveitar bastante...porque a gente [a:só] tem uma vida... depois que [v:acaba] [a:pronto] ... aí foi isso aí...
    E: tá... obrigada...
    I: nada...

  • E: Jorge... eu queria que você me... me descrevesse... e me dissesse como é que é o lu/ o:: local onde você mais gosta de ficar... na sua casa...
    I: pô... minha casa... é uma casa... mais ou menos grande... são... quatro quartos... mas sem dúvida nenhuma o local que eu mais gosto de ficar é no meu quarto... né?:: meu quarto é o paraíso... entendeu? se você entrar você vai até tomar um susto... não é aquele quarto... exuberante... [a:todo] arrumado...quarto de homem... sabe como é que é... né? roupa pra um lado... roupa pro outro... mas lá... lá eu estou no meu canto... entendeu? estou no meu sossego... ninguém me perturba... eu fecho a porta... botei uma placa “stop... não entre” cheio de... adesivos na parede... lá que eu busco minhas reflexões... entendeu?quando eu estou assim [a:meio] preocupado...às vezes eu estou assim de saco cheio [a:mesmo] ... estressado aí eu não quero sair... não quero conversar com ninguém::... aí sen::to... fico lendo uns li::vros... assisto um filme... alguma coisa... meu quarto assim é::... o lugar onde é que eu mais gosto de ficar... é um quarto comum... vou descrever pra você... você pediu para eu descrever... né? é um quarto de pi::so ((riso)) antes era uma cama beliche... aí meu irmão mais velho casou... eu tirei a cama beliche... ficou com a cama de baixo... deixa eu ver... meu lençol é azulzinho... minha mãe... vire e mexe está trocando... né?minha mãe é [a:muito] vaidosa... é uma pessoa [a:muito] vaidosa... [a:muito] ... cuidadosa...e o meu quarto tem um sério problema... quando eu saio ele está uma zona... e quando eu chego ele se torna uma zona... porque minha mãe tem aquele trabalho todo de arrumar o quarto e quando eu chego volta aquela bagunça toda... deixa eu ver o que que tem mais no meu quarto... tem uma televisão... tem um vídeo... tem uma estante... tem uma escrivaninha... tem uma porção de tênis com chulé ((risos)) que eu ainda não tive a oportunidade de comprar o tênis Baruel... [a:só] isso...

  • E: e::... então agora eu queria que você... me dissesse... alguma coisa que você::... sabe fazer e:: me explicasse como é que se faz isso...
    I: você queria que eu te explicasse alguma coisa que eu sei fazer? olha... eu sou um cara que eu... gosto muito de estudar... sou um cara estudioso... entendeu? masa coisa que eu mais gosto de fazer [a:mesmo] eu acho que não vai dar pra você aprender não... vou até::/ posso até tentar te explicar...
    E: ah... mas o que que é?
    I: a coisa que eu mais gosto de fazer... é jogar bola...
    E: mas... assim uma... uma comida que você saiba fazer...
    I: pô.... comida eu sei fazer... pô... acho até que você sabe fazer... macarrão...
    E: então... então me diz... como é que você faz macarrão?
    I: macarrão... a gente bota três/ faz aquela medidinha de água... bota aquele as/ depende de como é que você faz... né?
    E: eu não faço...
    I: você não faz macarrão? você não sabe cozinhar? que é isso? pelo amor de Deus... então deixa eu te falar... meu macarrão é legal... aí... aquele que a gente compra pronto ((riso)) como é que é o nome? Miojo Lamen... então...é [a:só] você botar na agüinha pra ferver... medir aqueles copinho... tem a instrução... tá? no... no pacotinho... aí você bota os três copinhos de água... bota pra ferver...bota aquele pozinho... lá... e [a:pronto] ... está feito o macarrão... não tem mistério...
    E: só?
    I: [a:só] assim que se faz...

  • E: e::... agora eu queria que você me dissesse a sua opinião... ou sobre a situação política... ou a situação econômica... ou da educação aqui no Brasil ...
    I: qualquer uma das três?
    E: qualquer uma ...
    I: qualquer uma das três? eu acho que uma depende da outra... entendeu? porque... o::... o Brasil... no meu ponto de vista... entendeu?o país [a:só] cresce através da educação... entendeu?eu penso assim... então quer dizer... você dando uma prioridade pra... pra educação... a tendência é melhorar mais... entendeu? e as pessoas... como eu posso explicar assim? as pessoas irem... tomando conhecimento mais das coisas... né? porque eu acho que a pior coisa que tem é a pessoa alienada... né? a pessoa que não tem noção de na::da... entendeu? pô... você tira aí por exemplo essa última eleição... nego... estava votando/ pô... as pessoa nem foram votar... muitas nem sabiam o que que era monarquia... o que que era parlamentarismo... o que que é presidencialismo... mas eu... também vejo... assim::...a política como um problema [a:muito] grande no Brasil... sabe?porque... você passa a não ap/ não confiar mais... pô... nos políticos... não é porque eles prometem mundos e fundos não... sabe? porque eles/ não é nem por eles...poderem [v:dar] nada pra você assim [a:diretamente] ...é porque eles... são pessoas... assim... que não transmitem confiança nenhuma... ou seja... estão sempre envolvidas em roubo... falcatruas... botam alguém aqui pela janela... botam alguém por ali... bota pra lá... e você vê que... vai mudando... entendeu? isso é um ciclo... quer dizer... sai um... um cara mal preparado... aí entra o outro mal preparado... e o outro mal preparado... porque... eu acho que o Brasil... de repente... seja um dos países assim que::...a pessoa entra pra política [a:só] por visão de/ “ô... vou entrar para a política... tá? está na hora de eu me estabelecer...” e... entra com esse/ com essa int/ intuição... sabe? não é pra vo/ não é pra um lance de melhorar o Brasil... pô... procurar... melhorar as coisas... ver a dificuldade do povo... ver onde é que está o erro... onde é que está aquilo... e a parte econômica... pô... como eu posso explicar? enquanto o Brasil se encontrar nessa situação de dependência... entendeu? de outros países... essa situação não muda... entendeu? pode até mudar como falam que mudou na Argentina... que mudou no Chile... com a Argentina agora com esse novo plano... entendeu?mas eu acho [a:muito] difícil... [a:muito] difícilporque aqui no Brasil... as pessoas/ os empresários... tá? os empresários assim... pô::... de mais importância... entendeu? até lance de contribuição... pra pagar o governo e fazer... são os próprios deputados... são os próprios políticos... então... isso é que eu estava te falando... só/ é tudo uma... uma coisa ligada a outra... entende? então para você resolver uma coisa... é difícil... entendeu? ea... imagem do político/ do país também está [a:muito] desgastada... entendeu? com esse lance do Collor... com essa máfia toda... da esposa... dessa... baderna toda que eles fizeram... pô...mas eu acho que o Brasil é::... é um país [a:muito] grande... entendeu? pode melhorar...entendeu? eu acho que::... a solução para todo o país... entendeu? é:: exportar mais e importar menos... entendeu? aí você sim... dá uma... contrabalanceada assim na balança e... tentar... tocar o barco pra frente...mas eu acho [a:muito] difícil do Brasil sair (assim)... dessa situação... [a:primeiro] que nós somos ministrados assim... da pior forma possível... não que às vezes as pessoas podem pensar assim “porra... um rapaz novo já está assim desiludido...” não é não... é porque::...a situação agora... é essa... entendeu? pode até ser que melhore [a:mesmo] ...não que nunca vá melhorar... mas...eu acho difícil... e [a:mesmo] porque... pô... ministro aqui é uma coisa que você muda de semana em semana... quer dizer... o cara... não bota nem o plano em::/ nem elaborou o plano já está saindo... e agora o cara vem agora com essa mania/ com esse... com esse negócio agora de cortar os três zeros da moeda... entendeu? [a:primeiro] que o povo... brasileiro... não tem noção nenhuma de quanto vale o dinheiro... entendeu?você vê aí... pô... um litro de leite... dezessete mil... um ônibus... dez mil... de repente a gente nem tem/ nem você... nem eu tenhamos/ assim estejamos tão ligados assim a isso... porque nós não somos pai de família... pô...mas é [a:praticamente] impossível uma pessoa viver... pô... com salário mínimo... ganhar um... aí... um e setecentos... isso não existe... entendeu? então quer dizer... a pessoa perde... a noção do dinheiro... por isso que a gente fala... né? que... pô “compra dólar... compra dólar...” porque eu acho/ no meu modo de ver... a única maneira/ não é nem especulação... não...a única maneira de você ter noção do dinheiro que você tem é você comprando dólar [a:mesmo] ... entendeu?porque nem você aplicando o teu dinheiro... você tem aquela correção... certa... entendeu? porque às vezes você vai lá na poupança... você bota o teu dinheiro... aí nego dá trinta por cento... ( ) trinta por cento... já dá o prazo fixado... trinta por cento vai dar a poupança esse mês... [a:só] que... pô... aqueles trinta por cento... pô não é a realidade... entendeu? de repente uma coisa que você está querendo comprar hoje... uma caneta aqui... que custa trinta cruzeiros... pô... vai botar a inflação trinta por cento... custa trinta e três cruzeiros... não vai estar custando trinta e três cruzeiros... então quer dizer... esse negócio de você botar o dinheiro... pra render... nunca é a mesma coisa...porque... a inflação nunca é a que [a:realmente] eles dão... está sempre acima disso... está acima/ está sempre um patamar à frente... entendeu? então você não tem como controlar as coisas... por isso que eu te falo... então a situação é difícil... então quer dizer... eles falavam em cem dólares... então quer dizer... eles planejam cem dólares... tá? hoje aqui... é abril... nós estamos em abril... vai ter agora... vamos receber o salário mínimo em maio... tudo bem... então quer dizer... em março eles falam “ó... o salário mínimo vai ser cem dólares...” em março? tudo bem... está valendo cem dólares... entendeu? agora quando chegar... em maio... pô... já tem uma defasagem... isso aí já está valendo sessenta dólares... isso permanece... vai permanecendo assim... quer dizer...as pessoas não têm controle de nada... as pessoas aumentam tudo [a:mesmo] ... entendeu?tudo bem que a gente até vive num mundo capitalista... né?e as pessoas visam... o lucro [a:mesmo] ...e:: não quer saber... se bem que... po::xa... no meu modo de vista... no meu modo de::... pensar assim... na minha maneira de ver as coisas... eu acho que isso tinha que te/ tinha que ser um/ tinha que ter um controle mais profundo... entendeu? as pessoas... pô... contribuir... com o que elas devem... tudo quanto é taxa... tudo quanto é imposto... as pesso/ eu acho que as pessoas deviam contribuir... né? mas como::... como a gente pode querer? por exemplo... um comerciário... o cara tem uma loja ... dono de uma Mesbla... por exemplo... a Mesbla está lá... ela paga tudo quanto é imposto... paga imposto sobre... qualquer produto... tenho uma televisão... a Mesbla está vendendo uma televisão... ela paga o ICM... essa televisão está por cem mil... entendeu? aí vem a economia informal... quer dizer... economia informal é tudo aquilo que/ camelô... essas/ nego vendendo picolé... isso tudo é/ sabe? o cara pára em frente à loja... a mesma televisão que ele vende por cem... o cara está vendendo por sessenta... setenta... não tem... pô... então quer dizer... o consumidor não tem nenhum tipo de proteção... e aí é o que eu te falo... como é que o cara vai sobreviver? ele vai vender... três televisões... vai pagar o imposto... e o cara vendendo a televisão ali na frente... o camelô::... vai... vai deitar na sopa... vai rolar... pô... não paga nada... não paga nem imposto... não faz nada... por isso que agora muitos deles até estão bo/ tirando a própria mercadoria da loja... e estão botando no camelô vendendo na própria frente da loja... como se fosse camelô... porque vale mais a pena... entendeu? pro go/ porque o governo... não dá garantia pra ninguém...não é [a:só] aqui não::... não é capital... não é grande metrópole não... é no campo também... teve uma época/ porque eu não vou ficar lembrando a histó::ria “plante que o João garante...” aquilo também... acabou com muitas pessoas... depois veio esse Collor agora... o último... detonou... essa empresa aqui que é onde é que eu... faço o estágio... era... Portobrás... vou te dar um exemplo... era Portobrás... tá? o Collor extingüiu... entendeu? extingüiu... aí passou a se chamar Portos... quer dizer... foram vários funcionários embora... pessoas boas... entendeu? foram mandadas embora... e agora o que que acontece? aqui é...é uma empresa até::... [a:muito] política...então o que quer dizer? é uma cúpula... a pessoa que vem de fora... para entrar... entendeu? não tem como chegar... a não ser que conheça alguém... pô... que o cara vá lá “pô::...” que seja peixada... porque aqui... se você for fazer uma entrevista aqui na empresa... pô... se três não forem conhecidos de alguém... o pai trabalhou... a mãe trabalha no sindicato ou trabalha no portuário... entendeu? você... pode falar... “pô... que é isso? não é assim como ele falou...” mas é... então é o que eu te falo... o Brasil também... é um sistema muito de quem indica... às vezes você sabe... você é uma universitária... você sabe... às vezes a gente se mata... né? estuda... não é? quantas vezes você concorreu ou ainda vai concorrer com pessoas assim::... que sabem menos que você... entendeu? apesar de eu achar que todo bom profissional tem um... tem um lugar no mercado... entendeu?se ele for [a:realmente] um bom profissional... pô... vai ter o lugar dele... mas é... é difícil... é...mas se ele for [a:realmente] bom... ele vai conseguir... [a:só] :: acho que [s:a pessoa] não deve [v:pensar] [a:pequeno] ... entendeu?porque o problema do Brasil é esse... [s:a pessoa] [v:pensar] [a:pequeno] ... então eu acho que é isso... a pessoa deve estar sempre pensando pra frente... entendeu? deve estar sempre procurando melhorar... porque eu te/ posso te garantir uma coisa... a situação está preta... está caótica... entendeu? não sei se::... daqui a uns tempos... os seus filhos... entendeu? de repente vão ter condições... de estudar numa mesma faculdade que você... ou eu... de repente vou ter a mesma condição de pagar uma faculdade pro meu filho... entendeu? então a tendência é essa... entendeu? quer dizer... uma minoria... de pesso/ uma minoria de pessoas... toma conta do Bras/ do país... entendeu? porque eles... eles têm acesso às coisas... entendeu? não desvalorizando a pessoa que trabalha... entendeu? deixando isso bem claro... porque tem pessoas que... fazem por onde pra poder dar uma vida... boa pro filho... entendeu? se o teu pai pode te pagar alguma coisa... se o teu pai pode te dar um apartamento... se o teu pai pode te pagar um curso...se o teu pai pode te pagar uma faculdade... tudo bem... [a:ótimo] ... pô... mas se/ o meu ponto de vista é esse... entendeu? eu acho que:: isso... devia ser garantido pelo governo... entendeu? entendeu? porque o gover/ no meu modo de ver... o governo é que tinha que... batalhar a educação... ir embora... entendeu? por exemplo... eu faço Gama Filho... entendeu? masse eu tivesse que estar pagando... eu não/ [a:fatalmente] eu não [v:estaria] ... porque eu sou/ eu tenho crédito educativo... entendeu? por isso que eu estou falando assim... até que a Caixa Econômica me ajuda... está pagan::do... mas agora... pô... três meses que não pagava... foi pagar agora... quer dizer... vai reduzindo... antes era integral... isso ela não está dando nada de graça não... tá? porque depois que a gente se forma... a gente paga tudo corrigido...
    E: um ano...
    I: é/ não... dois anos depois de:: de/ você se forma... você começa a pagar as coisas tudo corrigidas... entendeu? então quer dizer... eles não dão::... assistência nenhuma... deixam ( ) entregue às mos::cas... e assim vai... vai da educação... vai a alimentação... você vê aí... você lê em jornal... toneladas de comida estragam... pô... cheio de pessoas passando fome... entendeu? é a própria ((pigarro)) sistema assim... como é que eu posso falar? sistema de segurança... é tudo falho... as pessoas... não... não são de confiança... então... quer dizer... eu acho que p/ sabe?a mensagem que os políticos passam... é [a:propriamente] essa... entendeu?porque... [a:infelizmente] ... ou [a:felizmente] ... eu não posso lhe dizer... pra nossa sorte... o futuro do país... pô... quem faz... entendeu? somos nós... porque nós é que... botamos as pessoas...em quem nós confiamos lá... entendeu? [a:só] que::... não sei o que acontece... sabe? eles... prometem mundos e fundos... quando chega lá... minha filha... acho que a porca torce o rabo... os cara mudam de mentalidade... entendeu? tem coisas assim absurdas... outro dia eu estava lendo o jornal... na Assembléia... os deputados votaram uma verba de::... duzentos e sessenta milhões de cruzeiros pra tratamento dentário... então quer dizer... são quinhentos e lá vai fumaça... quer dizer...é um negócio assim... [a:meio] ::... difícil de entenderporque eles mesmos aprovam as leis... eles mesmos votam o salário deles... quer dizer... se a Câmara entra em recesso vai lá hora extra e tal... entendeu? está ganhando bem... aí você pode... por um acaso vir me perguntar “mas por que que você não entra pra política?...”porque::... [a:sinceramente] ... eu sou... desses caras assim que eu penso o seguinte... pra cada pessoa tem um espaço na sociedade... entendeu? então a pessoa tem que objetivar... aquilo que ela quer... entendeu? pô... eu tenho um ir... tenho um ir... tenho um irmão que é advogado... tenho um irmão que é militar... tenho um outro irmão que é economista... tenho uma irmã que é secretária bilíngüe... fez letras também... então estão todos bem... por isso que eu posso falar isso... entendeu? se você... pô... for boa na sua área... se você batalhar as suas coisas... entendeu? correr atrás... pô... você vai longe... independente/ independe do... do Brasil... entendeu? independe se o Brasil vai crescer... ou vai diminuir... [a:logicamente] que se o Brasil não cresce... você fica limitada... tá? como é que eu posso falar? sua concorrência no mercado/o mercado de trabalho começa a ficar... [a:muito] pequeno pra você... [a:muito] pequeno não... [a:muito] grande... né?porque você... começa a concorrer... concorrer com uma porção de pessoas... aí o que é que acontece? você vê... que igual a você... tem milhares... pô... milhares de pessoas... então... como eu posso explicar assim?quer dizer... no meu modo de ver... [v:falando] [p:de] [a:novo] ... não fica assustada não... porque eu tenho mania muito de falar “no meu modo de ver... no meu modo de pensar...” sabe? minha mãe costuma até falarque eu sou... meio assim... [a:meio] político...que eu dava pra político...que eu sou [a:meio] revoltado...entendeu? ( ) eu te explicar... eu acho que a pessoa não pode é::... se abitolar... entendeu? por exemplo... você se forma... aí você arruma um empreguinho aqui... aí você começa a ganhar bem... aí você pára e fala assim “não... estou bem pra caramba...” aí... fica naquilo a vida inteira... entendeu? porque... por exemplo aqui... onde é que a gente trabalha... pô... eu estou ganhando::/ quanto é nosso salário... Nilo? fala aí a miséria... três mil... né? três mil... três mil... isso dá pra... isso dá pra fazer alguma coisa? não dá pô... entendeu? enquanto tem pessoas aqui... já funcionários... que ganham quatro... um mil a mais que a gente e trabalham aqui há dez... onze anos... então... quer dizer... bitolação mental... entendeu? não por/ não porque sejam burros... ou ignorantes... é porque já caíram no sistema... sabe? aí vai levando... vai levando... vai levando... aí quando você for ver... acordar...você está que nem o Brasil aí... [a:completamente] ... no buraco...
    E: tá... obrigada...
    I: de na::da... pô...
Parte oral
1993
  • Um dia resolvi sair com a minha namorada.Fomos dançar edepois resolvemos ir a um motel, [a:só] que chegando ao motel eu não poderia imaginar que eu iria me encontrar em uma situação constrangedora, não para mim mais sim para duas pessoas.Assim que parei o carro na fila de entrada dei conta de que conhecia o carro que estava à minha frente, e era sem dúvida o carro do rapaz que namorava a minha irmã, hoje meu cunhado.Reconhecido o carro o que fazer;bem eu fiquei furioso e resolvi ir ver com quem que ele estava traindo minha irmã.Abri a porta do carro em que me encontrava e me puz à caminhar até o carro dele, [a:só] não podia imaginar que ao chegar até ao carro dele iria encontrar minha irmãao lado deleagora imagine [a:só] a situação como não ficou.Ficou um clima horrível e acabou estragando a noite de todos.
  • Quando eu fiz o meu 2o grau eu conheci dois rapazes.Um se chamava Jucinei e o outro Paulo.Passado algum tempo depois de termos terminado o 2o grau, encontrei-me com Jucinei na antiga Robin Hood, uma discoteca que se encontrava no Alto da Boa Vista.Começamos a conversar e com as conversas vieram as lembranças, e com elas vieram também à notícia da morte do passivo Paulo.Então fiquei chocado, pois eu lutei muito para que ele abandonasse as drogas.Quando o Jucinei me falou da morte do Paulo por assassinato fiquei desconsolado pois vi que meus esforços tinham sido inúteis.Então guardei para mim essa lembrança triste, e procuro transmitir a todas as pessoas que buscam as drogas essa história triste, de uma pessoa que não havia nascido para morrer assim.E procuro lembrar sempre que a “DROGA É UMA DROGA”, e que a vida apesar de todos os problemas é ótima, quando se toma o caminho certo das coisas é claro.
  • Falar do meu quarto!logo do meu quarto!Bem o meu quarto é uma verdadeira bagunça.É roupa pra lá e roupa pra cá.Você sabe como é quarto de menino.Minha mãe fica desesperada!vou descrever o meu quarto para você: no meu quarto tem uma cama uma escrivania, um ar- condicionado, um aquário, um armário e alguns livros e é uma verdadeira zona.
  • Bem eu faço macarrão da maneira mais simples.Eu faço miojo Lamem.Encho dois copos de água e boto na panela pra ferver depois coloco o macarrão espero dois minutos e está pronto!
  • [a:Infelizmente] não dá pra falar de uma situação sem tocar em outra ou seja;uma situação depende da outra.Mas no meu modo de ver o câncer do Brasil são esses políticos que iludem e roubam.E são não maior parte homens de grandes bens e fortunas que manipulam assim a situação econômica do país.Eu acho que o único meio de mudar a situação do país é incentivando a educação.Como isso não acontece, as coisas não mudam. [a:Só] se vê recessão e mais recessão.É por isso que eles adoram a recessão, pois para os pobres é ruim e para eles é otimo pois o país é capitalista [a:claro] que eu não tenho nada contra o capitalismo, e sei de seu funcionamento.A última foi agora;os deputados aprovaram uma verba de Cr$ 250.000.000,00 para tratamento dentário, como se o salário deles já não fosse suficiente!Eles deviam saber e contar nos dedos quem trata dos dentes no país.Chega dessas imagens de corrupção até [a:mesmo] com os nossos maiores governantes.O Brasil precisa crescer se não for agora quando será?Vamos nos permitir, vamos valorizar a educação e pensar quea economia de um país pra ficar bem na balança [a:primeiramente] tem de exportar mais e importar menos.Como um país não pode consumir mais do que exporta.Se dá esse problema.Lógico que existe outros problemas econômicos entre eles estão: Especulação, Empresário, Sonegações de impostos etc...Acorda Brasil!!!
Parte escrita
1993

  • E: [a:bom] ... me diz o seu nome... aonde você estuda...qual período você está... e de/ qual curso...
    I: eh:: meu nome é Mônica... eu faço comunicação visual na PUC... estou/ era pra estar no::/ ter saído já... mas estou no oitavo período e:: ( )
    E: me conta uma história que tenha acontecido com você... que você tenha achado engraçada... ou triste... ou então constrangedora...
    I: tá... é uma... uma história engraçada... foi/ eu estava fazendo um trabalho free-lancer assim... pra um cara... aí eu liguei pra casa dele pra/ que ele tinha que me pagar por esse trabalho... então estou eu lá... liguei... aí eu “oi... Carlos... aqui é Mônica... tudo bem?” aí ele virou pra mim e falou assim “não... tudo mal...” aí o que é que eu pensei? eu falei “caramba... ele não gostou do trabalho... saiu uma droga” e tal... aí eu “mas tudo mal por quê?” aí ele falou assim “não... porque oh... [a:primeiro] de tudo... já vou te avisando... que eu/ não deu p/ tempo de ir no banco((riso)) então eu não peguei o che::que...” e tal “não peguei cheque...não posso te passar cheque... agora [a:só] segunda-feira...” eu falei “não... tudo bem::... não... não... você pode me pagar quando você quiser...” tal... “não precisa pagar agora... eu... eu [a:só] queria saber o seguinte... é que:: eu estava esperando você passar aqui... deixei até a fita...” uma fita que eu tinha que/ que eu tinha que ter entregue pra ele “a fita com a minha mãe...” e tal... aí ele “sua mãe?” aí eu falei “é:: minha mãe...” ele “com quem eu estou falando?” aí eu falei assim “ué... com a Mônica... que faz trabalho pra você...” tal... “que está fazendo a marca da tua/ do... do negócio de vídeo...” aí ele falou “Mônica... ai desculpa... desculpa... eu achei que era a minha ex-mulher... assim... eu já ia te dar a maior bronca... que ela vive correndo atrás de mim atrás de dinheiro...” e tal ((risos)) “e eu... pra pagar umas coisas aí... cara... ainda bem que você me disse da... da sua mãe... porque a mãe dela nem mora aqui... mora no Norte... nem ia/ como é que eu ia passar pra pegar uma fita de vídeo ainda... né?”aí a situação é [a:muito] comédia porque eu fiquei imaginando...eu falei “ [a:bom] ... daqui a pouco...assim eu estou entrando na intimidade do cara... né? ((risos)) ainda bem que ele não falou mais coisa...” e o gozado foi que encaixou... né?eu: estava esperando [a:realmente] um dinheiro... mas eu fiquei super constrangida... eu falei “gente... não... não precisa de me pagar...” quase que eu falei “não... tudo bem... eu faço de graça...”
    E: de graça::... eu te pago [pra fazer...]
    I: [pois é...] é... porque... do jeito que eu contei até que não foi tão/mas ele... na hora foi... foi [a:meio] ... grosso [a:mesmo] ... né?ele “não... o dinheiro não está aqui... olha... pra falar a verdade... nem o cheque está aqui” ((riso)) aí foi essa... essa eu achei super gozada... assim... quando:: passou...

  • E: e::... agora... eu queria que você me contasse alguma... alguma coisa que alguém tenha te contado... que você não tenha vivenciado... que você tenha achado engraçada... ou triste... ou constrangedora...
    I: olha... a gente::/ eu... eu não estava não... mas uma amiga minha me contou... que foi uma viagem que a gente fez... e:: a gente viajou com... com/ eram/ tinham doze pessoas na casa... e um deles era filho de um deputado... tá?e/ [a:só] que ela... ela... ela::... tipo... estava nam/ começou a namo/ namorounão... ficou com o cara lá no carnaval ((riso)) que::... ela achou que... ele que era filho do deputado... entendeu? então toda vez que ela falava no telefone com ele... ela falava “mas... pô... mas... eh::... [s:a tua casa] [v:vive] [a:cheia] ...mas também... né? teu pai::...” aí ele “mas::” aí ele... pensava... né? “meu pai... mas e daí... meu pai?” sabe? não tem nada a ver... então ficou aquela conversa sempre assim tipo... ela falando o tempo inteiro achando que o pai dele era deputado... até que um dia ela chegou pra ele e falou “ah:: mas vem cá... pô... teu pai que deve... deve ser cheio das influências...” não sei quê... eh::... como é que é? “qual::”/ pra votar no cara... né?” ah::... vo/ “qual o número dele?” não sei quê... “quero votar...” tal... aí ele falou “votar? meu pai? cara... meu pai trabalha na bolsa... que ( ) votar em quê?” entendeu? isso depois assim ((riso)) tipo.... ficou no carnaval... que era fevereiro... aí::... sei lá... abril...ela foi descobrir que/ [v:falando] do pai dele [a:direto] ... foi descobrir que não era... aí que eu acho que... foi (aquilo) que eu lembrei assim... de...

  • E: e::... agora eu queria que você me descrevesse o local onde você:: mais gosta de ficar...
    I: ai... o lugar que eu/ em casa... em casa...eu adoro assim... [a:especialmente] quando... está tranqüilo... à tar/ à tardinha... que é raro eu estar em casa essa hora... essa hora que a gente está aqui... seis horas... chega em casa assim... ah:: descansar... tomar um ba::nho... cuidar do meu quarto...ficar a/ ver televisão... ter uma hora de descanso [a:mesmo] ... tipo/ que... é... é bom... mas você quer que descreva o quê? que fale mais [do... do lugar mesmo?]
    E: [descreva como é que é o::] espaço geográfico...
    I: ah... meu quarto... ó... ele nem... nem é::/ ele não é... grande... ele é pequeno... tem::/ mas ele é... é gostoso... que eu gosto de coisa entulhada... entendeu? ((riso)) eu acho... tipo assim... eu até disfarço... que ele é pequeno... né?o pessoal acha que é porque ele está [a:muito] cheio... então tem... tem uma cama... tem uma estante grande que eu coloco todo o material de desenho... livro... ela é toda de madeira assim que eu fiz com o meu pai... a gente... tirou um domingo assim “vamos fazer uma estante...” ((risos)) aí... resolvemos fazer a estante...aí ela é [a:toda] ajeitadinha assim...porque tem lugar pra... pra lapiseira... tem lu/ sabe?todo / tudo certinho assim [a:mesmo] ... meio... [a:meio] designer...aí... tem a prancheta que eu comprei há pouco tempo também... que ela até está sem forrar....que ela está ainda no::/ tem que colocar um plástico... alguma coisa em cima pra pro/ pra não estragar... o que mais? tem uma mesinha do lado da minha cama... que fica telefone... porta- retra/ milhões de porta-retratos... tem o re/ o último recado... telefone...tudo assim [a:meio] jogado... mas/ é bagunça mas eu entendo... né? em frente à cama tem a televisão... que fica também na frente da janela... assim::... e o que mais? que ela fica no alto... assim... até é um saco... que o meu controle... às vezes/ quebrou... e aí... à noite assim... eu durmo e aí eu ”a::i não... tenho que apagar a televisão...” aí levanto... vou lá... a... aí... desligo... é um saco... isso é um saco... até um dia eu estava falando ou con... ou conserta ou então abaixa essa televisão... né? aí o que mais? tem o armário também... de quatro... quatro portas... ele::/a parede é [a:toda] branca... o armário é clarinho... assim... é begezinho claro... o chão também... que é aquele::/ ai... agora esqueci o nome daquele chão... é um/ é liso assim... é um piso liso... [faz/]
    E: [tábua corrida?]
    I: não... eh::... não é eucatex que fala... como é que é o nome daquilo? é de/ imitando tábua corrida... tá? é tipo... é tipo/ eu não sei o nome daquilo... eh::.. fala co::res... assim? tipo... a colcha é toda de... de... meio retalho... mas mais pro vinho... ela tem/ puxa mais pro vinho... a mesinha também tem uma::/ tipo um... um pano assim... e:: também é mais pro vinho...tem umas coisas verdes... assim... [a:meio] descombinando((riso)) mas acaba que no contexto combina com a madeira... né? que é clarinho... cor de madeira... o armário e o chão... aí combina...aí:: é [a:só] assim...tem umas pastas num canto atrás da porta... tem um espelho atrás da porta... tem umas pastas destas de material de desenho... assim... grandes... aí aquilo ali é... uma bagunça... meu cantinho da bagunça... assim... onde eu vou jogando tudo... e só::... assim...tem um tapete na sa/ no meio do quarto... [a:todo] colorido também...mais pro vinho...tudo mais pro vinho... assim... mais/ [a:meio] rosa também...é... [a:só] ((riso))

  • E: e::... então... agora eu queria que você me dissesse o que que você mais gosta de fazer... e me explicasse como é que se faz isso...
    I: olha... eu vou falar::... u::ma coisa... do meu trabalho... tá? quando eu começo/ entro no meu trabalho... então eu chego... aí che/ eu olho minha prancheta... já começo arrumando tudo... assim...aí dou uma limpada sempre... porque é:: até pelo trabalho [a:mesmo] ... pra não sujar::... nem nada... então... eu arrumo a prancheta... vejo a régua como é que está... vejo o que tem em volta... aí... sei lá... vou:: pro/ tipo que tem uma agenda sempre que tem... os trabalhos que a gente tem que fazer todos os dias... então... vou lá... vejo... “ah:: de repente hoje... sei lá... tenho que fazer um layout...”e:: [a:primeiro] um estudo... antes de fazer o... o layout... o trabalho... né?pra apresentar... então “o que é que eu vou fazer? ah::... tenho/ preciso de cor...” aí eu vou... pego os lápis de cor que eu quero... tudo que... tem colorido... lápis de cor... canetinha... hidrocor... marcador... papel colorido... o que for... aí coloco tudo do meu lado ali... no lugar... assim... que tem/ a prancheta tem... o lugar que a régua corre... e do lado tem sempre um espaço... né? pelo menos na/ do trabalho... que ela é grande... eu deixo tudo ali... aí vou... prendo... alguma coisa que::... sempre... o pessoal fala “pega o papel branco” e tal... “prende ele na prancheta...” aí:: vou executar o trabalho... pinto e tal... depois eu/ tem um painel... na frente das pranchetas... no trabalho... que você p/ vai pregando... pra você poder olhar o que você está fazendo... olhar de longe... ter uma distância... que não é a da prancheta... aí você olha... coloca ali... vai fazendo... prende as coisas... depois você chega pra/ mais pra longe... empurra a cadeira e olha... aí::... sabe? dá uma (definidade) “esse aqui? não... esse aqui eu não gostei muito... aquele ali é melhor::... aquela cor é mais legal... eu vou misturar” e tal... aí depois o que você escolhe/ às vezes você não faz isso num dia... tá? mas... às vezes dá... então... você escolhe um que você goste mais... então você vai pegar aquele e vai aprofundar... então você vai ver como você vai apresentar aquilo melhor... aí às vezes é com recorte de papel... às vezes você vai pro computador... e::... imprime... se tem uma impressora à laser colorida você faz... se não você resolve que vai ser na ca/vai fazer um handering... com a canetinha [a:mesmo] ...( ) o marcador... aí você faz... aí depois você monta de uma/ uma outra prancha... seria um papel mais durinho... pra você quando apresentar pra pessoa... ela não pegar aquilo molengo na mão... você monta... aí põe um:: papel de proteção... que a gente chama depapel manteiga... e [v:guarda] lá... [a:direitinha]quando você for mostrar pro teu cliente... [v:está][a:direitinha] ...aí eu faço isso... aí... tipo no final do dia... depois que eu fiz... esse procedimento todo... guardo num lugar que tem que são umas estantes...com uns intervalos bem pequeninhos... [a:só] pra papel [a:mesmo] ...que a gente tem lá o trabalho... que eles colocam uma etiqueta... o trabalho::... sei lá... eh:: esse que é Naturalíssimo... aí eu trabalho no restaurante Naturalíssimo...então você coloca ele na pastinha... dentro... aí [a:pronto] ... aí quando você for entregar pro cliente está ali... se não você vai embora... e guarda tudo... fecha e apaga a luz... fecha... e sai... vai embora... do... do escritório... é isso... né? ((riso)) acho que é um procedimento...
    E: é::...

  • E: e::... agora eu queria que você me dissesse a sua opinião... ou sobre a situação política... ou econômica... ou da educação no Brasil...
    I: olha... a situação política... eh::... eu... tipo assim... eu não sou a pessoa mais informada assim nem me/ procuro... sabe? muito... eu acho que eu até devia procurar me informar mais... mas é que... sabe quando você sente que está::/ não tem jeito... eu... eu/ está...está [a:tudo] destruído... sabe?está tudo [a:meio] no chão... você tenta catar... as pessoas tentam... juntar assim... tipo “agora o Collor... caiu...” não sei quê... todo mundo se juntou... mas sabe quando você não... não sabe o que vai acontecer depois? você faz aquilo... mas você não tem uma... uma projeção pro futuro... a gente não tem projeção nenhuma... política... e agora com esse negócio do... do parlamentarismo... do presidencialismo... monarquia... e aí... as pessoas já/ você não tem confiança... as pessoas já divulgam isso... já de uma maneira que/ pra te confundir... entendeu? então você se sente o tempo inteiro enganado... sabe? você fala com um... você vê um político falando numa hora de um jeito... aí daqui a pouco ele... junta com outro de outro partido... tudo bem que possa até mudar de opinião... mas muda... e não ajuda... sabe? as coisas não andam...você está sempre/ tudo [a:meio] parado... meio/ e esse negócio agora... essa votação que vai ter agora... eu... pra mim eu acho que é uma grande enganação e num momento s/ inoportuno... sabe? tipo... espera aí... vamos consertar de um jeito... agora vamos mudar... vai... confunde... eu... tá? que::... acho que tenho um nível... de informação maior assim... você já... se confunde... você vê aqueles programas... você não sabe quem está dizendo o quê... imagina uma pessoa que não tem informação nenhuma... sabe? sei lá... a empregada da minha casa... pô... parlamentarismo... presidencialismo... eu/ ela nem sabe o que que é... entendeu? acho que ela não sabe nem que que o Itamar é... é presidente... ou... sei lá... é rei? não sei... acho que ela nem sabe... e o jeito que eles fazem a cédula... eu acho que tudo...tudo é pra complicar... entendeu? tudo é pra enganar [a:mesmo] ... então eu/ negócio de política pra mim... assim... ( ) super desacreditada... eu acho que/ e não tem como... tipo... eles ficam “ah:: tomar como exemplo... um país que é presidencialista” e o outro fala “o país parlamentarista...” sabe? cada um tem uma experiência... a gente tem
    E: uma realidade…
    I: é::... e a gente tem/nossa realidade é que não [v:deu] [a:certo] ...não [v:está dando] [a:certo] assimmas... será que é a hora de mudar pra ver se dá... outro ( ) experimentar... fazer essa experiência agora? não sei... se fosse um negócio sério... pô... eu acho que até se/ poderia ser mas... já está parecendo que não é sério... sabe? desde agora... desde antes de acontecer a coisa... mudar pra parlamentarismo ou:: ( ) de república pra monarquia... já está parecendo uma coisa tão::... sabe? aleatória... esse negócio “ah... vamos fazer... pra ver o que que dá...” sabe? tipo “vamos fazer um carnaval pro pessoal esquecer... o que está acontecendo? vamos fazer isso aí pra não... não acorbertar o que/ outras coisas que eles estão pensando...” é isso... eu não gosto... não estou achando legal o jeito que está não de polí/ a política...
    E: tá... obrigada...
    I: acabou? ah::...
Parte oral
1993
  • Um fato interessante que aconteceu comigo foi uma vez que ocorreu uma confusão com um cliente meu, para o qual eu realizava uma marca(identidade visual) para sua produtora de vídeo.Eu liguei para ele um dia para saber se ele havia recebido uma fita de vídeo que me [v:emprestara] [a:anteriormente] e também para saber sobre meu pagamento.Do outro lado do telefone, ele me atendeu de uma maneira rude e indiferente, coisa que nunca havia acontecido.Não entendi.A conversa foi mais ou menos assim: “- Carlos, sou eu Mônica.” “- Olha, já vou falando que não deu tempo de passar, pois ontem tive que sair e quando vi já eram 16:30 da tarde.Mas não precisa reclamar que na segunda o dinheiro fica depositado.” “- Eh, não...mas não liga pra isso - falei sem graça.“-Eu [a:só] estou ligando pra dizer que deixei a fita com a minha mãeegostaria de saber se você [v:recebeu] [a:direitinho] .” “- Fita?Com a sua mãe?Peraí.Quem está falando?Sua mãe não está no Norte?” “- Acho que você deve estar me confundindo!” “- Que Mônica está falando?” “- A que está realizando a marca da sua video produtora.” “- Ah!!!Desculpe, achei que era minha ex-mulher pedindo dinheiro.” [a:Bom] , a partir daí nos entendemos.Imagina se o assunto dele com ela fosse mais sério!Eu corria risco de vida!!!
  • Uma amiga minha que viajou comigo durante o carnaval, teve um caso com um de meus amigos.Não sei [a:muito] bem porque ela confundiu os pais dele com os de outro amigo meuque estava na casa e cismou que o pai de seu “caso” era deputado.Depois do carnaval, eles continuaram se falando e ele várias vezes mencionava festas em sua casa e fatos que o pai fazia.Ela por sua vez, achando que o pai dele era deputado, ficava sempre com aquele pensamento: Pôxa, deputado é fogo!Sempre dá festas, sempre usando dinheiro dos outros.Um belo dia ela soube que o pai dele trabalhava na bolsa de valores e dava festas com o próprio dinheiro porque gostava!Imagina [a:só] a dor na consciência! [a:Só] faltou ela perguntar o nome para fazer campanha contra o deputado!
  • Meu quarto é um lugar que gosto de ficar.Todo ele foi montado aos poucos e por isso sinto-o como uma conquista.Ele tem armário embutido com quatro portas e fica logo em frente a porta.Aliás, ele fica de lado para a porta.De cor beige claro, imitando madeira, ele combina com o chão que é de formipiso, imitando madeira porém um pouco mais escuro.A parede em frente à portatem uma janela não [a:muito] grande.Talvez 1,50m x 1,50m.No espaço que sobra tem um poster de amigos meus.Ah, na janela tem um montão de adesivos que coleciono.Minha cama e minha prancheta ficam bem em frente do armário e à direita de quem entra no quarto.Minha colcha é de retalho puxando para o vinho e a mesinha de cabeceira também tem um pano vinho “combinando”. [s:A prancheta] [v:vive] [a:cheia] e é fogo quando quero [a:realmente] trabalhar.Na parede em cima de minha cama fica minha televisão com o vídeo, presos à parede com aquele suporte tradicional.Na mesma parede está minha estante que adoro de paixão.Foi feita por mim e meu pai e guarda desde álbuns fotográficos a livros técnicos além de materiais de desenho.Ela foi feita [a:toda] de madeira.No chão tem um tapete [a:todo] desenhado (estampado)no qual adoro deitar para relaxar a coluna.Acho que é “só”!
  • [a:Geralmente] quando vou ao trabalho tenho o mesmo procedimento em relação à arrumação.Chego às nove horas da manhã.Abro a janela pois [a:geralmente] sou a primeira a chegar, ligo o rádio e vou até minha prancheta.Limpo-a com álcool ou benzina, passo uma vassourinha de mesa, vejo na agenda de afazeres o que há para fazer e pego todo o material para por a minha volta.Depois de conferir se tudo está bem, começo meu trabalho.
  • Situação Política.A situação política no Brasil já não era boa mas depois de nosso último presidente, Collor, ficou bem pior.O Brasil não acredita em si mesmo.Seus políticos espelham uma situação de decadência em relação ao respeito e honestidade além de tantos outros princípios que são difícies de serem encontrados nesta classe que hoje representa os “direitos” do povo.Agora estamos na hora do plebiscito que mais parece um pano de fundo, aliás, uma cortina de teatro que fica cobrindo os bastidores, onde rolam as baixarias.Como votar em Monarquia, República ou Parlamentarismo, e Presidencialismo quando a maioria da população não sabe nem o que cada um significa eàs vezes nem sabe quem é o próprio prefeito ou governador de sua cidade ou estado [a:respectivamente] , como aconteceu com a faxineira lá de casa.O resultado desta brincadeira [a:só] pode ser um tiro no escuro.Que ganhe o mais sortudo pois é [a:só] disto que cada um vai ganhar! [a:Só] espero que não piore pois parece que o fundo do poço ainda está longe.Haja visto Índia, África do Sul, Guatemala, etc...
Parte escrita
1993

  • E: é::... me diz o seu nome... em que período que você está... aonde que você estuda e qual o seu curso...
    I: eu... meu nome é Rafaela... eu estudo na PUC... no Rio... faço desenho industrial com habilidade em projeto de produto... e... está faltando alguma coisa?
    E: o período...
    I: ah...eu estou no... oitavo período mas vou fazer em nove... [a:normalmente] são oito mas vou fazer em nove...
    E: uhn... uhn... eh::.. e... eu queria que você... me contasse alguma história que tenha acontecido com você... que você tenha achado... ou engraçada... ou aleg/ ( ) triste... [constrangedora...]
    I: [ou alegre?] aconteceu uma coisa super boa comigo faz umas semanas... que eu estava num barzinho sentada... no Leblon... com vários amigos... aí:: eu... olhei pra frente assim::... e reconheci uma pessoa que é um profissional super conhecido de design do Rio...e eu conhecia ele por causa de outros eventos que eu [a:inclusive] [v:trabalhei] ...aí eu fui falar com ele... ele foi mais caloroso que o normal e tal... aí:: ele falou “poxa... Rafaela... eu estava te procurando” e tal “ia te ligar hoje mas não consegui::... foi uma su/ coincidência super legal te encontrar... e eu queria te:: falar um negócio” e tal... aí eu falei “ah::... que legal” e tal “então fala...” aí ele “quer conversar depois ou agora?” “não... conversar agora... conversar agora...” aí ele falou que... eles estavam precisando de uma pessoa no Centro de Promoção Design Rio... que é um órgão que ele e outros profissionais de design criaram no Rio pra promover o design... então::... ele estava precisando de uma pessoa... eles pensaram em mim... pô... eu fiquei super orgulhosa de eles terem pensado em mim... eles pensaram em mim por causa de outros trabalhos e tal... e::... acabou que::... eu liguei pro escritório dele... marquei a entrevista... aí a entrevista foi ótima e tal... eles eram a pessoa que eu queria/ a pessoa que eu queria/ que eles queriam era eu... mas:: acontece que o meu horário era incompatível com o deles... foi super bom pra mim porque... poxa... me ofereceram um trabalho... foi uma coisa que:... por incrível que pareça... eu nem procurei assim... né? mas foi ótimo... foi super bom...
    E: mas acabou que não deu... pra você?
    I: não... não deu pra eu estagiar... mas faz parte isso porque::... eu estou fazendo milhares de coisas aqui na PUC também...aí eu fiquei sem estagiar [a:mesmo] ... esse semestre... apesar de eu já ter estagiado dois anos já...

  • E: e::... agora eu queria então que você contasse pra mim... alguma coisa que você não tenha vivenciado... alguém te contou ((conversa de terceiros)) eh::... que alguém te contou... e que você tenha achado ou engraçada... ou triste... ou constrangedora...
    I: oh... my ((riso)) uma história que tenham me contado? ai... dá pra desligar? ((o gravador)) meu irmão estava me contando outro dia que::... ele conheceu um... um cara lá em Friburgo... que roubaram o carro dele... há pouco tempo aqui em Fri/ aqui no Rio... na Glória... daí ele ficou louco porque tinham roubado o carro dele... o carro dele não era tão novo assim mas... pô... fazia a maior falta e tal... era um Gol... aí ele... deu queixa na polícia... e ao mesmo tempo que deu queixa... começou a falar com o amigo dele... que era o amigo do amigo do amigo de alguém que era ligado ao tráfico de carros... aí acabou que chegou na/ alguém chegou e deu um toque nele... pra ele todo dia passar naquele lugar onde tinham roubado o carro dele... passar todo dia em frente à delegacia... perguntar como é que estava o carro e tal... ba ba bá... como é que andava o processo... e aí ele passa/ passeava todo dia naqueles lugares benditos... passava na delegacia “e aí... como é que está a história?” “pô::... a gente não está sabendo de nada...” não sei o quê... e o bendito do carro sumiu... entendeu? ninguém mais sabia fal/ ouvia falar do carro... aí um dia... por um acaso... assim... depois de... sei lá... de uns dois meses... ele passou em frente à delegacia... e viu o carro dele... aí entrou na delegacia e perguntou “ah... e aí? quer dizer que vocês acharam meu carro?” “não... a gente não achou o seu carro não” “ué... mas como?” e tal “mas... pô... vocês falaram que iam achar...” e tal... ele se fez de desentendido... né? “vocês... pô... não é possível... cara... vocês falaram que iam achar o meu carro...” e tal “não... mas a gente não achou nada::...” e tal... não sei o quê... aí ele “pô... então beleza... então quer dizer que eu posso pegar o meu carro que está aí em frente e levar embora?” “pode... pode... pode pegar o carro...” as pessoas/ tipo assim... ele não pôs palavra na boc/ palavras na boca das pessoas e as pessoas também deixaram tudo assim no ar... entendeu? foram levando... quer dizer... se ele achasse... bem... se ele não deixasse amém... né?ele ia ficar sem o carro dele... coitado... [a:só] que ele teve uma sorte enorme... o carro estava lá intacto... e tinha muita coisa dentro do carro... tinha muita/ ele era/ época de Natal... e ele estava assim... com todos os brindes... ele é o dono de uma boite... todos os brindes da boite estavam dentro... camise::ta... essas coisas todas... né? estava tudo dentro do carro... então tinha milhões:: assim... além do carro...e estava tudo dentro... neguinho não tinha tirado... nada... [a:incrível] ... né?
    E: mas eu não... não entendi... e aí? ele pegou o carro [e foi andando?]
    I: [aí ele pegou o carro] e levou embora... foi uma história louquíssima assim...foi uma história [a:totalmente] sem pé e nem cabeça [a:mesmo] ...
    E: e como que o carro foi parar lá?
    I: ah::... e teve um lance... ele estava com a chave... por um acaso... naquele dia ele estava com a chave do carro... no bolso... porque ele andava assim... sempre olhando... e tal... então ele andava com a chave... naquele dia ele estava com a chave do carro na mão... então ele pegou... e levou o carro embora... e o mais incrível é que quando roubaram o carro também... roubaram com tudo... com os documentos dele... com os documentos do carro... estava tudo no carro... a única coisa que estava com ele era a chave... quando ele abriu o carro estava tudo lá... neguinho deve ter usado o carro pra alguma coisa... precisava do carro... e depois não precisou mais... e:: viram que ele de repente estava na caça e tal... super louco... né?
    E: uhn... uhn... estranha essa história ((riso))
    I: pois é... sem pé nem cabeça...

  • E: e::... agora... eu queria que você... me descrevesse o local onde você mais gosta de ficar...
    I: o local que eu mais gosto de ficar::... é um local... que não dá pra eu ter acesso... assim... toda hora... é lá em Friburgo... na cidade dos meus pais... e::... tem o pico do Caledônia... que é um pico que tem... dois mil... dois mil e oitenta e três metros de altitude...e lá é [a:muito] lindo...porque tem a maior paz... assim... de lá de cima você vê... toda... assim... a Serra de Teresópolis... Petrópolis e Friburgo... então você vê todas as/ você vê as... as estra::das... vê os cami::nhos e tal... então é impressionante... que de lá de cima a gente vê... assim... a gente vê como a gente é pequenininho... entendeu? vê como... tudo é fluido... é lá que eu gosto de ficar... é no alto das montanhas...
    E: e como é que é lá?
    I: como é que é lá? lá é o pico de uma montanha... onde tem até uma torre de televisão... e::... tem uma/ um...um lugar pra pouso de helicóptero também... e de lá::/ é:: uma base... tem... tem a tal base... e tal... mas é natureza... entendeu? são pedras... árvores e... muita natureza::... rasteira...não tem nada assim... de mais... entendeu? [a:só] que é mui::to bonito... você tem que fa/ tem que subir seiscen/ além de ter que fazer uma caminhada enor::me... tem que subir a maior rampa... depois tem que subir seiscentos degraus... aí chega-se lá em cima... ah:: tá bom...

  • E: Rafaela... eu queria que você contasse para mim... o que que você mais gosta de fazer... e:: me explicasse como é que se faz isso...
    I: eu adoro plantar... plantar... plantar:: verdes... né? e eu... há pouco tempo... eu aproveitei/ quer dizer... eu morava em casa e agora eu estou morando em apartamento... e eu aproveitei que tem uma jardineira na minha casa... e plantei::... temperos... ceboli::nha... eh::... manjericão::... essas/ esses temperinhos pra fazer molho... pra botar em carne... daí:: eu... tive que arranjar... terra adubada...eu tive que tirar porque a terra estava... [a:toda] cheia de barro... tirei a terra com barro... coloquei a terra adubada... e aí plantei... as coisinhas todas que já estavam::/ já era/ já não eram mais sementes... elas já eram... esqueci a palavra...
    E: muda?
    I:já eram mudas... [a:muito] bem...é por aí ((riso)) aí eu plantei as mudas... elas estão crescendo... eu tenho que molhar todo di::a... tenho que ver como é que está a terra... tenho que afofar... essas coisas todas... e é super legal... eu adoro plantar... eu descobri isso há pouco tempo...

  • E: e::... agora eu queria que você... dissesse pra mim a sua opinião... ou sobre a situação política... ou econômica... ou da educação... no Brasil...
    I: ( ) [a:bom] ... ah... eu vou dar sobre a política porque eu estou fervilhando sobre isso...porque a gente está num... a gente está num momento super decisivo... né? dia vinte e um/ hoje é dia... dois/ dia primeiro de abril... dia da mentira... mas... não conta... dia vinte e um de abril é/ vai ter o plebiscito... né? pra eleger... ou a monarquia... ou a república... e hoje houve até um plebiscito na PUC... eu achei super interessante mas ao mesmo tempo... é dureza porque... não faz sentido essa eleição... não faz sentido porque a gente não... não tem nem... condições... não tem embasamento nenhum pra eleger nada... entendeu? tudo está uma bagunça... está tudo/os conceitos estão [a:totalmente] invertidos... e eu acho assim... uma piada... a monarquia ser... alguma coisa hoje em dia... entendeu? então::... eu fui até lá::... votei... e tal... vou votar no dia vinte e um... vou resolver ainda se eu vou anular meu voto ou não... mas... a única premissa que eu acho que as pessoas assim... de bom senso têm... é que a monarquia não faz sentido... porque o resto... as pessoas não têm noção... ninguém/está todo mundo [a:totalmente] perdido...ninguém sabe por que que está acontecendo isso...foi uma coisa [a:totalmente] louca [a:mesmo] ...e::... o que mais que eu podia falar sobre isso? sobre essa... essa política?ah... [a:inclusive] houve uma coisa super interessante...que::... eu conheço uma pessoa que faz pa... parte da associação de negros... que são politizados e tal... e eles... estão reivindicando... eu acho que eles estão mais do que certos... que já vai ter eleição pra monarquia... a gente tem que ter um rei Zumbi... porque ele é tão rei... quanto o rei de Portugal... porque os nossos reis que são candidatos...são candidatos... porra... [s:um] não [v:fala] português [a:direito] ...o outro... foi um playboy a vida inteira... entendeu? então eles não/ nem sabem o que que é Brasil... e::... e é bom/ eu acho que... o caminho é as pessoas... se rebelarem um pouco...pararem [a:só] de reclamar... e tomarem mais atitudes... aqui... [a:politicamente] ...tipo... a/ as pessoas... têm dificuldade de aceitar até a UNE... que é a coisa mais certa... que tem que acontecer... é uma instituição que tem um poder enorme... já virou uma instituição... quer dizer... já deix/ era uma intituição fortíssima... deixou de ser por causa... da ditadura... voltou a ser... e:...ontem eu estava conversando com umas pessoas e aí falaram “ah!... mas aquele Lindenberg Farias viaja de graça pelo Braj/ Brasil inteiro...” gente... é óbvio... a começar que ele não tem condições de estudar... fazendo o que ele está fazendo... o trabalho que ele está fazendo... depois... se alguém não pagar pra ele as passagens... quem é que vai pagar?se for o Governo... [a:ótimo] ... o Governo a gente paga imposto pra isso... pra ter nossos direitos reivindicados...então as pessoas estão [a:totalmente] assim... perdidas... entendeu?a gente tem que reforçar a UNE... tem que reforçar os CAs... tem que reforçar os DCEs... a universidade... tem que aproveitar o espaço que ela tem... pra tentar melhorar isso... né? parece ideologia demais assim... mas é a realidade...
    E: tá... obrigada... Rafaela...
    I: ah... de nada...
Parte oral
1993
  • Essa história que me aconteceu não teve um final [a:exatamente] feliz.No entanto, foi [a:muito] alegre para mim e me trouxe um grande bem estar.Num desses fins de semana em que fiquei no Rio, fui ao Sindicato do Leblon, num sábado, com o pessoal da faculdade.Já era bem tarde, talvez uma hora da manhã, quando chegou um conhecido meu.Ele é um designer conhecido e eu o conhecia através de eventos que o seu escritório havia organizado e nos quais eu havia colaborado.Ele não é [a:exatamente] meu amigo, e eu fiquei surpresa quando ele disse que precisava conversar comigo.Foi aí então que ele me fez uma oferta de estágio, me dizendo que o seu escritório estava precisando de uma pessoa e que eles haviam pensado em mim.Eu fui lá, fiz a entrevista, mas meu horário foi incompatível por causa da faculdade.Eu não fiquei triste porque era um momento da minha vida em que [a:realmente] eu não poderia estagiar.Depois também fiquei feliz por terem lembrado de mim pelo próprio mérito do meu trabalho.
  • Essa história a seguir é um pouco louca e faz parte desse dia a dia da vida das pessoas no Rio de Janeiro um pouco interessante.Meu irmão me contou essa história e fiquei impressionadíssima: Um amigo dele teve seu carro roubado, na época do Natal, e não se conformou.Além do carro ser o único que ele tinha estava com muita mercadoria dentro (pois ele era comerciante).Ele tinha um amigo que tinha um amigo, que tinha outro amigo que conhecia alguém da mafia de roubo de carros no Rio.Então, ele contactou esse amigo, e acabou chegando a ele a informação de que ele deveria rondar sempre o lugar onde o carro havia sido roubado.Além disso, ele deu queixa a polícia, o que, como era de se esperar não deu em nada.Um belo dia, não sei se por causa dos contatos, ele passou em frente a delegacia e viu lá seu carro estacionado, e o que é mais interessante: intacto.Por um acaso ele estava com as chaves do carro.Ele entrou na delegacia e perguntou se alguém havia descoberto o paradeiro do carro e ninguém se manifestou.Foi aí então que ele perguntou se poderia ir embora com o carro que estava estacionado em frente a delegacia, o delegado disse que sim e que não haveria problema.Essa história é louquíssima e [a:totalmente] sem nexo: por isso fiquei impressionada.
  • O Pico da Caledônia é um lugar onde me sinto bem e gostaria de estar sempre.No entanto ele fica distante e não de fácil acesso.Ele fica na minha cidade origem, Nova Friburgo, a 2083m de altitude.Para chegar lá tem que se passar por uma estrada,depois subir um morro íngreme que leva mais ou menos uma hora e [p:por] [a:último] mais 600 degraus.Em compensação, a chegada lá é indescritível: lindíssimo, paisagem perfeita, maior astral são palavras pequenas para aquele lugar tão sublime.Lá de cima se vê parte da serra do Mar e vê-se também como o mundo é fluído e como nós somos pequenos.
  • Tenho como um dos meus hobbis cultivar plantas. [a:Geralmente] planto temperos.Quando eu cultivo plantas , o processo é o seguinte: . [a:Primeiro] eu afofo a terra onde vou colocar as mudas.Logo em seguida coloco terra adubada e adubos, e misturo a terra cansada com a nova..Depois cavo buraquinhos com o dedo (a profundidade é o tamanho do dedo) e coloco as mudas nos buracos..Completo o que sobrou com a terra e logo em seguida rego as plantinhas..Rego todos os dias de manhazinha, pois ao meio-dia o sol queima as folhas, e à noite elas soltam gás-carbônico..Como resultado, posso comer temperos fresquinhos todos os dias.
  • Uma das coisas que está mais em voga no atual momento do Brasil é a política, e acho que eu não poderia falar de outra coisa senão isso.É incrível a alienacão de toda a nação e é um absurdo pensar que estamos às vésperas de um plebiscito que não vai servir para nada.O que tem que mudar nesse país não é o sistema de governo, mas sim, a cabeça das pessoas, através da educação séria e não através de um falso moralismo e de um paternalismo falido.Esse plebiscito para a escolha da forma de governo é [a:totalmente] sem sentido.E o pior de tudo é que têm pessoas que irão votar na monarquia [a:assumidamente] .Conheço uma pessoa que faz parte de um movimento anti-racista dos negros que disse que se é para haver monarquia temos que ter na concorrência um rei Zumbi.Concordo [a:plenamente] : os negros tem tanto direito quanto os portugueses de exigir seu espaço, já que o sistema está indo por esse caminho.Fica aqui registrada a minha revolta e eu espero algum dia ter voz e espaço para mostrar às pessoas o que e que isso tenha algum valor.Não por mim, mas por toda essa miséria que está a nossa volta e que nós fingimos o tempo todo que não vemos.Espero que tudo mude e que nós sejamos um povo realizado [a:politicamente] .A política do mundo inteira está falida.Mas isso não é motivo para nos acomodarmos.Temos mais é que crescer e não ficar usando recursos do gênero desse plebiscito.
Parte escrita
1993

  • E: me diz o seu nome...
    I: Regina...
    E: aonde você estuda?
    I: PUC... RJ...
    E: e::... qual período que você está?
    I: uhn... passei agora pro décimo primeiro ((riso))
    E: e::... de que curso?
    I: artes... desenho industrial...
    E: Regina... eu queria que você::... me contasse uma história que tenha acontecido com você... e que você tenha achado... ou engraçada... ou triste... ou constrangedora...
    I: comigo? bem... constrangedora... engraçada... tá... constrangedora ((riso)) na praia... saí com... com um pessoal... be/ ba/ foi/ foram há muitos anos... eu era... até pequena... aqui no Leblon... e::... foi... foi numa época que as ondas... eram en/ estavam enor::mes... né? então o pessoal passou da arrebentação... foi lá pro fundo... e::/ ah... eu... eu fiquei lá ((estalo de dedos)) o máximo que eu pude depois eu comecei a me cansar... né? eu estava ficando cansada e tal “ah... gente... eu vou voltar...” o pessoal “ah::... não... tá...” e ficaram por lá... eu voltei... no que eu voltei... cara ((riso)) eu peguei um caixote... veio uma onda enor::me... cara... e me pegou... e tipo eu... eu morava no Leblon ainda... a praia cheia... a praia lota::da... aí eu fui... a... a onda me levou... lá na areia... e ficavam aquelas pessoas ainda...como a praia estava [a:muito] cheia... [a:muito] entupida...aquelas pessoas em pé assim na beira d’água... sabe? olhando o mar... eu fui parar no pé de dois caras ((riso)) ainda bem que eu era pequena... cara ((riso)) mas eu fui... eu fui rolando lá... no caixote... fui parar no pé dos caras...aí depois... [s:eu] [v:entrei] [p:de] [a:novo] ... pra tirar a areia... né? que eu estava ensopa::da de areia... aí eu voltei pra água... pra tirar... veio outra onda... e a mesma coisa... [s:eu] fui [v:parar] no me/ no pé dos dois caras [p:de] [a:novo] ... cara... aí eu levantei... olhei assim pro lado... ah... não...[v:fui] [a:direto] ( ) fui direto lá pro lugar onde eu estava sentada... cara... aí... foi horrível... foi terrível ((riso))
    E: foi... foi com areia e tudo ((risos)) desistiu?
    I: desisti... eu fui pra beirinha assim... tentei mas... não dava... porque... quando a onda vinha e::... dava... né? tipo... a espumara::da toda... e eu lá no final/ masnão ficava muita/ muito lugar raso assim... pra você se molhar... ou você ia pra arrebentação [a:mesmo] ... né?pra água [a:mesmo] ... onde estava... quebrando... ou então... não ia... né? então... bem... essa... foi a constrangedora ((risos))

  • E: e::... agora eu queria que você me contasse uma história que alguém tenha te contado... que você não estivesse presente... e que você tenha achado engraçada... triste... ou constrangedora...
    I: bem... essa vai ser no mesmo... no mesmo esquema ((riso)) de praia... que eu fui encontrar com um pessoal na praia...
    E: não... não... você não podia estar...
    I: não... não... eu fui/ eu... eu/ ah... eu cheguei depois... depois que aconteceu... eu cheguei... eu cheguei eu já... eu já tinha... eu já tinha marcado com eles... aí ((pigarro)) aí me contaram... tipo... estava/ quem é que estava lá? foi... Carla... Ainá... Patrícia... e:: um outro pessoal lá... e foi/aconteceu [a:exatamente] a mesma coisa... [a:só] que elas foram lá pro fundo... e depois não conseguiam voltar... e estavam quatro... estavam as quatro lá... e depois não conseguiam voltar... e nadava... nadava... nadava... e não conseguiam... voltar... aí daqui a pouco/ e isso depois me contaram... cara...foi [a:muito] engraçado... aí... a::/ quem? a/ parece que a Patrícia ((cumprimento entre a informante e terceiro))
    E: parece que a Patrícia...
    I: a Patrícia... ela... ela começou a se afobar... e falando “gente... eu vou me afogar... gente... eu não consigo... o que é que eu vou fazer? Ainá... me ajuda aqui...” aí a Ainá “não... não posso ajudar... porque eu também estou me afogando...” não sei quê... ( ) assustadas ((riso)) “não... não posso ajudar que eu também estou me afogando...” não sei quê... aí::... acabou que um... um surfista lá ajudou a Patrícia a sair da água... e vieram dois ((riso)) dois negões salva-vidas pra ajudar a Ainá... a Ainá... passou um tempo fora estava branqui::nha... bem branqui::nha... com aquele biquine europeu assim... veio os dois caras fortões... tirando ela da água... foi... foi o Bocão... o Bocão e o Gigio... que me... que me contaram isso... sendo que o Gigio ficou na areia olhando a cena assim... aí chegou o Bocão “ah... são e/ são elas lá no fundo?” e tal... o Gigio “ah::... são...” “ah... ah... elas estão se afogando?” “ah... estão...” ((risos)) e ele está... olhando lá... a parada acontecendo... não fazia nada ((riso))

  • E: e::... agora eu queria que você me dissesse... como é que é o... o lugar onde você mais gosta de ficar na sua casa...
    I: na minha casa... uhn::... bem... eu paro pouco em casa ((risos)) eu paro pouco em casa... tem o meu quarto... que... eu passo bastante tempo... o que mais? ah... a área externa ((descrição da área externa)) e::... deixa eu ver dentro de casa... dentro de casa tem... meu quarto e a cozinha... eu acho que a cozinha é o lugar predileto ((risos)) de todo mundo... né? ainda mais que...somos [a:só] três pessoas... né?eu... minha mãe e minha irmã... então... quando todo mundo tem a oportunidade de... estar junto em casa... né? [a:geralmente] é na cozinha que a gente está conversando... fazendo alguma coisa pra comer... né? enfim... é::... é mais ou menos na cozinha... eu acho...
    E: e como é que é a cozinha?
    I: a cozinha... a cozinha é grande... tem:: um chão de mármore... eh... granito cin... cinza... e os móveis são brancos...o azulejo é::... é:: é [a:meio] branco também de listrinha... tem no meio... são duas listras prateadas... eh::... os armários são modulados... assim... tem muito armário... é branco e cinza também... é tudo ((riso)) tipo... todo mundo diz que é aquela cozinha perfeita... né? ((risos)) bem... eu me amarro... a casa foi construída há pouco tempo... o quê? três/ vai fazer quatro anos agora no fim do ano... meu pai fez... de acordo com o gosto assim... né? da minha mãe... e tal... gosta de espaço... a gente morava num apartamento pequeno... então a cozinha é enorme... né? você chega assim... tem... tipo de frente pra janela... a porta é a minha esquerda... aí toda essa parte da parede esquerda tem armário... ah... é um armário... depois vem o freezer... a geladeira... mais um armário... que tem um espaço pro microondas... a bancada com um pedaço da pia... armário em cima e embaixo... fogão... e... o resto da bancada com armário em cima e embaixo... de frente... né? acaba aquela bancada do lado... vem...uma bancada ac/ a/ [a:junto] na::/ da parede... da janela... né?então... tem duas pias... o escorredor no meio... armário na parte debaixo toda... e no canto direito... armário em cima e a máquina de lavar louça embaixo... tá? acabei o lado de lá... o lado de cá agora ((risos))
    E: nossa...
    I: agora o lado direito... eh::... tem armário também à beça... em cima e embaixo ((riso)) e uma mesa com quatro cadeiras... num canto... depois uma outra bancada de uma pia... com::água potável... né? que aí tem o filtro embaixo e é uma torneira em que você pega da torneira [a:mesmo] pra beber... né?que é a água... legal... e:: embaixo outro armário ((riso))
    E: nossa...
    I: e em cima dessa pia tem... uma/ ah...é um tipo de uma prateleira [a:só] que não é uma prateleira... é uma parada bem alta... onde a gente pendura as panelas... tem várias panelas que... minha mãe comprou e que a gente pendura... é prático à beça... super prático... aí em cima do fogão tem o exaustor... e o que mais? é isso... eu acho que ...
    E: foi a descrição mais...

  • E: eh::... Regina... agora eu queria que você... você me dissesse alguma coisa que você... sabe fazer e me dissesse como é que se faz isso...
    I: saiba fazer... uhn::... adoro fazer waffle... adoro comer waffle ((riso)) como é que faz? bem... vou te dar receita completa... né?vai sair um caderno de receitas ((riso)) ahn::... dois ovos... bem... não... [a:primeiro] ... dois copos de leite... tipo copo de requeijão... liqüidificador... duas gemas... as claras são em último... em neve... né? duas colheres de sopa de açúcar... uma pitada de sal... uma colher de sopa de fermento... duas xícaras de farinha de trigo... e::... cem gramas de manteiga derretida... aí::/ ah::... e açúcar vanille... duas colherinhas de::... de chá... de açúcar vanille... o que mais? é isso... ah... o açúcar vanille é opcional... ou você coloca o açúcar vanille ou você coloca... queijo parmeson ralado... pro waffle ficar mais salgado... e tal... aí você bate as duas claras em neve...no fim... e coloca... [p:por] [a:último] ... na massa... tudo no liqüidificador...depois é [a:só] botar na chapa e:: fazer TCHIII((risos))fica [a:muito] bom...
    E: mistura tudo?
    I: é... [no liqüidificador...]
    E: [no liqüidificador...]
    I: no liqüidificador... é...aí depois é [a:só] botar na chapa...
    E: pode botar::... uma cobertura e tal em cima...
    I: ah... e depois que ficar pronto você coloca... com manteiga... com Karo... com mel... eu uso Karo à beça... não sou tão fã de mel assim... eu:: como mais com Karo... aí dá pra fazer...a receita de panqueca é mais ou menos parecida... [a:só] não leva fermentoe você vai na frigideira ali... aí você pode rechear também de mil maneiras...

  • E: e... agora... [a:finalmente] ((riso)) eu queria que você... me dissesse a sua opinião... ou sobre a situação política... ou econômica... ou da educação no Brasil...
    I: bem... todas as três são vergonhosas... né? aquela coisa assim... deplorável... cada vez estão colocando mais impostos... impostos absurdos... pra se pagar... né? tipo... esse imposto do cheque... e::... vária/ várias coisas... né? ah... é... é... é complicado... é complicado porque eu acho uma pouca vergonha... né? quando eu era pequena... minha mãe não gostava muito de assistir jornal porque::... achava tudo uma:: barbaridade... né? então no in/ eu... de pequena assim...eu não era [a:muito] ... enfronhada em política...não entendia nada... assim...eu comecei a ter uma/ mais uma::/ um conhecimento [a:mesmo] da situação... do que que acontece... de política... quando eu entrei na faculdade... né? a gente começa a se politizar mais... né? e::... e não sei... eu/ a gente nunca vê muita saída... né? a gen/ o brasileiro...é engraçado que o brasileiro é [a:muito] otimista... acha que::... pior não pode ficar... e acaba sempre ficando... né? foi... foi o Sarney::... né? tipo... todo mundo votou no Tancredo... o Tancredo vai e morre ((riso)) aí fica o Sarney pra bagunçar toda a economia... aí depois... é o Collor... né? que não precisa nem falar... que o assunto está mais que discutido... a pouca vergonha que acontece... agora... pouca vergonha tem em todo lugar... né?não é [a:só] no Brasil... em todos esses países aí os políticos... são sempre corruptos... né? eu acho que::... são raros os que não são... e os que não são têm que provar que não são... pra gente poder acreditar... né? porque essa situação política... eu não sei... eu... eu... eu fico sempre revoltada... né? eu acho que... não... não tem muito o que dizer... o que falar... que poderia ser assim... que poderia ser assado... porque a gente também nunca está... ahn::... por dentro... de tudo o que acontece... né? de tudo... de tudo que... que::/ ah... como é que eu digo? como é que eu posso te dizer? de toda a base... né? que... que fez com que as coisas chegassem no ponto em que estão... né? tipo... o ministro... da:: Fazenda... agora... foi no Jô Soares... há umas semanas atrás... e:: eu achei ótimo ((riso)) é... engraçado... eu achei maneiro ((pigarro)) a maneira como ele colocou... a coisa...porque [a:geralmente] a gente não tem acesso a certas/ a... informações... de como a coisa acontece lá dentro... né? ele falou... de... de como ele tem agora que administrar... a Fazenda... que não tem dinheiro... e que... eh:: todo mundo quer dinheiro pra isso... quer dinheiro pra aquilo... e que ele tem que.... segurar... se não não dá... e nisso vai lançar imposto pra ver se entra mais dinheiro... agora... a gente é que sofre... né? porque eles estão lá... tentando... segurar... uma... uma situação econômica... e... não vê/ não vêem a... a população... né?eles até pensam na população... [a:só] que... ao meu ver... não é uma coisa que chega pra gente [a:muito] correta... né?tipo... a classe média... cada vez está mais dizimada... né? não existe... uma vez eu vi no jornal...na época do Collor [a:mesmo] ... uma... uma charge... que estava a Zélia... o Collor... e os ministros atrás de uma trincheira... com umas armas assim... e::... e... e eu acho que era a Zélia que estava falando “acho que acabamos de vez com a classe média... dessa vez...” né? ((risos)) tipo...aquela coisa assim de dizimar [a:mesmo] ... que... as coisas vão acontecendo... a situação vai ficando cada vez pior... né? tipo... meu pai... estava numa crise enorme aí... tipo... com o plano.... que seguraram tudo... ele era da construção civil...e acabaram com a construção civil [a:praticamente] ... né?e::... acabou o financiamento... acabou tudo... tipo... dinheiro... né? estava difícil... e ele passou uma... uma crise danada aí... muita gente falindo... muita gente fechando... e ele tendo que segurar... e/ eu não estou/ eu não...eu não trabalho ainda [a:mesmo] ... eu estou estagiando... não estou sendo remunerada por enquanto... né? tipo... eu tenho uma renda que vem do meu pai... e a gente sente um pouco a situação como é mas... não tem... não tem muito como interferir... não tem muito como fazer nada a respeito... né? porque está ... está um pouco fora do alcance... a não ser ((riso)) a não ser quando... saem tipo... os movimentos que... que nem teve aqui dos cara-pintadas... né? pra botar... o Collor pra fora e tal... são movimentos assim que... requer muita gente... pra fazer uma coisa assim em conjunto pra poder ser ouvido pra pessoas cogitarem na possibilidade de fazer alguma coisa a respeito... né? é mais ou menos por aí... fora isso... são poucos os que se revoltam aqui e ali... e no final não faz nada e tem que esperar o próximo presidente entrar... pra... ver o que acontece... né? é... mais ou menos isso... eu não sou a pessoa mais inteirada de política... né? ((riso))a gente tem [a:muito] pouca noção... mas... é isso...
    E: tá... obrigada... Regina...
Parte oral
1993
  • Foi uma experiência [a:completamente] constrangedora, num daqueles dias de muito sol, calor e praia, num dos anos em que as praias de Ipanema e Leblon ficavam repletas, apinhadas de gente, sem nem lugar por onde passar.Eu era pequena ( [NULL SUBJECT] não [v:lembro] [p:ao] [article:] [a:certo] a idade, 11 ou 13 anos, não sei).Eu fui pra água com umas amigas, [a:só] que pra se ficar na água tínhamos que passar a faixa de arrebentaçãoe fomos lá pro fundo.Depois de um tempo eu comecei a me cansar eresolvi voltar pra areia [a:só] que uma série de ondas começou a estourar, e na minha cabeça.Fui parar na areia, no pé de dois caras que estavam na beira d’água.Eu estava cheia de areia e um tanto constrangida, pedi desculpas aos dois sujeitos evoltei pra água pra tirar a areia, [a:só] que do jeito em que o mar estava, acabei levando outra onda forte na cabeçae fui parar no pé dos mesmos caras.Revoltada [s:eu] desisti de [v:tirar] a areia [p:de] [a:novo] e voltei pro meu lugar na areia.
  • Fui à praia no local de sempre, encontrar o pessoal.Ao chegar lá o Gigio me contou o que tinha acabado de acontecer.Diná, Patrícia, Ferdi e Carla entraram no mar e depois de ficarem um tempo, parecia que não conseguiam voltar (nadavam e não saiam do lugar).A Patrícia conseguiu socorro com um surfista que passava, subiu na prancha e não conseguiu nem remar.Ferdi e Carla tomaram alguns caixotes até conseguirem sair, e Diná saiu com ajuda de dois salva-vidas enormes,ela [a:muito] branca, tipo europeu e eles, dois negões enormes, mas que se deram conta de tudo na hora e foram ajudar.A situação que o Gigio me descreveu foi hilária, e pra completar, o Bocão chega pro Gigio e pergunta preocupado onde estão as “mulheres”, “são aquelas ali se afogando?”e [a:estupidamente] o Gigio responde sentado [a:tranquilamente] “é, são sim!”
  • Minha cozinha é bem espaçosa, armários por todos os lados, em cima e em baixo.Entrando nela pela sala eu tenho ao meu lado esquerdo um freezer e uma geladeira, o micro ondas e parte da bancada da pia, que comporta o fogão no meio.De frente temos o resto da bancada com duas pias, o escorredor de louça no meio, um janelão e a máquina de lavar louça à direita.Com exceção da máquina todo o resto dos eletrodomésticos ficam suspensos/ acoplados ao mobiliário para se poder lavar a cozinha.Sob os armários de cima que acompanham a bancada há uma iluminação para a bancada.Do meu lado direito temos a porta para a área ao fundo, perto da máquina lava-louça, uma nova bancada independente da outra, com pia de água potável e um armário sob ela.Acima dela um conjunto de panelas penduradas.Depois temos um outro conjunto de armários (em cima e em baixo) com um vão onde se encontra a secretária eletrônica, um aparelho velho de rádio televisão, um bandeija (com açucareiro, saleiro, manteigueira, etc...) e a torradeira.Na direção de onde se encontra esta bandeija,sai uma mesa, tipo embotida, com quatro cadeiras, e [p:por] [a:último] um armário com vidropor onde se vê os copos finos de minha mãe.Atrás de mim uma parede lisa com apenas um relógio.
  • Waffles é uma das coisas que eu mais gosto de fazer, apesar de engordativo.A receita eu já sei de cor, de tanto fazer.Coloca-se dois copos de leite (tipo requeijão) no liquidificador,duas gemas (as claras [p:por] [a:último] em neve), duas colheres de sopa de açúcar, uma pitada de sal, duas colheres de chá de açúcar vanile, um tablete de 100 gramas de claybon derretido, duas xícaras de farinha de trigo.Bate-se tudo no liquidificador colocando as claras em neve [p:por] [a:último] .Com a chapa aquecida é [a:só] colocar a massa e pronto!Waffle na mesa.
  • A situação em que o país se encontra é vergonhosa.Corrupção por todos lados, criação de impostos absurdos...enfim, é uma baderna geral.Temos que reconhecer que o mundo todo está sofrendo uma grande crise, mas o Brasil é sempre a mesma piada, o que nos salva por muitas vezes é o espírito esperançoso do povo, sempre com aquele “jeitinho brasileiro” pra contornar as situações.O Collor saiu, mas a corrupção sempre existiu e duvido que pare por aqui, os métodos é que serão aprimorados e melhor encobertos para o escândalo não se repetir.O que falta no povo para a situação poder mudar [a:realmente] é a tão abandonada educação. [a:Só] com educação e conscientização poderemos mudar alguma coisa.Mas falar é fácil.Vários fatores sociais impedem que isso aconteça.Dentre a população miserável, marginalizada e com fome, não encontraremos quem queira deixar de trabalhar para comer, para estudar ou filosofar sobre a situação econômico-social do país.Alguma coisa tem que ser feita, e sem dúvida tem que começar por nós, [a:mesmo] sabendo que o resultado não virá tão cedo.Daqui a 20, 50 anos, quem sabe...
Parte escrita
1993

  • E: e... você estuda:: que curso?
    I: direito... na Cândido Mendes...
    E: qual... qual período... que você está?
    I: último ano... quinto ano...
    E: eh... Valéria... eu queria que você me contasse uma história que tivesse acontecido com você... e que você tenha achado ou engraçada... ou triste... ou constragedora...
    I: é... foi uma situação difícil... né? eu não sei... eu não sei onde que engloba isso... mas... eu fui a Petrópolis com uma amiga... que nunca tinha subido a serra... estava dirigindo há pouco tempo... ela “vamos? eu tenho que ir a Petrópolis... você vai comigo?” eu “tá bom... vamos...” aí fomos as duas e tal... chegamos lá... resolvemos o que tinha que resolver...na volta/ [a:bom] ... foi [a:tudo] tranqüilo...almoçamos lá... quando a gente está voltando...começa a chover assim... [a:torrencialmente] ...e fura o pneu... fura o pneu do carro dela... e a gente nunca tinha trocado pneu... nenhuma das duas...e aquela serra [a:totalmente] deserta... né? aí a gente encostou o carro assim do lado... o carro já foi puxando... que estava chovendo... estava derrapando... pô... o maior medo... né? meu coração assim disparado... aí a gente desesperada... tirando macaco... tirando pneu e... desatarrachando tudo... e fazendo a maior força... e não conseguia encaixar o macaco... o carro descendo porque estava na serra... o maior desespero... né? e o coração da gente a mil... e::...o carro [a:todo] aberto... caindo a maior chuva... a gente nem viu... aí o que que aconteceu? a gente... demorou ali um tempo... pra trocar o pneu... quando a gente trocou... foi tudo bem... demorou um pouquinho... né?aí a gente entrou no carro... estava [a:tudo] molhado... os papéis ((riso)) [a:tudo] molhado... o carro...a gente ent/ encharcada... aí... passou... a gente riu pra caramba depois... né? um susto danado... paramos (num) posto... pra ver se estava tudo... bem atarrachado e tal... aí o::... o mecânico falou que... não sabia qual o homem que tinha apertado aquilo ((riso))
    E: que estava de parabéns...
    I: é... que estava de parabéns... foi a Thelma... né? tem uma força danada... aí foi isso... aí a gente voltou... mas foi uma senhora experiência...
    E: foi a Thelma? aquela?
    I: foi... é...

  • E: eh::... e::... agora eu queria que você me contasse uma história... que tenha acontecido com alguém... algum amigo seu... seu pai... seu irmão... que você não estivesse presente... alguém te contou... e que você achou a história engraçada... [ou triste ou/]
    I: [ahn... ahn]... ah::... essa eu... eu me lembro sim... achei tão engraçada... foi um ami/ um noi/ não... um amigo de um amigo meu... que foi jantar na casa da noiva... aquele jantar assim... primeira vez e tal... oficializar o noiva::do... aí ele::... estava jantando e tal... ele... ele já não gosta muito de bife... de carne... aí estava lá... não conseguia partir o bife de jeito nenhum e tal... aí ele chamou a atenção do pessoal... pra uma outra coisa... entendeu? apontou assim pro outro lado da mesa... e ele viu que tinha uma janela atrás ((riso de E)) ele pegou o bife e tacou ((riso)) mas ele não reparou muito...a janela estava fechada... ((riso)) [a:sério] ... o bife saiu... bateu na janela... e começou a escorrer... grudou... escorreu... quando eu (ouvi) ele contando aquilo... cara... eu dei/ muito...foi [a:muito] engraçado ele contando...ele contando o que aconteceu com ele... cara... foi [a:muito] engraçado...
    E: e ninguém viu... que o bife/
    I: não... aí depois... todo mundo olhou... ele viu que o bife/ o bife ali... a família toda sem graça ((risos)) aí (é) o fim da história...
    E: e ele casou com a menina ou naquele dia acabou?
    I: não... não casou... não chegou a casar com essa não... foi casar com uma outra ((riso))

  • E: e::... agora eu queria que você me descrevesse... o local onde você mais gosta de ficar... na sua casa...
    I: descrever... eu estava pensando nisso... não/ sabe que eu não tenho... o meu quarto não é aquele... lugar que eu gosto de ficar... deveria ser... né? todo mundo é... fala que o quarto é o melhor lugar... que se acha... teu... né? e tal... mas... não sei... eu não...eu não sinto [a:muito] assim::...
    E: ah... eu acho que não precisa ser... assim não... pode descrever então o seu quarto ( ) ou a sala... o que você quiser... ( )
    I: eh... ah... eu gosto de ficar na sala...
    E: então como é que é a sua sala?
    I: como é que a minha sala? ((riso)) (ué)... tem dois... dois ambientes... né? uma tem a... mesa de jantar::... a outra tem a televisão... o sofá... a mesa... isso? mais? eh::... tem dois sofás grandes de três lugares... duas poltronas... uma mesinha de canto... uma mesa de centro... um aparelho de som já no outro lado... com a... com a mesa de jantar... uma varandinha... onde tem as minhas plantas que eu gosto... o que mais? tem um... um carrinho de chá que virou bar... duas caixas de som... só...

  • E: e::... agora eu queria que você::... me dissesse como é que você faz alguma coisa que você sabe fazer... ou alguma comi::da ou um jogo...
    I: ah:: o frango que eu fiz aí ficou... maravilhoso... o mousse também... daqui a pouco você come ((riso))
    E: como é... como é que faz... ou... ou o frango ou o mousse... como é que/ me diz como é que faz?
    I: ah::... o mousse é super fácil... coloca tudo no liqüidificador... eh::... são seis ovos... aí... bate bem... depois coloca::... um copo de açúcar... de requeijão... aí deixa batendo bem... depois um copo de... de chocolate em pó... de preferência Nestlé... que ele é mais forte... aí... deixa bater bem... depois um tablete de manteiga aí... des/ bate bem...depois é [a:só] colocar na forma e na geladeira... ou então no:: congelador... que eu prefiro...

  • E: e::... agora eu queria que você me dissesse a sua opinião... ou sobre a situação... política... ou econômica... ou da educação... no Brasil...
    I: das três?
    E: não... de uma... uma das três...
    I:eh... [a:só] se/ política...eu estou achando que agora está tendo uma abertura maior... né? a gente está... está vendo o que está acontecendo com o país... está/ tudo o que está acontecendo a gente está vendo...não é o que era [a:antigamente] ... onde... a gente não... sabia de nada...ficava [a:tudo] escondido... achava que/ não tinha informação... né?a verdade é isso... a imprensa tem/ eu estou achando que (está num) papel fundamental... na divulgação das coisas... né? que... pô... fulano roubou... a gente está sabendo... eh:: não sei quem foi preso...a gente está sabendo... [v:está] [s:tudo] [p:às] [article:] [a:claras] ...eu acho que o pessoal também está... com medo disso... aí eu acho que estão andando mais na linha...não é que [a:antigamente] não roubava... lógico que roubava... mas hoje em dia a gente está vendo que... quem rouba [a:mesmo] ...e::...quando rouba a gente sabe... e [a:antigamente] não acontecia isso... não podia se falar::... não podia/ tudo... tudo proibi::do... não podia ter uma opinião de na::da... ficava todo mundo mais alienado... hoje em dia eu acho que está melhorando... um dia a gente chega lá... eu tenho esperança ((riso))
    E: você... é a primeira otimista [que eu entrevisto] ((riso))
    I: [eu tenho... ] eu tenho esperança... sei lá... pode ser uma ilusão mas::... uma utopia mas::... que se eu não acreditar... fica um pouco sem sentido... né? vamos tentar lutar para melhorar isso aí...
    E: então tá... obrigada Valéria...
    I: [a:só] isso?
Parte oral
1993
  • Certa vez fui à Petrópolis com uma amiga que precisava resolver alguns problemas.Fomos de carro e ela que dirigia há pouco tempo, nunca tinha dirigido na Serra de Petrópolis.A ida foi tranquila, enfrentamos um pequeno engarrafamento na Av.Brasil, mas chegamos bem.Resolvemos o que tínhamos de resolver, nos achando as próprias “mulheres de negócios”, almoçamos e voltamos;a volta nos reservou algumas surpresas;já na descida da Serra o pneu dianteiro furou, a direção começou a puxar para a esquerda ea Thelma tentando levar o carro para o acostamento, [a:finalmente] conseguimos parar, descemos do carro e com um certo desespero que as duas fingiam não ter, começamos a “operação” troca de pneus.A Serra estava [a:totalmente] deserta, e os pingos de chuva que começavam a cair, logo se transformaram em um verdadeiro temporal.Aflitas e enxarcadas não conseguíamos colocar o “macaco” no lugar certo, depois de alguns tombos conseguimos suspender o carro.Retiramos o pneu furado, mas na hora de colocar o step, foi outro desespero o pneu não encaixava de jeito nenhum.A Thelma sentou no chão entregando os pontos, dizendo que o pneu não era aquele, mas com jeitinho ele encaixou e a Thelma usou toda a sua força (que não é pouca) para apertar os parafusos.Depois de todo o sufoco entramos no carro que estava inundado;nos esquecemos de fechar os vidros;e continuamos a viagem até parar em algum posto para ver se estava tudo certo.Chegando ao Rio olhamos uma para a cara da outra e rimos aliviadas.
  • Um conhecido meu foi jantar na casa da noiva, era o primeiro jantar com a família toda reunida, foi servido bife, sendo que o Ricardo não gostava muito de carne e ainda por cima o bife estava duro, que mal dava para partir.Atrás do Ricardo havia uma janela, aproveitando a oportunidade em que todos olhavam em sentido oposto, não pensou duas vezes, fincou o garfo no bife e o arremessou para trás,ele [a:só] não contava com a janela fechada.Foi uma vergonha, quando todos viraram para frente e viram a janela suja de gordura e o bife no chão,o Ricardo [a:só] quis abrir um buraco no chão e se enfiar.Não sei se foi por isso , mas o Ricardo não se casou com a Roberta.
  • O lugar da minha casa em que gosto de ficar é a sala.Há dois ambientes, num fica a mesa de jantar, o aparelho de som e um carrinho de chá, que serve de bar.No outro lado tem a televisão, dois sofás e duas poltronas, uma mesa de centro e uma de canto, um abajur e, para finalizar uma varanda com as minhas plantas.
  • O que sei fazer e é [a:muito] fácil é mousse de chocolate.A receita é [a:muito] simples: Colocar no liqüidificador: 6 ovos inteiros, bater bem.1 copo(requeijão) de chocolate Nestlé (porque é o mais forte) 1 copo(requeijão) de açúcar 1 tablete de manteiga sem salBater bem, depois é [a:só] colocar em uma forma de tamanho médioou em forminhas e colocar na geladeira.Obs.: O pessoal aqui em casa prefere que vá ao congelador em vez de ir à geladeira.
  • A respeito da situação política do País, acho que as pessoas estão se conscientizando de que cada um, é, de algum modo, responsável pela “vida” do País.Os meios de comunicação perceberam a arma que tem nas mãos e com a dita democracia ficou mais fácil deles desempenharem a função de informantes, que informam o que as pessoas estão interessadas em ser informadas e não aquela “incheção de linguiça” que não nego ainda existi, mas que a cada dia que passa vem sendo mais criticada,acho que as pessoas estão mais acordadas, [a:principalmente] os jovens, que foram às ruas e tiveram a sensação de tirar um Presidente do governo.Hoje, a sujeira [v:está] mais [p:as] [article:] [a:claras] , todos ficam sabendo.Antes quando tudo era mais censurado, as coisas aconteciam mas ninguém ficava sabendo.Tenho esperança de que um dia as coisas entrem nos eixos, que esta tão falada moralização, [a:definitivamente] imperee tenho certeza de que se todos fizessem sua parte seria bem mais fácil, faço a minha, mas sei que posso fazer mais.Acho que é por aí.
Parte escrita
1993

  • E: Carlos... conta pra mim uma história que tenha acontecido com você... que seja interessante...
    I: eu ia tocar no GREIP no IAPI... e:: fui pra lá cedo pra arrumar o... equipamento... mas/ eu ia tocar com:: um/ com as caixas de som de uma equipe... e eu:: fui pra lá cedo armei as coisas... e desde o começo a equipe de som ficou pro/ me provocando... querendo que eu tocasse Brasileirinho na guitarra e essas coisas assim... querendo mos/ que eu mostrasse que eu sabia tocar guitarra... aí:: eu passei o som... testei a aparelhagem toda... e um pouco antes de começar o show a gente passou o som mais uma vez... o som estava perfeito... aí:: um pouco antes de... de eu me apresentar... a Transamérica fez uma destribuição de brindes lá... aí::... eles rebentaram os fios... da/ do equipamento... e o som não ficou bom depois que nós fomos/ que eu fui tocar... porque::.. so/ os... cabos estavam todos rebentados... estava dando curto... e aí eu/o som ficou total/ [a:totalmente] distorcido... e se:: a Transamérica não tivesse distribuído os brindes antes... subido no palco... pisado nos fios... as pessoas iam gostar do show que eu fiz... porque... foi legal...
    E: ahn... ahn...

  • E: Carlos... agora conta pra mim uma história que tenha acontecido com alguém... que seja interessante...
    I: meu pai estava andando... ele morava no outro lado da Penha... e:: ele estava passando por... por baixo da pa... da passagem subterrânea do trem... aí dois caras... um escuro alto... forte e um branco também alto... forte... esbarraram nele... e ele anda com aquelas capangas... aí:: a capanga caiu no chão... abriu... os documentos... dinheiro ficou tudo espalhado no chão... e eu/ ele abaixou pra... catar os documentos... quando ele abaixou... os caras falaram que era um assalto... aí pegaram o dinheiro... a conta de luz... tudo que tinha... juntaram... colocaram na capanga e levaram a capanga embora... e aí meu pai foi pra casa... falou que tinha sido assaltado... aí eles resolveram ir na polícia... né? pra dar queixa... e depois teve todo trabalho de... pedir segunda via de documento... de conta de luz... de conta de água... e ficou sem o dinheiro... era o dia de pagamento...

  • E: Carlos... agora conta/ eh... descreve pra mim o lugar... onde você mais gosta de ficar...
    I: o lugar onde eu mais gosto de ficar é num estúdio que eu tenho aqui em casa/ que eu tenho em casa... que:: lá tem uma bateria... assim... na frente da janela... uma caixa de som no canto... e tem umas estantes com os livros... porque antes... ali não era um... um es... um estúdio... era uma biblioteca... e o som fica abafado pelos livros também... porque tem muitos livros... tem duas estantes uma em cada canto da parede... e aí embaixo da janela fica a bateria... em frente a caixa de som... e aí a gen/ e:: eu armo os pedestais com microfone... pedal e a guitarra e ensaio lá... lá é o lugar que... eu mais gosto de ficar...
    E: valeu...

  • E: Carlos... agora conta pra mim... o que você sabe fazer e como que se faz isso...
    I: eu..eu sei fazer pizza... preparo desde a massa... né? [a:bom] ... [a:primeiro] você pega um copo...de mais ou menos... duzentas e cinqüenta gramas de leite... e despeja numa panela... e bota pra fi/ pra esquentar... né? aquecer... aí você deixa aquecer até uma certa temperatura mais ou menos... e aí despeja o fermento biológico... né? aquele fermento quadrado... aí você dissolve o fermento... e depois acrescenta mais ou menos duzentos e cinqüenta gramas... trezentas gramas de farinha de trigo... e aí você mistura até ficar consistente... depois você desliga o fogo... e despeja essa massa... essa mistura... numa... numa... bandeja... né? e aí essa bandeja tem que estar com óleo antes... untada... e você vai jogar... vai começar a misturar e acrescentar mais um pouco mais de farinha de trigo... até a massa ficar... bem consistente... aí você mistura... tira a massa de cima da... da... da tigela que você pôs... né? na forma... passa mais óleo na forma pra ela toda... pra pizza não grudare depois estica com a mão [a:mesmo] ... em cima da pizza... aí coloca molho e queijo... como prefirir...

  • E: valeu... agora:: descre/ eh... o que você acha da crise educacional?
    I: eu acho que:: os professores são mal renumerados... e:: eles... perdem um pouco do interesse... pelo/ da forma de ensinar inclusi/ e também pela falta de material didático... mas eu acho que isso... as pessoas não podem levar tanto em consideração a questão do salário... eles tinham que levar em consideração que... poxa... eles escolheram aquela profissão... eles têm que/ tá certo... o salário está ruim... mas eles têm que trabalhar... pra melhoria daquela profissão... porque eles estão formando profissionais do futuro... entãoé importante que eles trabalhem... [a:mesmo] com condições precárias... que eles procurem... passar a matéria e trazer uma/ um ensino de boa qualidade pras pessoas... pra no futuro melhorar a situação...
    E: valeu...
Parte oral
1993
  • Eu fui tocar no GREIP no IAPI cedo para acertar o som.Desde o princípio os técnicos da equipe de som queriam que eu provasse que eu sabia tocar.A passagem de som foi perfeita, mas a Transamérica subiu ao palco para distribuir brindes e camisetas e todos os cabos que estavam no palco foram rebentados pelas pessoas que dançavam no palco.Quando subimos no palco para tocar,o som estava [a:completamente] distorcido, por isso não agradou as pessoas.Eu esperava que a equipe colaborasse mas talvez pelo medo que o som das guitarras estourasse os alto-falantes.
  • Meu pai vinha andando para casa e tinha que atravessar uma passagem subterrânea, quando estava atravessando dois homens sendo um branco e alto bem vestido e um mulato alto, que esbarraram e derrubaram a capanga no chão e expalharam o dinheiro e documentos do meu pai.Quando ele se abaixou para apanhar os homens disseram que era um assalto e levaram tudo.Depois o meu pai teve de pedir segunda via de todos os documentos.
  • O lugar onde eu mais gosto de ficar é o estúdio em que eu ensaio com a minha banda.Tem duas estantes com livros que ajudam a abafar o som, uma de cada lado, em baixo da janela fica a bateria e em frente ao lado da porta duas caixas de som que amplificam o som da voz e das guitarras.
  • Pizza.Pego um copo de 250ml com leite e sal, leva-se ao fogo e depois acrescenta-se um tablete de fermento biólogico e depois 250g de farinha de trigo, mistura-se até obter a consistência certa.Coloca-se a mistura em uma forma com óleo depois acrescenta-se mais farinha de trigo, até que a massa fique sem grudar.Retira-se a massa da forma, coloca-se óleo por toda a forma e estica- se a massa.
  • Devido à baixa renumeração os professores perdem um pouco do estímulo para dar aula mas é preciso que do material didático, os professores tem que perceber que eles constroem o futuro e é preciso que esse serviço seja bem feito.O problema do material didático é [a:muito] importante, porque a forma como a matéria é passada interfere na aprendizagem se você se utiliza de material que chama a atenção do aluno.É preciso que os professores e os alunos tenham interesse em ensina e aprender para que a aprendizagem fique completa.
Parte escrita
1993

  • E: eu estou aqui com a Claire... do... Colégio Estadual Gomes Freire de Andrade... Claire... eh... conta pra mim... uma história que tenha acontecido contigo... e que você tenha... achado engraçado... ou triste... ou constrangedor...
    I: eu vou contar uma história que eu achei triste... foi uma/ um caso que aconteceu... há uns três anos atrás... foi a minha primeira experiência com relação a namorado... eu conheci uma pessoa... o Alexandre... eh...ele mora na minha rua [a:mesmo] ... aí/ [a:só] que nós nunca tivemos contato... de re... de repente ele começou a freqüentar... mais assim... a minha casa e as minhas amizades... ele... na época... ele tinha de/ eh... quase dez anos mais velho do que eu... eu tinha quatorze anos... aí nós come/ eh... nós passamos a conversar num... num dia qualquer... numa sexta-feira à noite... aí ele começou... a me reparar... e eu reparar ele... aí nós ficamos conversando... ele falou que... me admirou muito... ele falou que eu não parecia que eu tinha quatorze anos... que eu tinha mentalidade/ a mentalidade mais... eh... menta... mentalidade mais... avançada... e que... eu... eu... eu me destacava... eh... das minhas ami/ das minhas colegas... aí nós começamos a sair... a passear... ele me... me contava sobre as experiências dele... sabe? me colocava nas alturas... dizia que eu era... a garota dele... a garota da vida dele... e nisso tudo...eu [a:só] me iludindo porque eu não conhecia nada da vida... não conhecia a opinião dos rapazes... nem nada... então aquilo pra mim era uma experiência nova... a primeira na época...então aquilo tudo foi [a:muito] bonito pra mim... era fantástico... tinha um brilho... eu não tinha o quê? malícia da vida ainda... eu não tenho muito agora mas naquela época... aí aconteceu o quê? eu comecei a me envolver com ele... meu pai/ meus pais... meus pais descobriram... não gostavam dele... e tudo foi passando... tudo bem... foi correndo... ele dizia que me/ gostava muito de mim... que queria continuar... sabe? falava que não tinha importância o que meus pais achavam... que o nosso:: sentimento era maior do que tudo... foi quando:: um dia... assim à tarde... eu descobri que ele estava dando em cima de uma amiga minha... mas aí as pessoas me contavam que ele estava... eh... a fim de sair com ela... mas eu não acreditei nem nada... pra mim ele era... sabe? um deus... sabe? uma pessoa que eu só... idealizava...eu não pensava nos defeitos dele... [a:só] nas qualidades... foi quando... ele/ as pessoas tentaram abrir o meu olho... e eu nem liguei pra ninguém... (as opiniões dos outros) achava que ele era o certo e acabou... aí com o tempo... essa minha amiga também começou a gostar dele... e eu não sabia... aí ficou naquela rivalidade entre meu sentimento e o dela... ela também era uma pessoa legal... minha melhor amiga... ela era uma pessoa... carinhosa... amiga... entendeu? não tinha porquê ele... gostar assim de mim... e não ver as qualidades dela... mas aí... como é que está? o sentimento dele não era verdadeiro... entendeu? ele não gostava de mim... ele gostava mais... eh... de... sair com garota bonitinha... porque na época eu era uma garota bonita... entendeu? eu tinha/ estava assim (em contato) todo mundo queria sair... e tal... então isso/ e o interesse dele era esse... entendeu? de sair... de tirar onda comigo... pela minha beleza...e não pela o que a pessoa/ pela pessoa [a:mesmo] que era dentro de mim... o meu sentimento ele não ligava... foi quando num dia ele... falou assim “ah... vamos dar um tempo...” eu “tudo bem...” uma semana depois... ele começou a dar em cima dessa minha amiga... ela chegou pra mim... falou pra/ falou o que estava acontecendo... nisso nós demos um tempo... não chegamos nem a terminar... eu falei assim “não... tudo bem... você faz o que der na sua cabeça...” foi quando depois de um tempo... ele pegou e saiu com ela... ficou com ela... namorando ela... aquilo pra mim foi um choque... foi uma desilusão... e... até isso influenciou tanto... que até hoje eu não consigo gostar de ninguém... sabe? o meu sentimento sempre ficou... eh... com um pé atrás... quando eu gostar de uma pessoa... a pessoa tenta se aproximar de mim eu me fecho... por causa disso... ((pigarro)) foi uma das minhas desilusões... amorosas... ((tosse)) e isso não foi nada... porque... depois disso... quando ele começou a sair com ela... as barbaridades que ele falava de mim... sabe? coisas que tinha acontecido nossas... ele começou a falar pra todo mundo... revelar... coisas que não tinha acontecido também... ele... ficou falando pra todo mundo... revelando... hoje em dia eu acho que ele é o meu maior inimigo... eu não falo com ele... entendeu?e eu acho que... isso foi uma coisa [a:muito] importante na minha vida... que eu não consigo esquecer nunca...
    E: tá ótimo...

  • E: ô::... Claire... eh... conta pra mim agora... eh... alguma coisa que alguém tenha contado pra você... e que você tenha achado engraçado... ou triste... né? ou constrangedor... algo que você queira falar...
    I: bem... hoje eu vou tirar o dia para falar de coisas constra/ constrangedoras... né? o que aconteceu... foi com uma amiga minha... ela... namorava um rapaz... há/ namorou um rapaz há três anos... eh... um menino... (eu não sei) não posso revelar... aí... ela/ é aquilo... maior paixão... entendeu? mas... tinha uma coisa que... sempre... implicava com eles dois... não sei o que era... eu acredito muito em destino... sabe? eu acho que... as pessoas... eh... quando têm o destino traçado... é aquilo... aí ela namorou ele/ ela namorou esse rapaz há três anos... ela desmanchou com ele... ficou com outro menino... e esse menino... era um cara legal também... mas a paixão da vida dela... era o... menino/ primeiro namorado dela... o que aconteceu? ela... se envolveu de/ bastante com esse segundo namorado... esse namorado dela... dava valor a ela... gostava dela... e ela teve/ acabou tendo um filho... filho não... engravidou... aí com o tempo ela pensou... ficou pensando que/ no que seria na vida dela... como é que seria a vida dela a partir... dessa gravidez... quando e/ ela tivesse bebê... os pais dela... os pais dela são o quê? são uns cara/ eles dizem ser liberais... os pais dela... mas eu acho que não... quando a/ se ela colocasse o problema em questão... falasse que estava grávida... eu acho que ia mudar muito a situação... aí foi quando ela decidiu tirar... ela chegou pra mim/ e pior não é nada... pra ela chegava pra mim... ela passava uma imagem pra mim... assim... de uma menina... uma menina pura... sabe? que não pensava nessas coisas... então quando ela chegou pra mim e falou assim “Claire... eu estou grávida...” foi um impacto... sabe? foi um susto pra mim... eu não esperava isso dela... essa assim... essa...essa re/ a minha reação foi... [a:totalmente] ... como vou dizer? foi... surpresa...fiquei surpresa... pasma... não sabia o que falar... e ao mesmo tempo eu não sabia o que dizer... se ela tirava a criança... que uma/ uma pessoa que não tem nada a ver... vai... vai vir ao mundo... né? e não tem culpa... do que... os pais fizeram... é uma conseqüência... né? mas ela/ a criança não... não tem culpa... então eu falei assim “olha... Nice tem que/ você tem que pensar bastante... no que vai acon/ no que vai acontecer no seu futuro... no que vai ser da sua vida depois que você tiver a criança...” porque ia mudar muito...os hábitos dela iam [v:mudar] [a:totalmente] ... as/ totalmente... e... a vida dela... poxa... ela não ia mais poder sair... não ia poder fazer mais nada... foi quando ela pensou... ela achou a melhor solução tirar... e tal ... já co/ como ela... era minha amiga... é minha amiga hoje em dia ainda... eu dei apoio a ela... eu falei assim “olha... você faz o que você achar melhor...” ela tirou... aí... esse va/ esse menino que ela namorava... eh...eles decidiram/ [a:mesmo] depois que ela tirou a criança... eles decidiram se casar... aí depois de um tempo eles ficaram noivos... quando chegou na/ perto do casamento... estava tudo preparado... tudo pronto já... a casa dela todo... eh... pronta... formada... o vestido comprado... ela desistiu do casamento... não quis mais casar... aí ficou sozinha... e quem acabou/ e acabou voltando pro Leonardo... esse/ o primeiro namorado dela... aí... o que aconteceu? ele/ ela contou tudo o que tinha acontecido... e... aí ele falou pra ela que não tinha problema do que tinha acontecido... sobre gravidez... isso não ia influenciar em nada... então é por isso que eu acredito nessa coisa de destino... entendeu? porque ela tinha no final que casar com esse primeiro namorado e acabou... casando... porque eles ficaram noivos e tal... e acabaram casando... esse segundo namorado dela não ligou... tal... falou... essa história durou o quê? durou uns seis ano... uns seis anos... seis ou sete anos... hoje em dia ela está bem... ela está com... o primeiro namorado dela... o que foi o primeiro... casaram... estão super bem hoje em dia... estão morando... numa casa afastada... ela tem filho... filhos... hoje em dia ela pode dizer que ela... que ela fez uma escolha certa... entendeu? em te/ em ter abortado o primeiro... porque ela não ia dar uma vida legal pra criança...então eu acho que [s:ela] [v:fez] [a:legal] ... foi uma coisa... interessante...
    E: tá bom Claire...

  • E: eh... agora... conta pra mim/ fala pra mim sobre o local... onde você mais gosta de ficar... descreve esse local pra mim... por favor...
    I: um lugar que eu gosto muito de ficar é no meu quarto... eu me sinto super à vontade nele... eh... ele é pequeno... ele é claro... ele é pintado de branco... tem cortinas fechadas... que eu adoro cortina no quarto escurinho... aí tem um abajur do lado... eu adoro abajur também... eh... então... eu pro... procuro fechar ele todinho... entendeu? aí eu ligo o ar condicionado... eu ligo televisão... eu ligo... às vezes... o... som...eu adoro ficar nele... porque é um lugar super restrito... super reservado... bem meu [a:mesmo] ... e ele é pequenininho... ele tem carpete no chão... é super aconchegante... adoro ficar deitada... ele tem almofadas grandes assim no canto... às vezes eu cismo de mudar a cortina pra rosa... mudar tudo pra rosa... mas ele é super gostoso... eu adoro ficar no meu quarto... às vezes eu troco até ficar na rua... sair com as colegas...só pra ficar dentro dele... adoro ele [a:mesmo] ...
    E: tá bom...

  • E: eh... agora conta pra mim... o que você sabe fazer... explica pra mim...
    I: uma coisa que eu sei fazer super bem é fazer unha... sabe? a ver/ elas já nasceram feitas... mas... ((riso de E)) eu adoro é... pintar... sabe? às vezes eu fico no... meu quarto... que eu gosto de ficar também... e... procuro fazer a unha... a primeira coisa que... eu fa/ que eu pego... é tirar/ pegar na acetona e tirar o esmalte que está dentro dela... dentro de/ está na unha... esmalte velho fica sempre um... pedacinho... aí eu vou... pego o sabão... coloco... na água... no potezinho... a água está no pote... aí eu mexo... faz aquelas borbulhinhas assim... eu vou e coloco os dedos... aí fica um tempo... deixa de molho... aí quando a minha cutícula já está bem mole... eu vou... pego o alicate... que está amolado... tiro a cutícula... bem tirada... sabe?eu [a:só] não sei tirar muito da mão esquerda... mas eu quebro o galho... aí vou/ depois disso... eu enxugo a minha mão... bem enxugadinha... e lixo... pega uma lixa de unha... aquela assim comprida... sabe? lixo... lixo todos os dedos... não... quer dizer... a unha... passo::... esmalte... eh... incolor [a:primeiro] uma base... depois deixo secar... aí quando seca... eu vou... pego um outro esmalte... passo... um mais escuro... eu gosto muito é de vermelho...aí depois disso eu deixo [v:secar] [p:de] [a:novo] ... quando já está seco... eu vou pego um... uma espátula... uma espátula não... um pau-de-laranjeira... tiro o que ficou na beiradinha... pra ficar a unha bem... bonitinha... perfeitinha... aí quando eu deixo... deixo secar... deixo um tempo... deixo assim uns... dez minutos... aí quando seca... eu coloco um óleo secante... pra não entrar nenhuma poeira na minha unha... é assim... simples...
    E: não tira nenhum bife nem nada não... né?
    I: não...
    E: tá bom...

  • E: e::... Claire... agora pra terminar... eu quero que você... dê a sua opinião pra mim... ou sobre... amizade... namoro... vocação... vestibular...
    I: eh... eu vou falar sobre a minha família... sobre os meus pais... o que eu acho deles... como eles me tratam... bem... eu tenho uma família... pequena... ela é composta pelo meu pai... pela minha mãe... pelo meu irmão... eu tenho um irmão pequeno de... dez anos... eh... o meu irmão não influencia em nada... a minha mãe é uma pessoa super legal... sabe? ela... é uma pessoa que conversa comigo... é minha amiga... ela... me amostra sempre a realidade da vida... ela nunca... ela nunca... esconde nada de mim... né? tenta ver o melhor pra mim... me amostra a vida como ela é... entendeu? o meu pai não... o meu pai já é uma pessoa... ah... ele... já...é uma pessoa [a:muito] fechada... e... triste...porque a juventude dele... a criação dele... foi uma coisa... foi uma coisa/ como é que eu vou dizer? eh... ele foi criado/ os pais dele por um clima de... autoritarismo... entendeu? meu avô era autoritário... ele não via a justiça... sabe? entendeu? ele foi criado no Norte... no interior... então aque/as pessoas do interior [a:geralmente] têm uma mente mais fechada... entendeu? são uma pessoa tipo... entre aspas... ignorantes... né? entendeu? então é isso que o meu pai ( ) uma visão assim da vida... então é isso que ele passa pra mim... eu não acho certo... ele acha que... ele acha que a pessoa tem que estudar... trabalhar... entendeu? ele não vê nada... ele não conversa comigo... ele não amostra os pontos de vista dele... a minha família... nesse ponto... eu acho que é... errada... entendeu? porque eu acho que o meu pai... ele tinha que conversar mais comigo... ele tinha que me amostrar mais os fatos... é isso que eu acho errado... às vezes eu fico revoltada com isso... ele sabe criticar... criticar... me criticar... me recriminar... dizer que eu estou errada... entendeu?é isso que eu acho da minha família... que eu não acho que é um exemplo... [a:só] isso...
    E: tá bom... Claire... obrigada pela sua entrevista... tá?
    I: de nada...
Parte oral
1993
  • Esse fato ocorreu há três anos atrás, eu tinha apenas quatorze anos e era ainda inexperiente em relação à vida aqui fora.Conheci um rapaz dez anos mais velho, em consequência de sua idade ele obtia mais experiências do que eu.Ainda não tinha malícia e aos poucos eu fui me envolvendo numa relação e acreditando numa pessoa pela qual eu não tinha o menor conhecimento, ou seja, não sabia quais eram as suas intenções.O tempo foi passando e eu ficava cada vez mais apaixonada, ainda não sabia que no interior de muitos humanos havia o sentimento de falsidade, infidelidade, interesse...Sem saber, eu me iludia.Até que um dia ele resolveu se revelar dando em cima da minha melhor amiga, ela também estava envolvida na conversa dele e caiu na mesma cilada.Ela não teve culpa pois também estava [a:subitamente] apaixonadae eu tive que entender.Foi ruim, mas a nossa amizade superou e continuou, graças a Deus.Ele sumiu e eu nunca mais tive notícias dele.Esta experiência foi proveitosa pois [a:atualmente] eu reflito bastante antes de tomar qualquer decisão.
  • Aconteceu com uma amiga, que aos doze anos conheceu um menino, no início ela pensava ser um namoro de criança e deixou o tempo correr.Eles se separaram depois de três anos de namoro, e então ela conheceu um outro rapaz, este namoro foi diferente, pois ambos tinham mais idade e obtiam outros desejos e pensamentos.Por consequência do destino ela engravidou, ficou em dúvida ao resolver o paradeiro da criança.Resolveu não tê-la, depois de um tempo ela e o namorado ainda pretendiam se casar (apesar do aborto). [a:Só] que dentro dela alguma coisa havia mudado, o sentimento dela não era mais o mesmo.Com quase tudo pronto, ela desistiu do casamento.Ficou um tempo sozinha, até que num dia qualquer, numa hora qualquer, ela deparou-se com o seu primeiro namorado.Alguma coisa ascendeu, disse ela.O sentimento tinha retornado e foi aí que eles resolveram se unir.Hoje em dia,eles estão [a:muito] bem casadose com dois filhos lindos. [a:Só] pode ser coisa do Destino.O que tem que ser, será.
  • Sou uma pessoa super individualista, então não gosto de dividir o que é meu, por isso escolhi o meu quarto.Ele é branquinho, tem cortinas escuras, tem televisão, ar condicionado, som, tem almofadas, carpetes, é pequeno mas é super aconchegante.Se eu estiver com vontade de arrumar eu arrumo, caso contrário eu deixo-o como está.Tem uma cama, um guarda-roupa e um abajour.O que eu mais gosto é do espelho, adoro ficar me olhando, experimentando roupas...As vezes cismo de colocar cortinas rosas, colcha rosa, tudo rosa.Eu me sinto super bem nele.
  • O que eu sei fazer bem.É pintar as unhas. [a:Primeiramente] eu coloco-as de molho numa bacia com água e detergente.Deixo uns minutos, depois eu tiro a cutícula, limpo, tiro o restinho de esmalte, passo base, deixo secar,depois eu passo esmalte e deixo [v:secar] [a:novamente] . [p:Por] [a:último] , eu coloco óleo secante para a sujeira não fazer estragos.
  • Minha família é pequena e composta por quatro pessoas;eu, meu pai, minha mãe e meu irmão.O meu irmão tem dez anos,é um saco e [a:só] serve para me chatear.A minha mãe é super legal, é amiga, carinhosa, às vezes exigente...Ela é bem liberal e procura sempre me abrir os olhos em relação ao mundo.O meu pai que é radical, e muitas vezes antiquado.Tem idéias absurdas, acha que tudo está errado, o mundo está perdido.Apesar disso os meus pais [a:só] visualizam o meu beme querem o melhor para mim, por isso que às vezes eles impõem tantas regras.Eu os amo e é isso que importa.
Parte escrita
1993

  • E: eu estou aqui com a Cristina... do Colégio Estadual Gomes Freire de Andrade... Cristina... conta pra mim... uma história que tenha acontecido contigo... e que você tenha achado triste... ou engraçado... alguma história que você... queira contar...
    I: [a:bom] ... eu vou contar... um dia que fomos eu/ fomos eu e um grupo de amigosà uma festa dark... então o combinado era todo mundo ir de preto... vermelho... ou roxo... então como eu era... a chefe da turminha...eu combinei de ir [a:toda] de couro... [a:totalmente] darkcom os olhos/ com a maquiagem bem sinistra... e nós íamos de ônibus... e a minha mãe foi até acompanhando a gente porquenós íamos voltar [a:muito] tarde... então nós pegamos/ a festa se não me engano era em... Madureira... e nós ficamos/ tínhamos que pegar o ônibus era umas oito da noite... então todo mundo estava na porta na hora exata da gente ir... [a:só] que caiu um temporal terrível... então nós fomos naquela... naquela... naquela zoeira já... eh... cantan::do na... na chuva... que todo mundo saiu molhado... então quando chegamos no ônibus... estava todo mundo molhado e todo mundo gritando muito... e com aquelas roupas super sinistras... quando entramos... todo mundo levou um susto... pensou que fosse algum assalto ou alguma coisa parecida... então quando eu entrei... co/ estava todo mundo... mais... mais calmo... eu tinha que agitar o negócio... então todo mundo ficou olhando pra mim... aí todo mundo começou a es/ a:: esconder o relógio... esconder o brinco... anel... dinheiro... e... na hora que eu sentei do lado de um senhor... ele começou a olhar pra ver se eu estava segurando alguma arma... eu não agüentei... eu comecei a rir... aí eu comecei a conversar com o pessoal... sobre... outras coisas... sobre escola...pro pessoal entender que ali era [a:só] uma turminha...que estava todo mundo indo [a:só] a uma festa... foi interessante pra caramba... pra voltar a mesma coisa...já estava todo mundo [a:meio] bêbado... e... todo mundo escondendo... quando chegava perto de mim... pensavam que eu ia assaltar... que era algum sinal... que era alguma coisa... foi terrível...
    E: tá bom... Cris...

  • E: agora... conta pra mim uma história... que alguém tenha contado pra você... e que:: tenha sido engraçado... triste... constrangedor...
    I: eu vou contar... sobre um assalto... de uma amiga que a/ da minha mãe que ela... sofreu... ela estava com a irmã dela... ela já é uma senhora... ela estava com a irmã dela e ela freqüenta muito a Universal... se eu não me engano ela estava indo pra igreja... quando ela chegou no ônibus... ela... sentou a/ no lado de trás... e... estava esperando... dar um certo um certo lu/ local... pra ela... pra ela atra/ atravessar a roleta... quando ela estava ali... chegou um... um senhor também e sentou do lado dela... e um outro rapaz... esse rapaz estava com uma arma... e começou a olhar... por ela... porque ela tem jeito de que tem dinheiro... começou a olhar as jóias... essas coisas... aí... ela estava separando o dinheiro... quando ela estava tentando se levantar ele amostrou a arma e falou “você senta aí eu quero/ eu vou te assaltar... vo... você vai passar o relógio... as jóias...” ela olhou pra ele...ela [a:só] fez assim “está amarrado em nome de Jesus...”aí ela puxou a irmã dela... a irmã dela morrendo de medo no meio do/ “ai... meu Deus... eu vou morrer agora...” aí ti/ ela passou... atravessou a roleta... ela nem pagou o ônibus... ela desceu... aí ela falou “desce que eu vou ser assaltada e está amarrado em nome de Jesus...” ( ) o cara falou “pode deixar que essa é maluca... deixa ela passar...”
    E: tá bom... Cris...

  • E: agora... descreve pra mim um local... onde você mais gosta de ficar...
    I: eu gosto de ficar no meu quarto... ele é... ele é pequeno... ele tem carpete... tem um beliche... e o beliche é da cor escura... e nós/ o meu irmão também... é o quarto do meu irmão... então nós botamos no/ na parede... tem/ é cheia de quadros... de... de hevy metal... falando sobre hevy metal... grupos de rock... e as cortinas são bem escuras... e ele... quando/ é bom porque a gente fica ali... e... é a nossa cara... tem o som... que fica/ tem lugar pra gente... botar a guitarra... tem lugar pra gente botar o violão..
    E: tá bom...

  • E: eh:: agora eu quero que você diga pra mim...algo que você saiba fazer [a:muito] bem...eu quero que você me explique...o que você sabe fazer [a:muito] bem...
    I: a única coisa que eu sei fazer bem é gelatina... eu deixo/ eu boto um pouquinho de água pra ferver... e:: aí eu de/ quando a água ferve eu pego... o saquinho de gelatina... despejo no/ despejo num vasilhame... boto um pouquinho de água fervendo... boto um pouco de água gelada... aí eu... misturo tudo quando estiver/ está bem misturadinho... eu boto no congelador... deixo um tempo... depois eu tiro boto na geladeira... e quando está gelada... todo mundo come...
    E: tá bom...

  • E: e... pra terminar... Cris... eu quero que você me dê a sua opinião sobre família... sobre namoro... alguma coisa...
    I: eu vou falar sobre a minha família... que é bem diferente... é::... é uma coisa... como é que eu posso explicar? é:: diferente...porque eu não sinto mais família [a:exatamente] ...não [a:só] na minha... mas como muito/ muitas pessoas eu já não sinto mais família... eh... parentesco não tem mais nada a ver... o meu avô... por exemplo... um mora comigo... o outro nem sabe que eu existo... a minha mãe... ela cuida de mim... mas também às vezes já até com excesso de obrigação... [a:só] ... o meu pai... [a:muito] [a:raramente] eu falo com ele...porque [s:ele] se [v:casou] [a:novamente] ... e... eu não sei muito dos meus irmãos... eu não sei muito do meu pai... então eu acho que... esse/ coisa sobre família... é... é difícil a gente ter mais esse amor que a gente tinha de antes... não tem mais essa junção com as pessoas... nã...não é/ é [a:só] como um termo de obrigação... e isso é difícil... é ruim... uma coisa... chata...
    E: tá bom... Cris... obrigada... tá... pela sua entrevista...
    I: de nada...
Parte oral
1993
  • Aconteceu comigo...Um dia eu e meus amigos fomos convidados à irmos a uma festa Dark de um amigo nosso que estava aniversariando.O traje da festa era acarater, isto éteria que ser [a:totalmente] preta e quanto mais funebre melhor.Então eu me vesti com uma roupa bonita mas estranha, fiz um penteado esquisito etc...resumindo fiquei bem sinistra, e [a:igualmente] todos os meus amigos.Quando estavamos indo para a festacomeçou a chover muito, tipo temporal [a:mesmo] , ecomo eramos um número de 15 pessoas resolvemos [v:ir] [a:juntos] , todos de ônibus.A chuva ajudou a piorar muito o meu aspecto, e fomos todos para o ponto do ônibus.Quando o onibus foi chegando, nós também íamos chegando no ponto e foi aquela correria para não perdermos o onibus.Eu gritava muito chamando os amigos e tentando segurar o motorista parado até o último amigo subir.Quando subimos todos a algazarra era total.Todos de preto, eufóricos e tentando pagar a passagem, pulando a roleta um horror.Eu passei e sentei ao lado de [s:um homem] que [a:imediatamente] começou a [v:arregalar] os olhos para mime [v:esconder] a carteira e o relógio tão [a:rápido] que achei-me surpresacom o pavor que assola o nosso estado.Então sentí que todos os outros passageiros estavam apavoradose [a:só] se acalmaram quando perceberam que era uma turma de bons adolescentes de bem com a vida.
  • Isto aconteceu com uma amiga minha.Certo dia uma amiga minha pegou sua irmã e foi fazer umas compras na Tijuca.Pegaram o onibus e sentaram-se no banco de tras. [s:O onibus] [v:corria] [a:normalmente] e a certa altura sentou um homem ao seu lado.A minha amiga viu 2 lugares na frente e abriu a bolsa para pegar o dinheiro da passagem, até que o homem em voz baixa chamou a sua atenção, mostrou-lhe uma pequena arma e disse para ela passar para ele, o dinheiro, relógio e pulseira. [s:Ela] não sabe como fez, mas olhou para ele e bem [a:alto] [v:berrou] :Esta amarrado, em nome de Jesus!Pegou a mão da irmã, passaram a roleta, não pagaram e pediram ao motorista que parasse, saltaram e deixaram todos sem entender nada, até o ladrão.Isto em questão de segundos.
  • O lugar que gosto de ficar.É o meu quarto.Ele é pequeno, foi pintado [a:recentemente] , tem o meu armário, minha cama e nas paredes ha varios posteres de bandas de Heve Metal, a cortina é escura e tampa toda a janela.Eu fico lendo no quarto, toco meu baixo e etc...É bem minha cara, [a:mesmo] .
  • O que eu sei fazer bem. [a:Primeiro] coloco 1 copo de água para ferver, misturo nesta água a gelatina, coloco agora 1 copo de água gelada e açucar.Logo após levo a geladeira.
  • Minha opinião sobre familia.A minha visão, sobre familia hoje em dia não é a das melhores, [a:primeiro] porque tomo como exemplo a minha própria familia.Meu avô paterno nem sabe que eu existo;meu pai, pouco o vejo, pois trabalho demais, e varios tantos exemplos de outras familias que tenho tirado.O amor e semsibilidade da familia morreu [a:junto] com a esperança.
Parte escrita
1993

  • E: eh:: Dario... conta pra mim uma história que tenha ocorrido com você... que tenha sido... interessante... triste ou alegre...
    I: bem... foi bem alegre... né? porque::... eu estava... no clube... dos:: Sargentos... aí estava eu... e ma/ meus colegas e mais... colegas da:: minha noiva... aí... eles... né? ficaram... pondo pi::lha... não sei o quê “ah... fica/ com ele... porque ele é bonitinho...” não sei o quê:: “ela é rica... tem dinheiro...” pô... eh:: “você... casando... com ela... vai dar o golpe... do baú...” que não sei o quê “porque o pai dela tem dinheiro...” aí... né? ficou... né? aquele troço... né? não sei o quê... vai e não vai... até que... a gente se... esbarrou... no clube... né? aí... ficamos... né? assim conversando... batendo papo... aí os meus/os colegas... né? falando... que “aí Dario...” que não sei o quê “ganhou pra hoje...” aí... começamos a conversar... perguntei pra ela se ela estava a fim de um... um relacionamento sério... de um namoro sério... ela disse... que sim... eu... né? também... aí começamos a namorar... né? lá dentro... lá dentro do... clube... nos beijamos... né? até que... estamos juntos até hoje... três anos... três anos e meio... que... ano que vem... dia dez de::... setembro... vamos casar... né?
    E: valeu...

  • E: agora:: conta pra mim uma história... que tu/ que tenha ocorrido com alguém que você conheça... que tenha sido interex/ interessante... triste ou alegre...
    I: bem...foi:: [a:bastante] triste por/ com dois amigos meus... que:: faleceram em acidente de moto... foi assim... eles... sabe? tinham:: ido... sair... acho que... foi até pro Alto da Boa Vista... né? aí estavam... eles dois... e mais a:: na... namorada... né? de um... aí quando chegou... ali na:: decida/ porque é... Barra... Tijuca... né? quando estava quase chegando a... Tijuca... vinha... um ônibus na:: direção deles... e tinha um caminhão... parado aqui... então.. um pra... desviar do:: do ônibus foi em cima... em cima do caminhão... aí foi embaixo... aí ficou preso a mota/ a moto... ficou presa... embaixo da... coisa... aí:: matou na hora... né? e a moto entrou embaixo do:: caminhão... e o outro... o... ônibus entrou em cima ( ) voou longe...aí a moto caiu... ficou rodando ele foi... parar lá do outro lado da/ cabeça [a:toda] ... arrebentada...que não sei o quê... até que... foram... né? lá em casa e:: me deram a:: notícia que o Marcelo e o Robson faleceram... né? aí eu fui até no enterro deles... no Caju... a mãe estava desesperada... super triste... chorando...
    E: ahn... ahn... valeu...

  • E: agora... descreve pra mim o lugar onde você mais gosta de ficar...
    I: discoteca... Trigonometria... bem... lá::era... [a:antigamente] ... era um cinema... então eles... fizeram uma:: discoteca... a:: Trigonometria... ela... por fora tem:: bastante neon que fica... piscando... acendendo... aí do lado de fora tem a... a bilheteria... tu compra o ingresso... aí quando... tu entra... tem duas entradas... que... que vai pra::...barzinho... em cima... que é [a:só] pra... casais ficarem... né? namorando... beber alguma coisa... né? embaixo... é a dis... é a discoteca... né? tem... um barzinho... do lado... tem várias pessoas bem civilizadas... tá? gente de alto nível... eh... tem um telão... onde é que passa os (vídeos) né? onde é que era a tela... de cinema... tem eh::... a pista... de dança... tem vários jogos... jogos de luz... caixas de som espalhadas em tudo quanto é lado... tá?
    E: ahn... ahn... valeu...
    I: e... [a:só] isso só...
    E: ahn.. ahn...

  • E: agora:: você sabe fazer alguma coisa? o quê? e conta pra mim como se faz isso que você sabe fazer...
    I: bem... eu faço muito... o que eu gosto muito de... fazer porque...o pessoal fala que eu faço [a:muito] bemé salpicão de batata frita... bem... os ingredientes... tu pega... uma/ eh... a quantidade... de... de batatas... que ( ) e corta... né? corta... de preferência palito... aí bota pra fritar... depois delas prontas... tu bota... numa vasilha... aí ali tu bota presunto picado... queijo picado... ervilha... milho... salsa e cebolinha... eh:: salsicha picada... eh:: ovo... cozido... picado... que mais? pode pôr... ketchup também... eh::...que mais? azeitona picada... cenoura ralada... e [p:por] [a:último] bota a maionese... aí mexe aquilo tudo... né? aí bota numa travessa... né? fica uma delícia...

  • E: a outra eh::... eh o que você acha da escola... dos professores... da política atual?
    I: escola... está péssima...escola está péssima... paredes [a:muito] ... pixadas...os banheiros tudo arrebentado... que não sei o quê... e...os próprios alunos [a:mesmo] ... sabe? tanto do dia tanto da manhã... que fazem isso... sabe? como... tu pode ver aqui... porque os quadros horríveis eh::...mesas horríveis [a:toda] ra... rabiscada... rasgada... né?tudo... agora... quanto aos... professores... al...alguns são... [a:muito] ... exigentes... outros um pouco melhores... sabe? e... eu achava que cada um... um deles tinha que dar um... um trabalho ou eh::... um teste pra... ajudar na prova... tá? pra ajudar na prova... ajudar no teste... né? e quanto à... à política... não tenho/ não tem como explicar eh... a vida está... tudo caro... né? pra mim... pro Brasil sair... dessa crise... acho que... sabe?só:: [a:só] milagre... agora...esse presidente Itamar Franco... sabe? está fazendo alguma coisa... né? agora... política... acho que... sabe?todos eles... [a:sinceramente] ... são uma cambada de ladrões... que adoram... sabe? pegar dinheiro... dos outros sabe eh:: fazer... sacanagem... fazer troço assim...
    E: ahn... ahn...
    I: sabe? e... eu acho isso...
    E: ahn... ahn...
    I: entende?
    E: valeu... obrigado...
Parte oral
1993
  • Eu tinha ido para o Clube dos Sargentos da Marinha com meus colegas e colegas da minha noiva, mas eu a ainda não a conhecia.Então meus colegas começaram a colocar pilha para que eu namorasse com ela dizendo para ela que eu era bonitinho e dizendo para mim que ela era cheia da grana, mandando eu dar o golpe do baú nela.Depois de algum tempo nós dois começamos a conversar, então eu perguntei para ela se queria namorar comigo, mas que era com compromisso.Ela topou e até hoje estamos juntos, já com casamento marcado.
  • Dois colegas meus foram de moto para o Alto da Boa Vista [a:junto] com as namoradas deles.Na hora da volta vinha um ônibus na direção deles e tinha um caminhão parado, então eles desviaram do ônibus e caíram de baixo do caminhão.Eles morreram na hora.Isso foi na Barra da Tijuca.
  • O lugar onde eu mais gosto de ficar é numa danceteria chamada Trigonometria. [a:Antigamente] lá era um cinema.Lá tem um barzinho que fica em frente a entrada, um telão que fica na parede em frente a pista de dança onde passa uns clips e muita discontração.Também tem um globo de luz que fica em frente no centro da pista de dança com várias cores.
  • Eu sei fazer salpicão de batata frita.Os ingredientes são batatas cortadas em forma de palito, bota pra fritar.Depois bota numa vazilha e coloca presunto e queijo picado.Pode por ketchup, azeitona, cenoura e [p:por] [a:último] a maionese.Então mistura tudo e pronto.
  • Os políticos não fazem nada [a:só] querem ganhar dinheiro na custa dos outrossem se preocupar com a situação do povo, pois so pensão em si proprio.Eu acho que isso não vai melhorar nunca se continuar no jeito que está.
Parte escrita
1993

  • E: eu estou aqui com o Fábio... do Centro Tecnológico Estadual Ferreira Viana... Fábio... eh... me conta uma história... que tenha acontecido com você... e que você assim... tenha achado... uhn... eh... ou engraçado... constr/constrangedor... triste...
    I: eh... uma certa vez eu... estava saindo do... do banheiro...enrolado na toalha... estava até [a:meio] molhado ainda... né? aí... tranquei a porta do quarto da... da minha mãe... e... e com a sun/ e com a cueca na mão... né? eu... tirei a toalha... tirei a toalha... né? e joguei a toalha em cima da cama... e queria me sentar na cama pra poder... colocar a cueca... né? mas acontece que quando eu me sentei... eu não tinha percebido que ((riso)) que em cima da cama tinha um ferro... um ferro ((riso)) quente à beça... tinha/ que tinha sido usado... né? há poucos instantes...e quando eu sentei ouvi [a:só] aquele barulhinho assim oh... TCHI::... olha... [s:eu] [v:dei] um pulão [p:pro] [article:] ((riso)) [a:alto] ... e queimei a parte todinha de trás... fiquei com uma... uma bolha lá... durante uma semana mais ou menos... é... esse é um fato que eu achei... que eu achei engraçado... que eu possa me lembrar agora é um fato que eu achei engraçado...
    E: tá ótimo... Fábio... imagino a dor... né? ((riso))

  • E: agora... eh... me conta uma história... que alguém tenha contado pra você... eh... e que você tenha achado engraçado ou triste... ou alguma coisa que você lembre que alguém tenha falado pra você... uma história...
    I: ah... essa história...até ouvi há pouco tempo aqui no colégio [a:mesmo] ... né?que um colega meu vindo... vindo pra cá... ele... ele pegou um ônibus cheio... né? aí... no momento que ele ia soltar do ônibus... tinha uma se/ uma senhora não... uma... uma mulher que devia... que devia ter uns trinta e poucos anos assim... ele disse... né? mas era uma... era uma se/ era uma pessoa... eh... era uma pessoa do sexo feminino negra... né? e:: forte... não era... não era bonita não... sabe? por isso também que ele ((riso)) que ele não podia nem fazer o que ela falou... aí aconteceu o seguinte... ele... ele soltando do ônibus...o ônibus [a:muito] cheio...e todo... e todo mundo amassando assim... empurrando um ao outro... ele sem querer encostou... na ((riso)) na mulher... e a mulher virou-se pra ele e falou assim “ô rapazinho... pára de tirar sarro comigo...” não sei quê “você não tem o que fazer não... é?” e aí ele me disse “pô... Fábio... eu... eu não... eu não sabia... eu não sabia nem o que fazer... porque eu não estava fazendo nada disso... pô... quando a gente quer fazer a gente faz com uma garotinha bonitinha... agora com... com um canhão daquele... pô... pára com isso ...” ((riso))
    E: tá otimo... Fábio...

  • E: agora ... eh... me fala sobre o local onde você mais gosta de ficar ou de passear... eu quero que você me descreva esse lugar...
    I: ah... são vários os lugares... né?eu gosto de muitos lugares... mas... [a:ultimamente] eu tenho gostado muito de ir pra uma... pra uma casa... uma boite... né? lá na Ilha... chamada Magique... eh::... o lugar... tem...tem show de música [p:ao] [article:] [a:vivo] ... né?e começa [a:geralmente] ... lá pras dez e meia... onze horas... da noite... eh::... tem dois andares... né? eh::... tem uma escada que... que dá acesso pras pessoas que querem/ que queiram ficar na parte de cima... ou na parte de baixo... tem banheiro... tanto em cima... quanto embaixo... né? tem um... tem um palco... aonde fica o grupo... que... que canta... né? que por sinal a música...a música deles são... são [a:muito] boas... eh::o ambiente é [a:todo] escuro... quer dizer...não é [a:todo] escuro porque se não...mas tem assim... um/ umas...umas luzes [a:muito] fraquinhas e tal...mas... no seu... no seu completo... [a:praticamente] ... é todo... é [a:todo] escuro... e:: ar condicionado... muita gatinha... e... e pra quem gosta de... de namorar... é um bom lugar...
    E: [tá...]
    I: [( )] pra quem se divertir também... né?
    E: tá bom... Fábio...

  • E: agora... eu quero que você me diga... eh... o que que você sabe fazer... como é que... como é que se faz isso... que você gosta de fazer?
    I: olha... eu sei... eu sei fazer um ((riso)) uma comida aqui... que... quando eu faço até que... minha barri/ meu estômago não reclama não... eu faço... Miojo... é um... é uma espécie de um... de um macarrão... tá? ele vem numa embalagem já que... que dá pra uma pessoa... só... né? quer dizer...se a pessoa comer [a:muito] pouco...dá... dá... dá até pra duas... né? eh... a gente pega esse macarrão... coloca ele na água fervendo... e deixa... fervendo durante... durante uns cinco minutos... depois disso... eh...joga água/ [a:só] a água... eh... fora...e mistura o tempero que também vem dentro de um saquinho... [a:junto] com esse Miojo... mistura o tempero... eh... mexe... né? e coloca uma salsicha/ um... um ovo... ou um... hambúrguer... o que você gostar... quer dizer...e eu faço isso [a:muito] bem... quer dizer... eu gosto muito... né?
    E:tá... [a:só] você que come... né?((riso))

  • E: agora... Fabinho... pra terminar... eh... eu quero que você me dê a sua opinião... sobre... ah... ou amizade... ou namoro... ou família... um... um desses... relacionamentos... eu gostaria que você me desse a sua opinião sobre isso...
    I: oh... eu vou falar sobre o namoro... tá? eu... eu tenho uma namorada que se chama Daniela... já namoro ela já... há um ano e oito meses vai fazer agora... e... por incrível que pareça eu... eu gosto muito dela... e não... sabe? e... e não tenho queixa nenhuma não... muitos colegas meus... sabe? assim... da minha idade... e tal... falam “ah... mas o que é isso? se prender a uma garota só...” e tal... eu não acho que isso é/ eu não acho que isso seja uma prisão não... eu acho até que::... que é o começo de tudo... eu acho que eh::... eu acho... eu acho que a pessoa se conhece mais... e acaba/ acho que acaba se entregando àquilo... e... acaba gostando... acho que isso/ papo de que... tem que ter várias... e tal ... eu acho que isso... eu acho que isso depende de cada um... tá? eu gosto muito do/ de namorar... eu acho... eu acho que ter... eu acho que ter uma pessoa... pra... pra você conversar... pra você se abrir... sei lá... pra você... pra você se sentir bem... eu acho que isso é válido... eu acho que... eu acho que todos os jovens... eu acho que... deveriam... tentar... fazer isso... e parar com essa frescura de que... “ah... tem... tem que aproveitar muito a vida...” por que... por que não aproveitar do lado... dessa pessoa que você... que você gosta e que você... está namorando? por que não?
    E: [a:ótimo] ... e sendo fiel... né?
    I: é claro... sendo fiel...
    E: tá bom... Fábio... [a:muito] obrigada...
    I: de nada...
Parte oral
1993
  • Descrever uma estória que acontecida comigo!- Certa vez ao sair do banho, enrolado na toalha, fui até o quarto para que pudesse apanhar uma cueca e colocar uma roupa.Ao apanhar a cueca, retirei a toalha e sentei-me na cama afim de vestí-la, mas acontece que em cima da cama havia um ferro de passar roupa usado a poucos instantes e logo quente ainda, sentei-me sobre ele e foi um dor enorme.Fiquei um tempo com uma bolha d’agua nas nádegas que incomodava-me por demais.
  • Descrever uma estória que alguém tenha contado para mim.-Um amigo meu, contou-me aqui [a:mesmo] no colégio, queao descer do ônibus, [a:muito] cheio por sinal, foi empurrando por outras pessoas ao fim do qual encostou em uma mulher negra, que aparentava uns trinta e cinco anos, foi aí que essa mulher fez um escândalo enorme dentro do ônibus, por achar que esse meu amigo ( Alexandre) estava esfregando-se em sua nadegas, ou seja, como se diz na giria “tirando um sarro nela” o meu amigo achou interessante, por se tratar de uma mulher feia e que não despertava-lhe atenção, foi aí que ele falou: - “Pô, Fábio, se ainda fosse uma menininha bonitinha !agora com um canhão daquele!
  • Descrever e falar sobre um lugar que eu goste de ficar ou passear -São vários os lugares, mas [a:ultimamente] , tenho gostado de ir para uma boite na Ilha chamada Magic.Essa boate tem como atração um show de música música [p:ao] [article:] [a:vivo] que começa por volta das 22:30 ou 23:00hs.A boate possui dois andares, possui uma escada que dá acesso as duas partes, há banheiros tanto em cima quanto em baixo, há um palco na parte de baixo onde o grupo musical se apresenta, por sinal sua músicas,são [a:muito] boas.O ambiente se apresenta comluzes apenas nas laterais e [a:muito] fracas,logo ficando quase que escuro [p:por] [a:completo] , ar- condicionado e muitas gatinhas para quem gosta de namorar ou se divertir, a Magique é um bom lugar.
  • Falar sobre o que sei fazer, descrevendo a maneira com que faço tal coisa.-Eu faço uma comida, que acho [a:muito] boa, pelo menos o meu estômago não reclama!É uma espécie de macarrão que vem em uma embalagem plástica [a:geralmente] para uma pessoa, podendo até ser para duas ou três, desde que satisfaça o apetite de cada uma.Dentro da embalagem vem em um saquinho um pó que ao misturá-lo.Ao macarrão (Miojo) o tempera.Para fazer o Miojo, é necessário que o coloque em uma panela com água e ferva por uns cinco minutos.Ao final desse tempo, retiro a panela do fogo, jogo a água fora e misturo o pó, que já falei, e mexo até que fique corado.Depois coloco uma salsicha, ou um hamburguer para acompanhar.Eu faço isso [a:muito] bem !
  • Dar a minha opinião a respeito da amizade, namoro, família, ou qualquer outro tipo de relacionamento.- Eu vou falar sobre o namoro.Tenho uma namorada que se chama Daniela ao qual namoro há um ano e oito meses.Não tenho do que queixar-me, gosto muito dela e muitos colegas meus falam que estou errado por que me prendo a uma garota só, acontece que não acho que isso seja uma prisão, [a:muito] pelo contrário, acho que é o começo de tudo, a pessoa passa a se conhecer mais, entrega-se ao amor e acaba gostando.Isso depende de cada um, eu gosto muito de namorar, de ter uma pessoa confidente e amiga ao meu lado,muitos dizem que [a:primeiro] deve-se aproveitar a vida, mas aí questiono o porque de não se aproveitar a vida à dois, por quê não?É uma coisa que é [a:muito] importante: a fidelidade.
Parte escrita
1993

  • E: Flavia... conta pra mim uma história que tenha acontecido com você que tenha sido interessante...
    I: [a:bom] ... que tenha sido interesssante? foi assim...eu estava::/ era minha última prova né? era prova de química... e eu estava nervosa... né?porque [a:geralmente] prova de recuperação é [a:muito] difícil... né?e precisava tirar cinco nessa prova... mas não sabia se ia tirar... estava estudando... aí tudo bem... fui pro colégio fazer esssa prova pensando “poxa... já pensou se ela me desse a mesma prova do quarto bimestre? ah... eu ficar emocionada... ia passar na mesma hora...” eu ali e pensando naquilo “ah... mas isso não vai acontecer... isso é impossível de acontecer...” aí quando cheguei lá... sentei lá... lá na frente... ela foi passando a prova pra todo mundo... né? foi passando... passando... todo mundo reclamando da prova... que a prova estava difícil... que a prova estava difícil... que estava... que estava/ todo mundo xingando a professora “professora... a senhora quer reprovar a gente...” e tal... aí quando chegou no finalzinho... cadê? ela tinha se esquecido de mim... da... da minha/ aí não tinha mais prova pra me dar... ela “ih:: falta você::” “ué... professora... falta eu” aí ela pegou... falou assim “espera aí que vou te dar outra prova diferente” quando eu fui ver... era a mesma prova do quarto bimestre... aí... eu... sabe? poxa... fiquei super contente... né? fiquei super feliz porque eu fiz aquela mesma prova... e:: graças a Deus eu passei de ano por causa dessa prova...
    E: [ahn... ahn...]
    I: [que] talvez se eu fizesse a outra não passaria...

  • E: agora... conta pra mim uma história que tenha... acontecido com alguém que você conheça... que seja interessante...
    I: [a:bom] ... foi o seguinte...foi com uma amiga minha que/ uma história... né? foi com uma amiga minha... ela estava saindo pra ir trabalhar... de manhã cedo...e [a:geralmente] de manhã cedo os ônibus... né? são [a:muito] cheiose são/ [s:eles] [v:saem] [a:muito] [a:apressados] ... né? e ela tinha aquele horário sempre de pegar o ônibus... então naquele dia ela se atrasou um pouco... acordou tarde... aí ela estava no outro lado da calçada quando ela viu o ônibus passar... mas o ônibus já estava indo... e ela começou a gritar e todo o ponto de ônibus assim lotado... né? ela começou a gritar pro motorista... mas ela estava um pouco longe... aí o motorista resolveu parar pra ela... né? e ela... com medo de correr foi correndo com vergonha... né? não estava correndo tanto... ela estava com sapato alto... que ela ia trabalhar... e todo mundo lá no ônibus xingando o motorista “seu motorista... vamos embora... vamos embora... vamos embora...” não queria esperar... e eu sei que... quando ela correu... correu... correu... quando ela chegou lá... lá perto do ônibus... o motorista pegou e foi embora... deixou ela sozinha... e ela com a maior vergonha e todo mundo rindo da cara dela lá no meio da rua e ela sem graça ((riso)) aí foi isso... sabe? ela teve que/ ela depois teve que pegar o ônibus lá::/ teve que andar pra caramba pra pegar outro ônibus porque dali todo mundo já ia encarnar nela... e foi isso...

  • E: Flavia... descreve pra mim o lugar onde você mais gosta de ficar...
    I: olha... o lugar onde eu mais gosto de ficar é no meu quarto... né? no meu quarto... eu:: vou descrever pra você... ele/ tem um cama que fica logo no meio do quarto... onde em cima dela/ onde eu durmo... né? em cima dela tem um ursinho... tem um cachorrinho... uns bichinnhos de pelúcia... do lado da minha cama tem uma caixa de som... né? e:: fica logo em frente à janela... tem uma cortina... né? uma cortina verde... e em frente a minha cama tem uma estante... onde eu guardo meus livros... né? que eu gosto muito de ler... tem um som em cima da estante... o meu som três em um... que eu gosto muito de escutar música... tem os meus discos... né? tem muitos livros aí que eu gosto muito de ler... tem um espelho... tem muitos batons... perfumes... coisas femininas... e:: em frente à estante tem meu guarda-roupa... né?meu guarda-roupa que tem [a:só] minhas roupas... logo do lado tem o meu enxoval... tem o fogão... as panelas... os copos... as facas... né? faqueiro... tem um::/ logo... eh:: atrás tem os quadros... né? nas/ na parede... eu gosto muito de ficar no meu quarto... é um lugar tranqüi::lo...

  • E: tá bom... agora:: agora conta pra mim o que você sabe fazer...
    I: o que eu sei fazer? olha... eu sei fazer muita coisa... mas... uma das coisas que eu sei... gosto de fazer é lasanha... né? e:: como é que se faz? eh... compra a massa... a massa já::/tem que [a:primeiro] colocar no fogo... né? numa água... tem que ferver... ou até ferver a água pra ela ficar mole... né? ou como massa de macarrão... aí... depois que ela já está pronta... aí coloca numa forma untada com manteiga... coloca a massa... depois coloca queijo... presunto... coloca o... o... ketchup... queijo ralado... o tempero da lasanha... aí depois vai colocando as camadas... a gosto... né? e:: depois de tudo... acho que são três camadas no máximo... aí leva o tempero... o ketchup... o queijo ralado... né? e depois põe no forno durante assim uns quinze minutos... depois aí tá pronto é:: uma coisa simples de fazer... eu gosto de fazer...

  • E: a::gora:: o que você acha da crise educacional?
    I: crise educacional... assim do Esta::do... é isso?
    E: é...
    I: qualquer coisa? olha só... eu:: eu acho assim:: eu acho que::... eles não estão dando prioridade... né? pros os alunos... pros estudantes... eu acho um absurdo esse negócio de você assim que terminar segun/ o... o... ginásio também... fazer/ ter que fazer pro::va... sabe? pra você ter um segundo grau... você vê por aí que quase não tem vagas... eles não estão dando prioridade... o ensino está horrível... pela greve que estão/ e... e... pela greve que eles fazem... né?e:: até [a:mesmo] pra você entrar numa faculdade hoje em dia tá? você tem que disputar com muita gentesão... são pouquíssimas faculdades pra muita gente que quer fazer... e às vezes você... é obrigado a pagar uma/ trabalharpra pagar uma faculdade que é [a:muito] difícil... né?e:: está sendo isso... eles tão dando mui/ pouquíssimas prioridades pras escolas caren/ quer dizer...deveria ter [a:muito] mais escola... [a:muito] mais professores...que dessem... né? essa... prioridade mais à escola... né?que é [a:só] gre::ve... são pouquíssimas/ eh:: hoje em dia pouquíssima gente se forma por causa dissonão tem::/ sabe? às vezes a pessoa é até esforçada pra estudar... mas não tem aque::la prioridade pra estudar... né? ah... eu acho isso... a crise...
    E: uhn... uhn... obrigado...
Parte oral
1993
  • Foi no dia em que fiz a minha última prova de recuperação de química.Eu precisava tirar 5 (cinco) nesta prova e estava um pouco nervosa,pois prova de recuperação, [a:geralmente] , é um pouco difícil.Chegando na escola, a professora começou a dar a prova para todos, e eu comecei a ficar assustada, pois todos estavam reclamando, e falando que a prova estava difícil.E de repente, [s:eu] [v:fiquei] [p:por] [a:último] , e a professora não tinha mais prova para me dar.Ela foi até a mesa e me deu outra prova, e quando eu vi, para surpresa minha, era a mesma prova do quarto bimestre.Eu fiz tudo.pois eu tinha estudado pela prova [a:só] de lembrar, e passei de ano.
  • Uma amiga minha estava atrasada para ir trabalhar, e ainda estava do outro lado da calçada quando viu o ônibus que ela sempre pegava.O ônibus já estava quase andando, mas o motorista a tinha visto e resolveu parar o ônibus para esperá-la, [a:só] que ela demorou muitoe os passageiros começaram a gritar pro motorista dar a partida.Eu sei que quando ela ía entrar no ônibus, o motorista andou e ela ficou com a cara no chão,pois o ponto estava [a:muito] cheio.
  • O lugar onde eu mais gosto de ficar é no meu quarto.A minha cama fica é no meio, onde em cima dela fica os meus bichinhos de pelúcia.Logo em frente, a minha estante, onde ficam os meus livros, cadernos, o meu som, os meus discos, meus perfumes, batons.Na outra parede, em frente à estante, está o meu guarda-roupa, em cima dele, o circulador , logo ao lado, o meu enxoval.
  • A massa da lasanha, [a:primeiro] tem que colocar no fogo até ferver a massa e ela ficar mole.Segundo untar o tabuleiro com manteiga e colocar a massa, depois o queijo, presunto, catchup, queijo ralado, e a carne moída, se quiser.Depois é [a:só] repetir a dose mais duas vazes, colocar no forno, e está pronto.
  • Eu acho que não estão dando prioridade à escola nenhuma para os alunos.É um absurdo o aluno disputar vagas nos colégios de segundo grau e faculdades!São pouquíssimos colégios para muitas pessoas, que acabam ficando sem estudar. [a:Só] os mais favorecidos estudam em universidades pagas, e às vezes, tem que trabalhar para pagar um colégio ou uma faculdade porque não passaram nas provas.Acho que todo ensino deveria ser gratuito,poi estudar é um direito de todos, mas hoje em dia, [a:infelizmente] , se tornou direito dos mais favorecidos, pois as vagas são pouquíssimas para o número de pessoas que querem estudar
Parte escrita
1993

  • E: eu estou aqui com a Flávia Regina... do Colégio Estadual Professor Daltro Santos... Flávia... conta pra mim... uma história que tenha acontecido contigo... eque você tenha achado ou [a:muito] triste... ou [a:muito] interessante...ou engraçado... algo que você acha que vale a pena contar...
    I: vou começar a contar do fim de semana passada... eu... estava/ tinha acabado de chegar da discoteca com minhas colegas... estava ali embaixo... daí es/ minha colega estava... pensando em sair com uma pessoa que ela tinha saído no fim de semana passado... quando ela dá conta... ele estava com outra pessoa na frente dela... aí... ela ficou super... constrangida... né? super... sem graça e falou... que não ia sair com ele... a gente... foi procurou saber ( ) ia sair... ela falou assim “não... não vou sair com ele... não vou sair com ele...” tudo bem... aí a garota subiu... que ele estava saindo... subiu e ficou lá embaixo... aí pediu pros colegas dele vim falar com ela... aí ficou dois colegas dele... falando um tempão... e passando um papo nela... né? e falando... aí... sabe? fo/ o papo foi que... foi tipo assim/ os/ o próprio colega dele passando um papo nela... que ela... depois ficou pensando “poxa...eu não estou namorando com ele... [a:só] saí uma vez com ele... por que que eu vou/ não vou sair com ele?” aí ela foi e resolveu sair... aí antes disso... eu tinha saído com um menino... aí... quando dou conta ele estava dando um maior show lá na frente... fazendo um montão de coisa... fiquei super/ morrendo de raiva... né? aí eu fui e falei pra minha colega... aí ela falou assim “você vai [v:sair] com ele? [p:de] [a:novo] ... se ele chegar aqui perto de você?” eu falei assim “não... não vou sair com ele...” e antes disso eu tinha recriminado a minha colega que ela estava saindo com um menino que ela falou que não ia sair... está eu recriminando ela... aí eu falei assim “não... não vou sair com ele não... dando o maior show lá... dando o maior show... não vou sair com ele não...” aí ele foi chegou perto de mim... descumpri com a minha palavra... fui... e saí com ele... aí tá... depois eu comecei a pensar... né? a minha colega chegou e falou assim “poxa... Flávia... não tinha nada a ver... eu ( ) com ele...” aí antes disso eu estava recriminando... depois eu comecei a pensar... e falei assim “não... pô... eu fiz a mesma coisa... não cumpri com a minha palavra...” e por causa disso me/ outra colega já ia parar de falar com a outra... já ia começar com... aquela coisa... tinha feito uma ignorância pra ela... ela falou assim “não... não quero papo com você mais...” aí eu fui/ essa experiência que eu passei... que eu descobri que eu não devia recriminar a pessoa assim... eu tendo passado... aquela... própria experiência... que no próprio momento eu passei a experiência... naquele momento eu:: descobri que a gente não deve recriminar... aí nesse próprio momento eu fui expliquei pras pesso/ pras minhas amigas... né? que a gente não deve fazer isso... e elas próprias... cada uma tinha um caso na vida que tinha feito a mesma coisa... começaram a pensar... e se tocaram... “poxa... não é isso...” (aí uma...) uma pediu desculpa pra outra... uma outra me pediu também pra mim pra não recriminar... a gente também falou com ela... naquele... momento... juntou todos os problemas de muito tempo atrás... naquele momento se resolveu... todos aqueles problemas ali... ficou tudo resolvido... entre a gente eu/ foi uma experiência... né? pra gente... a gente ficou::... ca... cada uma aprendeu uma coisa... dali... a gente pode... passar pras outras pessoas... e pequena coisa...
    E: tá ótimo... Flávia...

  • E: eh:: agora... por favor... conta uma história... que... alguém tenha lhe contado... né? e que você tenha achado engraçado ou triste...
    I: eh... minha colega... foi pro::... Tijuca Off Shopping... foi/ aí pegaram o meia vinte e dois... aí então... entraram... aí nisso ela está prestando atenção... entrou um rapaz correndo... atrás dela... sentou do lado dela dentro do ônibus... ela não sabia se aquele ônibus ainda ia pro Tijuca Off Shopping... ela foi... perguntou assim “vem cá... colega... esse ônibus passa no Tijuca Off Shopping?” ele falou assim “passa...” aí deu um tempo ela passou pra frente... estava sentada lá... aí daqui a pouco::... o rapaz foi... passou pra frente... aí está ele olhando muito pra cara dela... né? por trás... rapaz assim... com uma pinta estranha... olhando muito pra trás... está ele olhando... e ela está distraída na dela... né? daqui a pouco ele... chega pra ela e fala assim “você está com medo de mim...” ela “não estou com medo de você...” “você está com medo de mim...” aí começou aquela discussão... ela “não estou com medo de você... por que que eu estou com medo de você?” aí daqui a pouco ele “olha... [a:só] porque você está com medo de mim... você vai passar o relógio agora...” e ele fez como se ele tivesse uma arma... ela não sabia se... se ele estava com uma ar/ primeira vez que ela tinha sido assaltada... o relógio que ela ainda nem tinha acabado de pagar... tinha comprado há pouco tempo... aí ele falou assim “você vai passar o relógio...” aí ela falou assim.../ aí ela ficou quieta... ficou sem ação... foi e passou o relógio... ele falou assim “você não vai gritar... não vai fazer escândalo nenhum porque eu sei onde tu vai saltar...se você gritar você vai ver [a:só] o que vai acontecer com você...” e:: ainda falou assim “olha o que/” começou com um assunto que não tinha nada a ver... perguntou... que baile ela freqüentava... falou que freqüentava o Bonsucesso... querendo amendrontar... né? falando negócio de baile funk... fa/ com ele... ela falou que não... frequentava baile funk... aí falando com ela... aí ela chegou na minha casa apavorada... depois... ela ficou super assustada... chegou até tremendo... poxa... como uma pessoa que ela tinha falado numa boa lá atrás chegou e assaltou ela na mesma hora? não teve nem... a::...
    E: tá bom... Flávia...

  • E: eh::... agora por favor... fala sobre o local onde você mais gosta de ficar... quero que você me descreva este local... né? se ele é grande... se ele é pequeno... quero que você... [conte] pra mim...
    I: [eh::] eu gosto de ficar muito na/ quando eu vou pra casa da minha avó... na varanda dela... [a:principalmente] no verão... ali::... sei lá... é um lugar gostoso... tem plantas... dá um::/ uma (expressão) de paz... é... bem arejada... sabe? eu fi/ gosto sempre de ficar mais sozinha... aí tu... tu fica pensando... porque sei lá::... tem um clima... é claro... é uma varanda clara... o sol bate/ não bate na varanda onde você está... mas bate assim nas plantas... [a:principalmente] de manhã cedo eu fico assim( )aquele ar... assim ar (bem puro) como a gente mora aqui em apartamento... sabe? [a:dificilmente] tem isso... ah... é um lugar pequeno que não tem muito o que dizer dela... só... só...só por causa dessas coisas... [a:só] por isso [a:mesmo] ... eu... gosto de ficar ali... uma coisa clara... plantas... é gostoso... um lugar gostoso de ficar...
    E: tá bom...

  • E: e::... Flávia... eh... eu quero que você conte pra mim... alguma coisa que você saiba fazer bem...
    I: bolo de cenoura...
    E: tá... me explica então como é que faz...
    I: ((riso)) eh... pega... deixa eu ver...três cenouras... médias... descasca e [v:corta] ... [a:picadinha] ... [a:pequenininha] ...bota no liqüidificador... pega um copo de óleo... três ovos... bate tudo... depois bota num... recipiente... numa vasilha... ali tu bota... açúcar... três copos de açúcar... depois quatro copos de farinha... de trigo... não precisa mais... leite... mexe... não é uma coisa difícil não... é fácil... aí vai... bota num tabuleiro... de/ antes se faz a calda... calda de chocolate... que... leva ... seis... colheres de... Nescau... manteiga e... manteiga... leite... só... e açúcar... um pouco de açúcar... depois do bolo pronto... você bota... a calda... só... mais nada...
    E: tá... todo mundo come... né? depois? I: [p:com] [a:certeza] ((riso)) [todo mundo come...]
    E: [tá bom...] então tá bom...
    I: com certeza ((riso))

  • E: Flávia... e [p:por] [a:último] ... eh... eu quero que você me dê... sua opinião sobre... ou namoro... amizade... religião... né?igreja... alguma coisa que você acha que... que você deva contar...
    I: eh... religião... uma coisa que eu ... estou/ no momento... está afetando muito a minha cabeça...
    E: então vai lá... vai...
    I: eh... re/ religião... eu... no momento eu estou procurando uma... uma religião certa pra mim... religião não... eu acredito em Deus... sei que existe um Deus vivo... mas assim/ mas uma igreja... né? daí/ minha religião é... Deus mesmo… eu... tenho... tenho participado de várias coisas... vejo várias pessoas falar sobre esssa/ as religiões... tem hora que você critica... tem hora que você... concorda... com coisas que as pessoas falam... por exemplo... eu... tenho freqüentado algumas igrejas... que... têm/ não... na/ têm coisas... que não me agrada ali... têm coisas que me agrada... por exemplo... eu como sou jovem... né? eu gostaria assim de... sei lá... até agora no momento não encontrei uma... uma religião que/ às vezes você quer uma coisa que você possa fazer... coisas... do mundo e que possa lá... mas acredito que ( ) voltado a Deus... sempre... mas tem que se/... mas é difícil disso acontecer porque... já/ o carnaval já não é... de Deus... já... já... já está dizendo aí que não é ( ) de Deus... aí fica difícil pra você escolher... você já um debate... com você... você fica se ba/ debatendo com você própria... o que que você vai fazer... com isso... eh::... minha mãe... por exemplo... ela... ela também/ ela está há vários anos procurando uma religião certa... [a:só] que ela ainda não encontrou... sabe? ((tosse)) ela acredita... já teve várias... coisas assim... de::/ teve... várias bênçãos... com Deus... só/ ela ainda não teve uma certa...mas [a:só] em... acreditar em Deus... ter a fé dela... ela já teve várias coisas... várias bênçãos... [a:só] com isso... ainda não... não encontrou uma certa... por isso que eu falo...que não é uma coisa [a:muito] fácil... de você encontrar... é uma coisa mais... complicada...
    I: tá bom... Flávia... [a:muito] obrigada...tá... pela tua [entrevista...]
    E: [de nada...]
Parte oral
1993
  • Este acontecimento não faz muito tempo não, eu estava com amigas no momento recriminando uma delas, pelo seu ato de falar que ia fazer uma coisa e fazer outra diferente e não cumprir com sua palavra, mas eu não sabia que naquele próprio momento eu ia passar por uma coisa diferente pra mim, eu falei uma coisa e fiz outra, não consegui me controlar e nem ela, neste momento eu descobri que nunca se pode recriminar uma pessoa sem saber o que ela está passando e sem ter passado também aprendi a respeitar as decisões das pessoas,isto foi [a:muito] legal.
  • Este fato aconteceu com uma amiga minha.Bem, ela estava indo para a Tijuca.Ela foi pegar o ônibus 622.Ao entrar no ônibus percebeu que um rapaz também entrou atrás dela e sentou perto dela, ela e sua colega perguntaram se aquele ônibus passava na Tijuca para esse rapaz responder, e ela passou para a frente.Não demorou muito e ele passou também.Ficou o tempo todo olhando para ela de repente ele pergunta para ela se ela está com medo dele ela respnde que não e ele continua insistindo na pergunta e ela respondendo que não.Ele, sem mais nem menos, fala para ela dar o relógio para ele e ficar quieta que ele sabia onde ela ia saltar e ficou indagando sobre o baile que ela frequentava.Ela respondeu que não frequentava baile.Ele desceu na maior cara-de-pau.Ela coitada, nem tinha acabado de pagar o seu relógio.Este fato foi [a:muito] triste.Para ela, Deus tem mais para dar do que pessoas para tirar.
  • Eu escolhi um lugar que é tão simples mas eu gosto tanto.É na casa da minha avó, em sua varanda.Ela não tem nada de extraordinário,ela [a:simplesmente] é aconchegante e super arejada.Bem clarinha, tem bastante plantas, não na varanda só, e sim no quintal.Ela me transmite uma paz tão boa que é isso que me cativa.
  • Uma coisa que eu faço [a:muito] bem é Bolo de Cenouravou explicar: Eu pego 3 cenouras médias, descasco elas e corto-as em pedaços pequenas.Bato no liquidificador com 3 ovos, um copo de óleo só.Depois, eu pego uma vasilha e despejo os ingredientes lá acrescento 3 copos de açúcar 4 copos de farinha 1 colher de fermento em pó Bato e levo ao forno já quente.depois faço a calda de chocolate.6 colheres de nescau 2 colheres de açúcar 1 copo de leite 1 colher de sopa de manteiga.e depois todos comem Bem satisfeitos.
  • Eu no momento estou passando por uma fase que eu nomiei de “crise religiosa”, pois eu estou aprocura de uma religião voltada para Deus e com alguns objetivos meus sobre religião mas eu tenho muito que aprender e compreender para eu definir o que é certo do que é errado.Eu acho que Religião é aquilo em que a gente bota fé e tem fé que tudo que você quer vai acontecer.Resumindo, sua própria religião e sua própria fé.É eu tenho fé que deus existe e ele está sempre dentro de mim.Está e minha Religião.
Parte escrita
1993

  • E: Isabel... conta pra mim... uma história que tenha acontecido com você... que tenha sido interessante...
    I: [a:bom] ... uma vez eu estava fazendo uma prova...aí::a professora dividiu todo mundo na sala e tal... separou as mesas... tudo [a:direitinho] ...e [s:eu] [v:estava fazendo] [a:legal] ... eu sabia tudo... tinha estudado... aí e/ eu sentava encostada na parede... tinha mania de ficar de lado... aí eu estava sentada de lado... distraída... de repente a professora passou e começou a recolher as provas... a minha e da menina que estava atrás... eu achei que tivesse acabado o tempo... não sei... aí ela virou pra mim e falou assim “pode sair... vocês estavam colocando...” eu levei um susto que... eu não estava colocando... a menina de trás... acho que estava olhando pra minha prova porque eu estava de lado... estava dando pra ela ver... mas eu não estava com a intenção de colar... eu saí... né? fiquei aborrecida e tal... aí eu cheguei em casa chorando... triste... nunca tinha acontecido isso comigo... a minha mãe falou “ah... vai lá... fala com a professora que você não... não estava colando... não teve culpa...” aí no dia seguinte eu voltei lá...falei com a professora e... resolvi tudo... [NULL SUBJECT] [v:expliquei] [a:direitinho] ...aí ela deixou fazer a segunda chamada... aí eu fiz a segunda chamada e até que eu tirei uma boa nota na prova... ela viu que tinha nada a ver... que eu não estava colando... aí ela pediu desculpa e... ficamos amigas...

  • E: ahn... ahn... agora... conta pra mim uma história... que tenha ocorrido com alguém que você conheça... que seja interessante...
    I: interessante? uma vez... minha irmã foi pra Paquetá com os amigos... aí eles alugaram bicicleta lá e resolveram... conhecer a ilha... aí ficaram andando na beira da praia... [a:só] que aí acabou a praia... eles resolveram entrar numa outra rua... pra ver se saía do outro lado... né? aí eles acabaram se perden::do... aí minha irmã caiu da bicicle::ta... aí começou a brigar com um colega meu também que estava lá::... eles fizeram uma confusão::... aí depois de muito andar lá pela ilha eles conseguiram... ver tudo da ilha porque estavam perdidos procurando... aí eles voltaram... aí eles ficaram contando... né? que foi super chato e tal...
    E: tua irmã? isso aconteceu com a tua irmã?
    I: isso aconteceu com a minha irmã...

  • E: ahn... ahn... agora... descreve pra mim o lugar onde você mais gosta de ficar...
    I: eu gosto de ficar no quarto da minha mãe... que lá tem a televisão... eu fico deitada na cama vendo televisão... a televisão fica assim num canto em cima... aí tem o som também que fica embaixo da televisão... dá pra ouvir lá... lá é silêncio que é/ aí tem também telefone qualquer coisa que eu precise... falar com um amigo... qualquer coisa tem o telefone... tem a penteadeira dela que eu adoro as coisas dela... tudo/ perfume... maquiagem... essas coisas... o armário... o armário também é grande... aí às vezes eu coloco as minhas coisas no armário dela... fica no canto...
    E: só?
    I: é::

  • E: ahn... ahn... agora... eu sei que você sabe fazer alguma coisa... me conta o que você sabe fazer... né? como que se faz...
    I: ah... eu gosto de fazer... sobremesa... gosto de fazer mousse de gelatina... você... faz a gelatina normal... aí coloca na geladeira... aí depois que tiver mais ou menos dura... você tira... bate no liquidificador... aí coloca uma lata de creme de leite... uma lata de leite condensado... aí bate... bate... aí quando tiver bem misturado você coloca nas forminhas e põe pra gelar...aí depois é [a:só] ficar pronto...
    E: é... tá bom...

  • E: agora:: o que você acha da crise educacional?
    I: crise educacional? difícil no país inteiro... né? mas também:: eu acho que precisa ter uma conscientização de todo mundo... da população... dos professores também... que tem muito professor que não quer nada... tipo finge que ensina pra alunos que fingem que aprendem... também é o problema dos salários dos professores... que eles ganham mal::... a escola...a estrutura física da escola também está [a:muito] abandona::dae tudo e também eh::... é o que o governo quer... né? que ninguém aprenda nada pra não... não poder reclamar... essas histórias... é comodismo pra eles... terem uma educação ruim no país... aí eu acho que a gente tem que tomar conscientização disso pra poder... lutar pelo nossos direitos e lutar contra o governo que está do jeito que está... roubando tudo... acabando com o país... né? inflação.... salários... de todo mundo de um modo geral... acho que é isso...
    E: tá bom...
Parte oral
1993
  • Foi um incidente.Uma vez eu estava numa prova, sentada [a:normalmente] resolvendo as questões, ou achava que estava tudo normal, eu sabia tudo.Eu sabia tudo, mas minha colega que estava atrás de mim não.Eu sentada de lado, encostada na parede,não percebi a menina olhando [a:desesperadamente] para minha prova. [a:Só] percebi quando a professora passou recolhendo as duas provas. [a:Primeiro] pensei que o tempo tinha acabadoe ela estava com pressa.Depois é que entendi, a professora tirou nossas provas porque achou que estavamos colando.Saí de sala [a:muito] triste.Depois de me acalmar voltei para falar com a professora.Ela resolveu me dar uma segunda chamada.Eu tirei uma boa nota e ficou provado que a culpa não era minha.Desde então, a professora e eu, ficamos amigas.
  • Num desses verões minha irmã e um grupo de amigos resolveram ir à Paquetá, passar um dia lá.mas acabaram se perdendo.Minha irmã conta que eles alugaram umas bicicletas e foram conhecer a ilha. [a:Só] que acabando a praia eles entraram numa rua achando que voltariam a praia, se enganaram.Minha irmã caiu da bicicleta e começou a chorar, nervosa ela gritou com o Sandro, um amigo dela, dissendo que ele era o culpado por ter entrado em uma rua que não conhecia.Depois de muitas voltas eles acharam o caminho de volta, ainda a tempo de pegar a barca das 4:00 H.No dia seguinte eles me contaram essa história, e todos rimos muito.
  • Um dos meus lugares favoritos é o quarto dos meus pais.Lá eu posso ficar sossegada, posso ler e estudar em silêncio.Tem a televisão que dá pra ver deitada, o som, o telefone.Tem o armário que eu às vezes uso para guardar minhas coisas.Os perfumes da minha mãe que eu adoro.Enfim o quarto da minha mãe que eu adoro.Enfim o quarto da minha mãe é o meu lugar preferido.
  • Gosto muito de fazer um mousse especial.É [a:só] [v:preparar] a gelatina [a:normalmente] e deixar gelar um pouco.Depois bato ela no liquidificador e acrescento uma lata de leite condensado e uma lata de creme de leite.Quando tudo estiver bem batido,é [a:só] colocar nas forminhas e levar a geladeiraaté ficar duro.Aí pronto, é [a:só] comer.
  • A crise educacional do Brasil é grave em todos os níveis.Enquanto não houver uma conscientização por parte da população e [a:mesmo] dos professores, as escolas continuarão sendo construções sem função.É dever de todos [a:principalmente] de nós futuros professoresnão esperarmos um futuro melhor e sim fazer este futuro melhor.Desenvolvendo um trabalho de humanização e conscientização dos deveres e direitos de nossos alunos.Para que estes sejam os primeiros da “sociedade” em construção.
Parte escrita
1993

  • E: eu estou aqui com Jean... da escola Estadual Gomes Freire... Jean... conta pra mim uma história que tenha acontecido com você...e que tenha sido ou [a:muito] engraçada... ou triste... algo que tenha acontecido contigo e que você queira comentar... comigo...
    I: história engraçada? ((pigarro)) bem... eu estava fazendo o cerimonial do aniversário da minha prima... participava eu... minha irmã... mais duas primas minhas... aí... fomos organizando durante o dia... escrevi o ce/ escrevi o cerimonial todo... todas as partes do cerimonial... escolhi as pessoas que seriam... assim... apresentadas na festa... iam ganhar as rosas que a minha prima ia dar e tudo o mais... quando chegou na hora do cerimonial... aí o rapaz do som armou o som... tudo...escolhemos a música... tudo [a:direitinho] ...na hora do cerimonial mesmo de falar... quem ia falar? eu... aí... comecei a falar... ninguém entendia nada do que eu falava... fiquei nervoso na hora... não sei... minha voz... ficou assim... acho que ficou grossa demais... maior chiadeira no microfone ((riso)) todo mundo olhando assim... ninguém entendia nada... gente pertinho de mim assim... todo mundo pertinho da caixa de som... ninguém entendia nada do que eu falava... aí... fui falando... falando... até a hora que eu não agüentei mais falar... aí passei pra outra pessoa... aí... quando eu passei pra minha prima... ela também foi falando... foi a única pessoa que entendeu... porque o restante do pessoal também ((riso)) nin/
    E: ninguém entendeu?
    I: ninguém entendia nada do que ela falava... com a/ acho também que o som estava com problema...ficou maior bagunça... até [a:mesmo] na fita... também... de aniversário assim... nin/ não dá nem pra entender... filmou tudo... né?aí você ouve... [a:só] aquela chiadeira...mas não sabe do que a pessoa estava falando...
    E: tá bom... Jean...

  • E: agora conta pra mim... uma história que alguém tenha contado pra você... que você tenha achado engraçado... né? ou triste... que tenha acontecido com alguma pessoa... que ela tivesse contado pra você... que você se lembre...
    I: [a:bom] ... uma história que alguém contou pra mim... né?sei::... tem uma amiga minha... precisa falar o nome? é uma amiga minha chamada Luana...ela/ é [a:só] ela... o irmão dela... a mãe... e tinha o pai dela... né? o pai dela/ eles moravam em Nova Iguaçu... e tal... assim... não se davam bem com a família deles que mora...até aqui na Penha [a:mesmo] ... o pai dela morreu... estava/ ficou doente... aí o pai dela morreu...ela era [a:muito] agarrada com o pai dela também... né? e... assim... ela sofreu muito... né? ficou assim... mais de... mais de um mês assim... em depressão... naquela coisa toda... assim... é/ de certa parte normal... né? na pessoa... também... quando gosta assim... do pai e da mãe...aí ela ficou [a:muito] triste...né? e... depois ela foi obrigada a sair de lá de Nova Iguaçu... de onde ela morava... teve que vir pra Penha...morar aqui... [a:junto] com os parentes dela... hoje ela mora... na casa da tia dela... aí ela já... já está doida pra sair de lá... não agüenta mais com aquilo... assim... não vou dizer que a tia dela é chata... né? e tudo mais... assim... você sentir que você tinha sua/ sentir que você tinha a sua casa... e... depois ter que morar... na casa dos outros... aí é maior barra... né?
    E: é... tá bom...

  • E: agora conta pra mim... Jean... eh... sobre o local que você mais gosta de ficar... fala... descreve o local pra mim... como que ele é... né? onde você gosta de ficar...
    I: ah... onde eu gosto de ficar? na sala da minha casa... por quê? tem um som... que agora eu adoro... ((riso)) agora não... eu sempre gostei... tem o som... tem a televisão também que eu adoro assistir... tem... um aquário... que eu mesmo cuido... lavo... ponho... ponho comida pros peixes... adoro mexer com aquário... e... tem o sofá lá... que eu fico deitado... chego de madrugada assim... ligo a televisão fico vendo... esqueço a televisão ligada também... às vezes...
    E: é grande?
    I: é... bem espaçosa... sim... a sala... o espaço... tem os quadros... com retrato do... dos meus primos... meu afilhado também... o retrato da minha prima... Ana Luisa... e... tem mais o que na sala? tem uma mesa bonita... com detalhes em/... é mesa feita de mármore... com detalhes assim... pedras cortadas de mármores... formaram uma flor... sabe? bonita pra caramba...
    E: tá bom...

  • E: agora conta pra mim... Jean... eh... o que que você sabe fazer... né? e como é que se faz isso... eu quero que você descreva... o que você sabe fazer... pra mim...
    I: ih... oh... eu sei fazer macarrão...
    E: como é que faz ... então?
    I: ah... macarrão... do jeito que eu faço? é fácil... você põe o macarrão pra... cozinhar... na água... você espera/ bota a água no fogo... deixa a água ferver... aí tu vai... bota um pouquinho de óleo... aí depois tu põe o macarrão lá... aí deixa ficar dez minutos... cozinhando... você tira o macarrão... põe no escorredor... abre a torneira... tira um pouquinho daquela... daquela gosma mesmo do macarrão que fica... enquanto isso você põe uma panela no fogo... com um pouco de ó/ de óleo não... com um pouco de manteiga... e... alho... alho socado... aí deixa o alho ficar bem dourado... depois... joga o macarrão... depois que tu jogou o macarrão... aí tu vai mexendo... mexendo... mexendo... [a:só] assim que tu faz...depois tu põe num tabuleiro... aí põe::/ cobre o macarrão com... com... fatias de muzzarela... e leva ao forno... aí deixa a muzzarela derreter todinha... depois que já tiver pronto o macarrão... você pre/ põe numa vasilhinha pequena... maionese... ketchup... e... mis/ maionese... ketchup e mostarda... mistura tudo aquilo... e quando você for comer o macarrão... você põe um pouquinho daquele molho de maionese... ketchup... e mostarda... em cima do macarrão... fica uma delícia...
    E: mas... você coloca sal também? no macarrão?
    I: no macarrão também sal... esqueci desse detalhe...
    E: tá bom... deve ficar gostoso... né?
    I: deve não... fica ((risos))
    E: então tá...

  • E: e... agora pra terminar... Jean... eu quero que você comente pra mim... né? o que você acha sobre a amizade...
    I: ((tosse)) bem... amizade eh... assim... a gente precisa de amizade... né? porque a gente não pode... viver nesse mundo sem amigos... né? então...é [a:muito] importante... pra gente... assim... ter uma amizade sincera... né? fiel... assim... sincera que eu digo assim... você chegar...poder falar o pessoal... eh... “não gostei disso que você fez...” [a:abertamente] ... entendeu?e a pessoa também poder chegar assim... fazer críticas... e você... aceitar aquelas críticas e... até analisar... né?
    E: é...
    I: num certo ponto que... pode ser... bom pra você... receber essas críticas... porque aí você pode ir modificando... né? tentando se adaptar ao meio onde você vive... e... porque também assim... vamos supor... poxa... eu quero sair... às vezes não tenho com quem sair... aí eu lembro o quê? tenho amigos... aí procuro eles...e [a:só] saio com eles... só saio com eles...e não saio pra outro lugar... não/ assim... sem meus amigos... gosto muito de fazer amizade... tenho facilidade também... onde chego assim...sou [a:bastante] comunicativo...então [s:eu] chego... [v:faço] amizade [a:rapidinho] ... e não esqueço dos meus amigos não... estou sempre ligando pra eles... sempre procurando eles...
    E: é... isso é importante... né?
    I: e... procuro ser assim... fiel também às minhas amizades... né? procuro ser legal com todo mundo... ajudar... na hora que a gente mais precisa é que a gente conhece os nossos verdadeiros amigos... né?
    E: é...
    I: assim... quando a gente tá na pior... (numa fase) que a gente conhece... conhece os verdadeiros amigos...
    E: tá... [a:muito] obrigada...tá... Jean... pela sua entrevista....
    I: de nada...
Parte oral
1993
  • Uma história alegre que aconteceu comigo.Era o aniversário de minha e eu estava encarregado de escrever o cerimonial, fiquei o dia inteiro escrevendo e escolhendo as pessoas que seriam agraciadas e as que iriam falar.O engraçado da historia é que, quando começou o cerimonial eu fiquei nervoso minha voz acho que engrossou demais, e acho que o som também sem sintonia perfeita ninguém entendia o que eu falava era uma barulhada só.Então resolvi passar p/ outras pessoas falarem que seriam minha irmã e duas primas, [s:uma] porém consegui [v:falar] [a:direito] pois o restante ficaram igual a mim uma barulhada e pior eram os convidados que [a:mesmo] perto das caixas de som não entendiam nada do que falávamos
  • História triste que alguém me contou.Uma amiga minha chamada Luana, que vivia c/ os meus pais e seu irmão lá em Nova Iguaçu.Seu pai adoeçeu e logo veio a falecer, eles viviam afastados do restante da família por causa dos atritos, mas logo tiveram que ir morar na casa de uma tia que não dizendo que é má sempre solta umas piadas.Além de tudo está a perda do pai nós aprendemos a conviver com issomas [a:realmente] bem lá no fundo acho que ninguém aceita, a Luana ficou algum tempo em depressão mas ja superou esta fase.
  • Uma coisa que sei fazer.Bem sei fazer um macarrão legal, [a:primeiro] põe a água pra ferver, quando estiver fervendo coloca-se um pouco de óleo e o macarrão deixe dez minutos, coloque-o no escorredor e lave com água fria;enquanto isso ponha uma panela no fogo com alho socado e 2 ou três colher de manteiga e um punhado de sal deixe o alho ficar dourado jogue o macarrão mexa bem depois coloque em um tabuleiro e cubra-o com mussarela, pincele a mussarela com azeite e jogue orégano e leve ao forno até a mussarela ficar bem derretida, enquanto isso pegue uma xícara e coloque 2 colheres de sopa de maionese, um pouco de catchup e mostarda misture bem.Quando for servir o macarrão coloque um pouco deste molho por cima fica delicioso.
  • Descrever um lugar que gosto.A sala de minha casa, porque tem um som maravilhoso [a:particularmente] adoro música, um aquário que eu mesmo cuido, com muita presteza a sala é bem espaçosa tem dois sofás um três lugares e outro de dois uma mesa de centro e uma para refeição, que por sua é linda é feita de marmore da própria em formato de ramo de floré [a:muito] linda
  • Falar sobre amizade.É uma das coisas mas importante da nossa vida e é importante a ela ter fidelidade, sinceridade, e aceitar através dos amigos as criticas que lhe são feitas pois com base nestas nós podemos nos moldar e melhorar p/ nós mesmos e p/ a sociedade.
Parte escrita
1993

  • E: eu estou aqui com Márcio... do Centro Tecnológico Estadual Ferreira Viana... Márcio... me conta uma história... que tenha acontecido com você... e que você assim tenha achado engraçado... ou triste... ou constrangedor... alguma coisa que tenha acontecido contigo...
    I: olha... uma coisa que aconteceu... engraçado comigo... foi quando eu estava em Poços de Caldas passeando... né? aí eu estava num hotel... aí tinha subido pra... pra tomar banho porque a gente ia embora naquele dia... aí... bati na... na porta do hotel pra... pra fazer... meu irmão... o pessoal abrir a porta... né? aí pra/ fui correndo me esconder deles... nisso que eu fui correndo... o vidro da... da varanda que tinha no corredor estava limpinho...a mulher tinha acabado de limpar... [v:passei] [a:direto] pelo vidro... quebrou tudo((riso)) foi um desespero... chamaram a... a moça e tudo da excursão... aí veio... fez curativo... tive que... tomar um ponto e tudo... o cara lá da... da supervisão do hotel... veio também... perguntar o que que tinha acontecido... foi o maior... o maior auê...
    E: tá bom...

  • E: e... Márcio... você... eh... lembra de alguma história que alguém tenha contado pra você... eque você tenha achado [a:muito] engraçado ou triste?
    I: lembro... meu pai num... num dia/ meu pai é motorista de táxi estava... passando pelo Aterro... aí um... moço fez um sinal pra ele... aí falou que estava dentro do ônibus... e os assaltantes levaram o salário dele... tinha acabado de receber... levaram o dinheiro dele todo... né? aí... mandaram ele soltar ali porque ali no Aterro não tem nenhum sinal... nenhum ponto de ônibus... aí::... ele... ele fez sinal pro meu pai... meu pai parou... aí fo/ contou a história ao meu pai... pediu pro meu pai parar na frente do ônibus... né? e pra ajudar ele... meu pai conseguiu ultrapassar o ônibus... parou na frente do ônibus e pediu pra ele soltar... pra ele... chamar algum polícia... alguma coisa... né? aí... o cara “não... não... o senhor vai comigo...” que não sei o quê... aí o meu pai “não e... e... os policiais/ os ladrões estão tudo armado aí dentro do ônibus... eu vou me arriscar? nada...” que não sei o quê... aí ele “não... não o senhor tem que ir comigo...” começou a receber santo “você vai comigo...” ((riso)) aí começou a falar lá pra caramba... meu pai deu-lhe um tapa nele... ele fo... ele foi pra fora do... do carro... caiu do chão...
    E: e... e... seu pai... eh... bateu nele?
    I: bateu... deu um tapa nele... abriu a porta e... ele caiu lá no chão... ficou lá...
    E: e aí depois? seu pai foi embora?
    I: foi embora... arrancou com o carro... e aí ele ficou lá no chão...
    E: tá bom... Márcio...

  • E: agora... eh... eu quero que você me fale... sobre... eh... o local... eh... que você mais gosta de ficar... ou de passear... qual o lugar assim que você mais gosta?
    I: é no quarto da minha mãe... que lá tem:: ar condicionado... é uma beleza... né? ficar no fresquinho... tem vídeo-cassete... televisão... que dá pra ficar vendo filmes... né? que eu gosto muito de ficar... sozinho num... lugar... ficar quieto...e até [a:mesmo] pra estudar... como... como o lugar... quase não... não fica muita gente... eu fecho a porta... fico sozinho... estudando... eu gosto muito de lá...
    E: é peque::no? é gran::de?
    I: não... é grande... dá::/ tem bastante espaço...
    E: tá bom...

  • E: agora... Márcio... eh... o que que você sabe fazer bem? eu quero que você me explique o que que você sabe fazer bem...
    I: [a:primeiro] de tudo... eu gosto muito de estudar...e de fazer... instalação... eu trabalho na Light... né? faço instalação lá... a... a que eu gosta/ até hoje a que eu aprendi... sei fazer melhor... é a instalação de... de três pontos de luz com um interruptor de duas seções... faz várias emendas... né? porque... cada vez aperfeiçoa mais o... o desempenho do... do técnico em eletricidade...e é [a:muito] bom...é... [a:bastante] desenvolvido o trabalho...e precisa de bastante coisa... né?tudo que você aprendeu... [a:praticamente] ... e é legal... depois quando você faz a instalação toda... aí é aprovar... você... liga... vê aquela parada funcionando... né? e vê quea luz acende [a:mesmo] ... aperta um botão... acende uma luz... aperta outra... acende as outras duas... né? eu gosto... eu gosto bastante de fazer...
    E: mas como é que se faz isso? como é que você en... encaixa os fi::os?
    I:olha... o/ [a:primeiramente] você tem que... marcar... fazer... a localização todado... do ponto de luz... do... do interruptor... né? e::... você pega um fi... um fio próprio pra isso... que é o fio termoplástico rígido de... de um... um vírgula cinco milímetros quadrados... e liga... né? no... no interruptor tem uma ponte que li/que você vai ligar o fase... né? no caso teria que ter uma ponte pra ligar... de... de um lado o interruptor e pra... pra outro... e liga dois neutros...fica dois neutros que [v:vai] [a:direto] pro ponto de luz...saindo com volta... ligando com ( ) e vem até... o... receptáculo... que você emenda... e faz a::/ coloca a lâmpada...e dá pra... acender... [v:sai] tudo [a:normal] ...
    E: ah... aí tá bom... tá ótimo... Márcio...

  • E: agora... pra terminar... eh... eu quero que você me dê a sua opinião... né? o que que você acha sobre... sobre... a família... sobre a amizade... eu quero que você me dê uma opinião sobre... algum desses relacionamentos...
    I: olha... a amizade pra mim é boa quando... favorece aos dois... né? não adianta só... uma pessoa fazer por você e... e a outra não... né? eu acho que tem que haver uma compreensão... a família a mesma coisa... né? fora de negócio de fofoca... esses negócios todo que a maioria das famílias têm... né? eu acho que... esse negócio não leva a nada...eu acho que a família tem que ser [a:bastante] unida...lance de freqüentar... almoço dia de domingo tudo pra... pra cada vez unir mais a família... né? em termos assim de relacionamento com... com alguma garota... deve ter muita cautela... você nunca pode se entregar demais... porque... acaba se estrepando... né? ou a mulher gosta sempre que... que a/ que tenha alguma::/ algum ar assim... de... de... de traição... alguma coisa assim... a maioria gosta... né? ((riso de E))não pode se sentir... [a:muito] ... muito dona... do... do cara... elas gostam isso... dá pra... dá pra notar... e...é [a:só] você não se entregar demaisque...que [v:sai] tudo [a:certo] ... até como numa amizade ou um namoro...
    I: tá ótimo... Márcio... [a:muito] obrigada...
Parte oral
1993
  • Descrever uma estória acontecida comigo.-Uma coisa que aconteceu comigo que me marcou muito foi quando estive em Poços de Caldas, e o grupo da excursão todo ficou no hotel, aí no último dia, antes de irmmos embora eu fui lá no nosso quarto, onde estava meu irmão e meus colegas, e bati na porta e sai correndo pra me esconder deles, [a:só] que não vi a porta de vidro da varandae [NULL SUBJECT] [v:passei] [a:direto] quebrando o vidro todo, aí todo mundo ficou desesperado, correram chamaram a moça que organizou a excursão ela fez curativo, tive que tomar uns pontos no braço, mas terminou tudo bem.
  • Descrever uma história que alguém tenha contado para mim.-Meu pai num dia pegou um passageiro no aterro e o moço contou a ele que tinha sido assaltado no ônibus e que os assaltantes levaram o salário dele todo, pois ele tinha acabado de receber e obrigaram a ele a saltar do ônibus, ele então pediu meu pai que ultrapassa-se o ônibus, quando o meu pai conseguiu ultrapassar o ônibus ele queria que meu pai solta-se do carro e o ajuda- se a pegar os ladrões, meu pai disse que não ia e ele começou a receber santo dentro do carro, com isso meu pai deu-lhe um tapa e ele caiu para fora do carro, então meu pai pegou e foi embora com o carro.
  • Descrever e falar sobre um lugar que eu goste de ficar ou passear.- É o quarto da minha mãe tem tudo que eu gosto e eu fico na maioria das vezes do jeito que eu adoro que é ficar sozinho, ainda mais quando eu preciso estudar não tem lugar melhor.
  • Falar sobre o que sei fazer, descrevendo a maneira com que faço tal coisa.Eu gosto de fazer instalação, uma das que eu mais gosto é a de três pontos de luz com interruptor de duas seções, é a que engloba muita coisa que aprendo e quando eu termino e ligo o interruptor e a lâmpada acende é que eu vejo que o que eu aprendi foi legal e que valeu a pena e eu gosto muito.
  • Dar a minha opinião a respeito da amizade, namoro, Família, ou qualquer outro tipo de relacionamento.A família para mim tem que ser [a:bastante] unida,a amizade [a:só] é legal quando ninguém está sendo prejudicadoe no namoro a pessoa nunca pode se entregar demais é como se fosse um jogo, nunca mostra o que tem por baixo da manga, se não acaba perdendo.
Parte escrita
1993

  • E: Fátima... conta pra mim uma história que tenha acorrido com você... que tenha sido interessante... triste ou alegre...
    I: [a:bom] ... foi interessante o que aconteceu comigo num tempo atrás... mas também foi triste...numa parte foi triste... interessante porque... eu:: eu tenho dois filhos... a minha mais velha está com seis anos... e eu não pretendia ter mais filhos... entendeu?era [a:só] ela e ia ficar [a:só] nela... mas como os anticoncepcionais que eu tomava estavam me fazendo mal... eu:: tive que interromper... a doutora pediu que eu interrompesse o anticoncepcional... aí nessa que eu interrompi... eu engravidei... da minha segunda filha... conclusão... eu engravidei:: aí continuei estudando... eu estava estudando... continuei estudando... e tal... [a:mesmo] grávida... eu fui até o final da gravidez... eh:: estudando... aí quando a minha filha mais nova nasceu... eu procurei uma pessoa pra tomar conta dela... e não encontrei... [a:primeiro] porque ela/ eu amamentava... não tinha como deixar... com ninguém porque ela mamava e tudo... no peito... como é que eu ia fazer? deixar ela com a pessoa... aí dava a hora dela mamar... eu não estava perto... como ia ser? e também não encontrei ninguém que pudesse... me ajudar... né? nesse ponto... aí o que que eu fiz? tive que interromper... os meus estudos... isso ano passado... eu ia terminar os estudos ano passado... eu tive que interromper... fiquei super triste... porque:: era turma/ uma turma que/ super querida... todo mundo se dava bem:: e tudo... eram super amigos... e:: já vinha desde o primeiro ano todo mundo juntinho e tal...íamos [v:terminar] todos [a:juntos] ... eu tive que interromper... com isso arrasou... eu fiquei super arrasada... mas consegui levantar porque o pessoal que terminou ano passado me deu maior força pra eu voltar esse ano e terminar... porque era o último ano:: eles me deram uma força incrível... e:: eu estou aqui... já terminando... graças a Deus... com as forças dos meus amigos... e com a minha boa vontade também...

  • E: tá... agora... Fátima... conta pra mim uma história que tenha acorrido com alguém que você conheça... que tenha sido interessante... triste ou alegre...
    I: ah:: uma coisa triste que aconteceu... foi::... não/ foi com meu marido... e com meu compadre... eles estavam saindo da minha casa... meu marido estava saindo da minha casa... da nossa casa... pra levar meu compadre... em casa... aí no caminho eles viram um assalto... os dois são policias... aí no caminho eles viram um assalto... viram dois rapazes assaltando uma senhora... roubando o carro de uma senhora... aí:: eles interferiram no assalto... houve troca de tiros... isso... a minha comadre... mais tarde também me contou... houve trocas de tiros... eles perseguiram os assaltantes... os assaltantes saíram do carro... trocaram tiros com eles... meu compadre foi atingido... nessa troca de tiros meu compadre foi atingido... então eu achei uma coisa super triste porque::... o meu compadre é como se fosse meu irmão...ele é [a:muito] ligado na nossa famí::lia... e tudo::... depois eles contando... eu fiquei... super triste... preocupada também... né? porque... o que poderia ter acontecido... né? ele poderia ter morri::do... o meu mari::do também... eu acho que ele ((tosse)) não deveriam nem ter interfirido... [a:primeiro] porque eles não estavam... de serviço... estavam... em:: hora de lazer... então não deveriam ter interfirido mas... sabe como é que é...policial... ( ) [a:mesmo] não estando em serviço... se ver alguma coisa errada... vai... interfere... interrompe... eu achei super errado mas... (tudo bem)... graças a Deus não aconteceu nada...

  • E: Fátima... descreve pra mim o lugar onde você mais gosta de ficar...
    I: o lugar que eu mais gosto de ficar? é no meu quarto... que é a parte... da minha casa... mais tranqüila... mais sossega::da... e:: onde tenho minhas coisas íntimas... a minha ca::ma... que eu ado::ro... o poster da minha filha... que eu fico admirando quando eu estou deitada na minha cama... eu fico admirando o poster dela... que fica ao lado direito da minha ca::ma... meu reló::gio... que fica ao lado esquerdo... em cima da mesinha de cabecei::ra... a minha cômoda que eu guardo meus perfu:: mes... que fica do lado esquerdo também... guardo os meus perfumes... guardo as minhas escovas de cabe::lo... o meu guarda-roupa que fica em frente a minha ca::ma... os tape::tes que ficam um de um lado outro do outro... a minha corti::na... de ren::da... eu acho bonita... linda... eh::... o cesto de roupa também... que eu guardo as roupas... não passadas... tem vez que eu lavo... depois eu deixo pra passar... eu guardo dentro desse cesto... e:: o cesto fica do lado do meu guarda- roupa... [a:só] isso...

  • E: tá bom... obrigado... ago::ra eh... você sabe fazer alguma coisa? o quê? você vai contar pra mim como é que que se faz isso... né? o que você sabe fazer...
    I: ah:: eu sei fazer uma torta gelada... é uma delícia... aprendi com a minha sogra... ela que me ensinou essa torta... ( ) e quando eu faço [a:geralmente] eu faço nos finais de semana... está todo mundo em casa... e tudo... né?aí eu faço [a:geralmente] nos finais de semanaque todo mundo em casa... e eles gostam... a minha família gosta... aí eu faço... como eu faço... eu pego:: leite condensado... bato no liqüidificador com duas gemas... depois levo ao fogo... um bocadinho de:: Cremogema... aí mexo... vou mexendo até virar um mingau... depois que forma aquele mingau... deixo esfriar um pouquinho... e na massa pra forrar a forma... eu faço uma massa de empada... aquela/ é feito uma massa de/ é feito uma massa de empada... aí forro a forma com massa de empada... jogo aquele creme por cima... depois jogo coco ralado ou então boto umas maçãs... boto em volta... boto na geladeira... e espera gelar...é [a:muito] gostosa...

  • E: agora:: o que você acha da escola... dos professores... da política atual e da crise educacional?
    I: na escola/ na minha escola... tá:: caidinha... né? tá precisando de uma reforma... mas o estado... não colabora em nada... os professores se queixam e tudo...tem professores [a:muito] bons aqui...mas que estão saindo do colégio por falta de material... por falta de apoio do próprio estado que não ajuda... não colabora... entendeu? e quem sofre com isso tudo somos nós... os alunos... crise educacional... o país está:: ruim... e vai daqui pra pior... eu acho que não vai melhorar enquanto tiver essa política de... corrupção... safadeza... que eu acho isso uma safadeza... entendeu?porque os políticos [a:só] pensam neles...e mais ninguém...e os que precisam [a:realmente] que se lixem...se tiver estudo pra eles... [a:ótimo] ... se não tiver melhor ainda...então eu acho que essa crise educacional vai daqui pra pior...não vai ter apoio [a:mesmo] dos políticos... de ninguém... se a gente não lutar... nós.... alunos... né? nós... pais... se nós não lutarmos pra melhorar... ( )
    E: ahn... ahn... tá bom... obrigado...
Parte oral
1993
  • Tenho duas filhas a mais velha está com seis anos.Não pretendia ter mais filhos, quando voltei a estudar, mas como os anticoncepcionais estavam me fazendo mal tive que interromper, nessa interrupcão é que eu engravidei da minha segunda filha,mas [a:mesmo] assim continuei a estudar, terminando assim o meu segundo ano.Quando a minha caçula nasceu fiquei em casa um mês voltando a escola em maio de 92,mas [a:infelizmente] não pude continuar, pois estava amamentando e não tinha encontrado ninguém para tomar conta das minhas filhas.Fiquei super triste, pois adorava a minha turma de sala,eram pessoas que tinham começado [a:junto] comigo desde o primeiro ano, fora isto estava anciosa para terminar os estudos, pois este ano estaria trabalhando, era o que eu tinha em mente.Por isso que eu acho que foi triste.Mas com tudo isso os amigos me deram maior força para eu voltar este ano e terminar o segundo grau.E [v:estou] aqui [a:novamente] já prestes a terminar Graças a Deus.
  • Vou contar o que houve com meu marido e compadre que são policiais.Num domingo a noite meu marido foi levar meu compadre de carro em casa, durante o caminho viram dois rapazes assaltando uma senhora e levando o carro dela.Eles então foram e interfiriram no assalto houve perseguição e troca de tiros entre meu marido, meu compadre, e os bandidos.Meu marido contou que quando chegou emuma praça [a:bastante] movimentadaos bandidos largaram o carro e fugiram a pé, pois o combustível do carro deles tinha acabado, foi então que continuou a perseguição a pé e na troca de tiros meu compadre foi atingido.Nessa hora houve um corre corre tremendo de pessoas que estavam com seus filhos nos brinquedos da praça.Nessa altura alguém chamou a patrulha que [v:chegou] [a:rapidamente] e conseguiu pegar os dois bandidos.Meu marido me contando eu acho uma coisa triste pois já se ele e meu compadre morrem no tiroteio?
  • O lugar que mais gosto de ficar é o meu quarto, porque é sossegado, tem a minha cama que gosto de deitar, tem o poster das minhas filhas que ficam a direita da minha cama, o meu relógio despertador que fica a esquerda da minha cama em cima da mesinha de cabeceira.Oduplex que fica em frente a minha cama, os tapetes que ficam de um e de outro da cama, a minha cortina branca de renda.Por isso é o lugar que mais gosto de ficar.
  • O que eu sei fazer é uma torta gelada é a minha especialidade.Quem me ensinou foi a minha sogra.A massa é de empadão, depois da massa pronta, faz-se um mingau de leite moça e cremogema, derrama este mingua na massa cozida,enfeite a torta com a fruta que quizer, [a:geralmenta] , faço de côco ou maçãs.
  • Adoro minha escola mais [a:infelizmente] anda super caída,precisando de uma reforma geral [a:inclusive] na reposição de material escolar, pois também o governo não se preocupa em ajeitar a escola, não investindo nenhum pouco no ensino de forma geral.Mas eu gosto muito dela.Porque também tem meus amigos na sala que me ajudaram muito.Eu acho que o ensino não vai melhorar assim de uma hora para outra, mas vai daqui pra pior.E se nós alunos não fizermos alguma coisa contra isso vai ficar tudo acabado [a:mesmo] .
Parte escrita
1993

  • E: Roney... conta pra mim uma história que tenha acontecido com você... que tenha sido interessante...
    I: é... aconteceu foi... onde é que eu trabalhava... eu trabalhava no centro da cidade... né? então eu pegava trem... e eu peguei esse trem::... era o Deodoro... e na altura assim eu acho que foi de Riachuelo... por ali ele tem que parar num... num desvio... né? na qual vem um outro trem e corta na frente dele nesse desvio... então nesse dia eu não sei nem o que foi que aconteceu que... ele parou no desvio mas parou com/ deixou um bico pra frente... né? e... e... eu nisso estava no primeiro vagão... né? isso eu estava no primeiro vagão... e o vagão cheio... de gente... e aí eu/ ficou esse bico... quando o outro trem cortou na frente dele... bateu no... no bico do trem que eu estava no primeiro vagão... e começou a balançar o vagão para um lado e para o outro... e eu estava segurando/ eu estava ali em pé segurando naquela chupeta... aí eu... sem entender... eu estou vendo aquele tumulto vindo na minha direção... e quando eu dei por conta... pô... [a:só] estava eu e uns... dois no/ naquele vagão...a gente ficou preocupado...ficava olhando para um lado e para o outro [a:todo] assustadospra ver/ não sabia o que fazer... se corria para um lado e para o outro... que o vagão era pequeno... aí o trem saiu... saiu... saiu... quando chegou na outra estação... todo mundo soltou e... nós olhamos assim na frente do trem... tinha um buraco... né? o bico dele tinha ficado na frente... mas graças a Deus não aconteceu nada... né? mas foi uma história assim interessante comigo que... eu me lembro até hoje...
    E: ahn... ahn...
    I: essa foi a história...

  • E: agora... conta pra mim uma história que tenha aco... acontecido com alguém que você conheça... que seja interessante...
    I: eh... foi com um colega meu... que aconteceu... ele teve me contando... que... era um cara que ele gostava pouco de cortar cabelo... né? ele ia poucas vezes no barbeiro... né? então teve um dia que ele foi no barbeiro... ele estava sentado... aí pagou o cara logo antes de cortar... aí o cara começou a cortar... [a:inclusive] até um senhor de idade... né? estava cortando... cortando o cabelo dele... e ele está lá... sentado... né? daqui a pouco... o barbeiro foi e se levantou... e entrou numa salinha... né? e ele pensou que o barbeiro já tinha acabado de cortar o cabelo dele... né? na verdade o barbeiro tinha ido lá dentro ido amolar ((riso de E)) a tesoura... né? aí ele foi embora... ele disse que foi embora... chegou em casa... na rua todo mundo rindo dele... quando ele foi ver...o cabelo dele [a:só] estava cortado pela metade... ele me contava essa história/ foi engraçada porque eu ria muito... né? que aconteceu com um colega meu... essa foi a história...
    E: ahn... ahn...

  • E: agora... descreve pra mim o lugar onde você mais gosta de ficar...
    I: eh... o lugar onde eu mais gosto de ficar é no meu quarto... né? na verdade não é meu quarto... é meu e do meu irmão... né? tem uma beliche assim... logo na entrada na porta... do lado... perto da janela tem uma beliche... né? eu durmo em cima... ele dorme embaixo... e nós temos um armário... sabe? assim... mais pra trás da beliche encostada na parede... onde nós guardamos nossa roupa... fica até um pouco bagunçado... que é armário de homem a gente pega joga ali dentro... e o quarto não tem muito espaço não... porque também em frente a essa beliche... do lado desse armário... tem uma outra estantezinha... né? onde a gente bota livro... a gente toca ali... eh... deixa o nosso instrumento... violão... um radiozinho onde a gente... às vezes costuma ficar escutando... temos apenas um circulador... e às vezes até diminui... porque quando está calor... chega a diminuir o quarto mais ainda... por ser ele pequeno... ainda fica mais espaço do circulador... que a gente bota uma cadeirazinha... bota ele em cima de uma cadeira pra dividir por dois... né? quando um dorme em cima e o outro dorme embaixo... tem um... um quadrozinho assim em frente... né? que às vezes eu crio... eu gosto de criar assim algum quadro com papel... e ele gosta de espalhar... às vezes assim em cima da minha beliche... [a:inclusive] ele até botou um quadro do Van Damme... até tirei ele da beliche e botei ele mais pra frente... e tem pouco espaço...esse quarto não é [a:muito] grande não... mas dá pra dividir pra duas pessoas...
    E: ahn... ahn...

  • E: agora:: eu sei que você sabe fazer alguma coisa... né? conta pra mim como você faz isso...
    I: o que eu sei fazer é programar... sou programador...gosto de mexer [a:principalmente] em linguagem D-Base... você vai... você liga o computador... você pega um disquete... se o computador não tiver um winchester nele... se a linguagem não tiver permanente nele... você tem que carregar pelo um disquete... então está gravado no disquete... você pega o disquete... você coloca no drive... você carrega esse disquete... né? através de um comando... no caso se for o D-Base... você coloca D- Base... aperta enter... a linguagem entra... se você quiser gravar... num disquete os dados... dessa linguagem... você pode no caso formatar esse disquete... ou então se o disquete já for formatado não é necessário essa formatação... e na montagem do programa é simples... tá... quem já mexe há muito tempo... você entra... você pega os comandos... na linguagem existem vários tipos de comandos... pra vários tipos de funções... é como se fosse o alfabeto... você pega uma letra com uma outra letra... você ajunta... vai dar um significado... no computador é a mesma coisa... como por exemplo... eu pego o comando Arroba mais o comando... Say... abro aspa... escrevo algumas coisas dentro da aspa e aperto o enter... se eu carregar esse programa... no caso ele vai imprimir tudo o que tiver dentro das aspas... no caso desse comando Say tem essa função de imprimir tudo que tem dentro das aspas... então são vários tipos de... funções e vários tipos de comando... eu posso montar um comando de contabilidade... um programa de contabilidade... eu posso montar um programa de cálculos juro de arquivo... vai da preferência da pessoa... e é isso que eu gosto de fazer... programação... isso que eu [gosto] de mexer...
    I: [ahn... ahn...]

  • E: agora:: o que você acha da crise educacional?
    I: eh... a crise educacional no Brasil... [a:realmente] está... [a:muito] atrasada... né? [a:principalmente] num país subdesenvolvido... [a:realmente] não há apoio... né?você estuda num colégio... não há uma preparação... como vou falar?uma pessoa até [a:mesmo] em nível de faculdade... de você sair num colégio/ se você tiver estudando num colégio do estado... num colégio do governo... se não for um colégio particular... muitas vezes você está despreparado... às vezes até pela/ pelos níveis de... de professores que tem... às vezes alguns professores trabalham até desinteressado... devido a salários super baixo... e que isso influi muito na... na crise educacional do... do país... né? não há:: um interesse do governo em investir na educação dos países... em pegar/ e montar mais colégio... pegar crianças pobres edar [a:realmente] ... aquela assistência educacional pra pessoa... e o... o pobre em si... eh... no... no... no Brasil... ele tem que lutar... e ele... ele tem que passar por várias barreiras... pra chegar a uma/ um nível bom... né? educacional... né?e essa crise... [a:realmente] ... eu tenho por mim que vem pelos governo... que vem passando... pelos líderes que estão lá no Congresso... sa... sabe? através dessas pessoas que têm autoridade... delas que teriam que vir a::/ o problema... né? a resolução do problema... né? através deles que deveriam vir isso aí... não... das pessoas... né? em... em busca de colégio... de melhoria e... e achava que deveria ter... uma... uma melhoria no salário dos professores... como eu falei antes... eu acho que isso tudo influi... né? na crise desse país...
    E: valeu obrigado...
Parte oral
1993
  • Eu estava indo para o trabalho, na qual ia de trem para o centro da cidade quando na altura da estação do Riachuelo o trem parou em um desvio quando outro trem cortou e bateu de raspão e o vagão na qual eu estava houve uma correria e quando dei por mim, [a:só] estava eu e mais umas duas pessoase fiquei sem entender o ocorrido.Na próxima estação soltamos e vimos um buraco enorme do lado do trem.
  • Aconteceu com um colega meu, na qual ele era uma pessoa que cortava muita poucas vezes o cabelo e estava ele cortando o cabelo no barbeiro e estava a alguns minutos na cadeira quando o barbeiro entrou numa salinha para afiar a tesoura e ele se levantou e foi embora com o cabelo cortado pela metade pensando que o barbeiro já o tinha terminado de corta.
  • Eu gosto muito de ficar no meu quarto,que não é [a:só] meu, mas divido com meu irmãona qual também dividimos uma beliche em que eu durmo em cima e ele em baixo, no quarto também tem um armário a onde guardamos nossas roupas e em frente a beliche têm uma pequena estante que colocamos muitas revistas e nossos instrumentos de músicas e na parede do lado da beliche possui vários quadros que costumo criar no computador.
  • O que eu sei e gosto de fazer é programas de computador, na qual conheço várias linguagens, para entrar no programa basta colocar o disquete que contém o programa no computador e carrega-lo com o nome do mesmo.No caso do D-BASE basta colocar o seu nome e pressionar ENTER.Um programa de computador é semelhante ao alfabeto na qual pegamos várias letras e formamos uma palavra, assim também e um programa na qual usamos vários comandos como por exemplo: @ 10, 10 SAY “TESTE”, que imprimi na tela tudo que está entre as aspas.Assim vou montando vários programas, de contablidade e outros.
  • Eu acho que o ensino brasileiro está [a:muito] atrasado, [a:principalmente] por vivermos em um país subdesenvolvidosem nenhum apoio da autoridades brasileira em relação de bons salários para os professores e construção de boas escolas que faz com que acontecer todas essas crizes no ensino.Essa crise influi muito na classe das pessoas pobres na qual enfrentam muitas barreiras para chegarem a um nível bom, [a:principalmente] as escolas estaduaisque nem se quer faz um preparo bom a nível de faculdade para seus alunos.Eu apenas culpo as autoridades e governos que não apoiam a esse trabalhadores.
Parte escrita
1993

  • E: eh:: Suzana... conta pra mim uma história que tenha acontecido com você... que seja interessante...
    I: bem... vai/ eh:: a gente ano passado fez uma comissão pra grêmio lá na escola... sabe? e:: essa comissão pro grêmio acarretou sérios problemas a nível/ [a:junto] com os professores... e:: até [a:mesmo] com o diretor da escola... né?e:: eu tive um problema ano passado com uma professora... de OSPB que era coordenadora... e esse ano ela foi a minha professora... né? então desde o início do ano que começou... um pouco de implicância já... devido ao que ocorreu ano passado... né? então teve uma vez que eu estava na sala... estava a turma toda na maior bagunça e... ela achou que eu estava ocasionando aquela bagunça toda... então:: eu tive que/ ela me tirou do meu lugar e me colocou pra sentar na frente... do lado da mesa dela... [a:só] que... passou uns cinco minutos...e a menina que sentava naquele lugar chegou... então eu tive que sair do lugar e fiquei em pé...porque a sala estava [a:toda] / estava cheia... né?e não tinha lugar pra eu sentar... então fiquei assistindo à aula em pé... aí passou um tempo... a professora está explicando... aí eu virei... pra trás e pedi uma caneta pra uma menina que a minha caneta tinha falhado... aí ela veio de grosseria... gritando que eu estava atrapalhando a aula dela desde o iní::cio... que desde o início do ano que eu queria prejudicar... aí ela pegou e falou que da próxima vez ela ia me tirar de sala de aula... e nisso começou me agredir:: e tal... aí...eu [a:simplesmente] peguei minha mochila e fui embora da sala...

  • E: tá bom... agora conta pra mim uma história que tenha acontecido com alguém... que você conheça... que seja interessante...
    I: bem... eh... pe/ é uma garota também que... era da comissão pró grêmio... né? que agora é do grêmio... e por esse mesmo motivo que eu já falei que a gente... tinha... assimmuita dificuldade com a direção e até [a:mesmo] com os professores... né? então o... o... Heitor Lima eleé uma escola assim... ele é... é [a:muito] rígida... né?você tem que entrar... [a:totalmente] uniformizado... se faltar alguma peça do seu uniforme... você não pode entrar... né? e essa garota foi sem o emblema da escola no bolso e sem a estrelinha... que é um brochinho que a gente usa pra indicar de qual ano que... que... é... né? então ela foi sem isso e o diretor barrou... não deixou ela subir... pra ir assistir à aula... e ela ia fazer prova... então o diretor foi até a coordenação... pra pegar um papel e dar advertência... quando ele foi na... coordena... na... coordenação pegar esse papel... a garota subiu:: e entrou dentro de sala de aula... ele ficou procurando ela pela escola sem saber o que tinha acontecido... aí depois o pessoal falou que ela tinha subido... né? aí ele foi atrás da menina... entrou na sala de aula... puxou a garota pelo braço na maior violência... e aí ela terminou arranhan::do ele... deu a maior confusão na esco::la... chegaram até... a levantar hipótese de... suspender... né? mas aí terminou que já era na última semana de aula e... deixou tudo assimpor isso [a:mesmo] ... ela [a:só] tomou uma advertência... a mãe dela assinou e... acabou...

  • E: agora:: descreve pra mim... o lugar onde você mais gosta de ficar...
    I: eh... eu gosto de ficar no meu quarto... né? lá tem... a cama que fica encostada na parede... do lado da cama tem uma mesinha desse tipo de mesinha de cabeceira... né? mais pro outro canto... tem um armário... e... no fi/ o armário tem uma penteadeira que tem um banquinho também... né? e mais pro fundo tem uma prateleira/ uma não... são três prateleiras... que eu coloco os bichinhos de pelúcia... e também tem um almofadão que fica no meio do quar::to... e... tem um tapete também... que é de croché... e:: tem também uma prateleira que fica já... na parede... onde eu coloco alguns livros... né::? e... só...

  • E: tá bom... eh:: eu sei que você sabe fazer alguma coisa... conta pra mim como que se faz isso...
    I: eh:: sei fazer um molho branco... né? você põe dentro do liqüidificador... duas/ dois copos com leite... e:: um copo com farinha de trigo... e a mesma proporção do leite põe a metade de farinha de trigo... né? pica os queijos...